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21/06/2008 - 14h43
Yelle é boa surpresa do Sónar, Hercules and Love Affair é o vexame da noite

ANTONIO FARINACI
Colaboração para o UOL, em Barcelona


Divulgação

Show do Hercules and Love Affair foi vexame

Show do Hercules and Love Affair foi vexame


A noite de sexta-feira no Sónar teve uma surpresa boa e uma grande decepção. O saldo positivo foi a apresentação da cantora francesa Yelle (codinome de Julie Budet), que em seu show triturou ícones da new wave francesa (e dá-lhe Lio, Eli e Jacno) com pancadão e hip hop, numa das apresentações mais leves e divertidas da noite.

Yelle, que ficou famosa com uma música ("Short Dick Cuizi") em que tira onda do tamanho do "documento" de um integrante do grupo francês de hip hop TTC, virou musa pop instantânea ao abrir shows da turnê européia de Mika e virar "amiga" da inglesa Lily Allen e participar de seu programa na BBC.

Com um vestidinho colorido que agrupa todos os últimos gritos da moda de rua (cores fluor, choque de estampas, formas amplas), com uma figura esbelta e performance eletrizante (acompanhada por um baterista e um DJ), Yelle está pronta para o estrelato mundial. Basta saber se, para isso, ela terá de passar a cantar em inglês.

Decepção

Mas nem tudo foram flores. Uma das atrações que geravam mais expectativas em torno de si no festival, o grupo Hercules and Love Affair, acabou sendo o vexame da noite.

O grupo lançou um dos melhores discos dançantes do ano, puxado pelo sucesso "Blind", na voz de Antony Hegarty, do Antony and the Johnsons. A apresentação no Sónar seria um dos primeiros shows ao vivo do Hercules, e a participação de Hegarty no disco, em cinco faixas, deixava com uma pulga atrás da orelha: "será que ele vem?"

A expectativa pela "canja" ilustre foi alimentada pela organização do festival, que chegou a anunciar a apresentação como uma "performance surpresa".

O resultado foi desastroso. Hegarty obviamente não veio, pois tem compromisos com seu grupo, e o time de músicos chamados para montar o show ao vivo (visivelmente de sopetão) não deu conta do recado.

Arranjos mal ajambrados, falta de entrosamento da banda e vocais inexpressivos comprometeram irremediavelmente o pop dançante e etéreo do Hercules and Love Affair. Nos vocais, aliás, o caldo entornou. Apesar de a cantora transexual Nomi ter uma boa voz, ela se movimenta em palco como uma saltadora de obstáculos. Já a vocalista Kim Ann, apesar da presença em palco intrigante, tem uma voz desafinadíssima.

De trás de seu teclado, o produtor Andy Butler parecia constrangido. Não era para menos, e dá para suspeitar que não foi só a agenda que afastou Hegarty do show com o Hercules.

A noite de sexta teve ainda a apresentação do grupo britânico Madness, que apresentou sucessos de carreira, como "My Girl" e "Our House" para saudosistas dos anos 80, e o duo francês Justice, que empolgou a platéia com música eletrônica dançante à la Daft Punk.


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