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22/06/2008 - 12h40Neon Neon faz show elegante sobre os anos 80, em último dia de Sónar
ANTONIO FARINACI
O grupo Neon Neon fez uma das apresentações mais elegantes e coesas do Sónar na noite de sábado (21), a última do festival espanhol, em Barcelona. No show de uma hora, o grupo tocou músicas de seu único disco "Stainless Style". O espetáculo, como o disco, é uma espécie de ópera pop sobre a vida de John DeLorean, engenheiro e empresário que desenvolveu o modelo de carro DMC-12 (aquele cujas portas se abrem para cima), celebrizado na trilogia "De Volta para o Futuro". Para contar episódios da vida de DeLorean --um "sonho americano" transformado em pesadelo após um processo por tráfico de droga--, o grupo recriou o clima synth-pop dos anos 80, com melodias perfeitas e arranjos que misturam ainda hip hop e rhythm and blues. O Neon Neon é idéia do galês Gruff Rhys (do Super Furry Animals) e do produtor americano Bryan Hollon (conhecido como Boom Bip), e conta com participações especiais de amigos, como a da ótima cantora inglesa Cate LeBon (com seu timbre personalíssimo) ou do heterodoxo rapper americano Har Mar Superstar (branco, baixote, gordo e careca). No palco, como no disco, o grupo é impecável e coeso (musical e conceitualmente), sem que isso se confunda com monotonia. Músicas como "I Told Her on Alderaan", "Belfast" ou "Trick for Treat" são obras primas do pop eletrônico. Na última, a performance de Har Mar, que rodopia pelo palco enrolado num xale, leva a platéia ao delírio. E, se de um lado "I Lust U" é um dueto ao mesmo tempo sexy e distante, com o vocal cool de LeBon, "Sweat Shop" é quase um hip hop pornô. Com tudo isso, o Neon Neon coloca Rhys como um dos artistas mais multifacetados, habilidosos e inspirados da música pop atual, seja na psicodelia do Super Furry Animal, na delicadeza de seu projeto solo (com o qual lançou "Candylion"), ou agora com o Neon Neon. Pena que o show estava agendado como um dos primeiros da programação, à meia-noite, quando a Fira Gran Via ainda não estava cheia. Última hora A noite de sábado teve ainda uma substituição da cantora M.I.A., que cancelou as datas de sua turnê européia por motivos de saúde. O Bonde do Rolê, escalado para tocar no lugar da cantora inglesa fizeram o que sabem fazer melhor (e agora com duas vocalistas em vez de uma): gritar, cuspir, falar palavrão e provocar a platéia. Em bom espanhol, Pedro D'Eyrot explicava para a audiência, por cima, antes de cada música, o tema das músicas --o mesmo, quase sempre: sexo. Mas, com a performance quase explícita da banda, nem precisava da "tradução". No meio do show, a vocalista Ana Bernardino causou comoção ao descer do palco, até próximo à platéia. Enquanto isso, na pista ao ar livre, Miss Kittin' tocava para uma multidão de cerca de 4.000 pessoas, a platéia mais lotada da noite, até esse momento. Outros destaques da última noite desta 15a edição do Sónar foram o show da cantora francesa Camille, no Palau de la Musica, tradicional auditório de Barcelona, e o show do Yazoo, que, ao lado do Madness, representou os anos 80 "legítimos" na programação do festival. Público A organização do Sónar ainda não divulgou os números oficiais de público nesta edição do festival, mas o jornal espanhol "La Vanguardia" afirmava em sua edição deste domingo (22) que a noite de sexta foi a de maior público, com mais de 23 mil pessoas no galpão da Fira Gran Via (um recorde nessas 15 edições do evento). O Sónar deveria ter este ano uma edição em São Paulo, que foi adiada, a princípio, para maio do ano que vem.
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