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20/07/2008 - 13h19The New York Times: Para Donna Summer o suficiente não é suficiente
Gary Graff
Em seu novo álbum, Donna Summer declara cantando que "The Queen Is Back" (a rainha está de volta). E ela não está preocupada em irritar Aretha Franklin, que famosamente -e de forma pública- empinou o nariz para a introdução de Tina Turner por Beyonce Knowles como sendo "a Rainha", na cerimônia do prêmio Grammy deste ano. "Querido, Aretha é a Rainha do Soul, sem dúvida nenhuma", diz Summer, 59 anos, que em maio lançou "Crayons", seu primeiro álbum de material novo em 17 anos. "As pessoas me chamam de Rainha da Disco, não de Rainha do Soul. Este não é um título que eu dei a mim mesma. Ele me foi dado pela imprensa e é assim que as pessoas me tratam até hoje." "Eu não acho que Aretha terá um problema com isso, honestamente. E eu preciso me divertir com isso, porque a esta altura é engraçado." Mas o sucesso de Donna Summer como Rainha da Disco, e como cantora pop em geral, não é motivo para risada. Desde que seu orgástico "Love to Love You Baby" (1975) chegou às discotecas e ao segundo lugar na parada pop da Billboard, Summer já vendeu mais de 100 milhões de discos e emplacou 20 singles no 40 Mais. Quatro destes -sua versão para "MacArthur Park" (1978) de Jimmy Webb, "Hot Stuff" (1979), "Bad Girls" (1979) e o dueto "No More Tears (Enough Is Enough)" (1979) com Barbra Streisand- chegaram ao primeiro lugar em um período de 12 meses. Donna Summer já conquistou cinco prêmios Grammy e conta com uma lista de primeiras vezes tão longa quanto seus remixes: ela foi vencedora do primeiro Grammy de melhor cantora de rock, por "Hot Stuff", e do primeiro melhor gravação dance, por "Carry On" (1997). "No More Tears" foi o primeiro single de 12 polegadas a receber o Disco de Ouro, e Summer foi a primeira cantora a ocupar simultaneamente o primeiro lugar na parada de singles e álbuns da Billboard -ela conseguiu isso duas vezes- e em 2004 se tornou o primeiro nome indicado ao Salão da Fama da Dance Music em Nova York. São feitos dignos de uma monarca, e Summer está feliz por usar a coroa, apesar de sua surpresa com a coroação. "Eu não posso dizer que previa que esta música duraria. Eu acho que todos cantores adorariam ver uma inexistência de um hiato de gerações na música. As pessoas ainda escutam minhas canções no rádio. DJs ainda tocam os discos nos clubes." "Você apenas espera que a música que fez ainda estará por aí e terá uma segunda vida, uma terceira vida, uma quarta vida. Quero dizer, veja os Beatles. Qualé!" Apesar de ter feito seu nome nas discotecas e, como diz sua canção de 1980, "On the Radio", a história musical de Summer de fato começou na igreja. Nascida LaDonna Gaines em Boston, ela foi criada por pais cristãos devotos e treinada como cantora gospel antes de sair de casa para participar de uma montagem alemã de "Hair" (1968), seguida por participações em versões alemãs de "Godspell" (1972) e "Show Boat" (1973). Ao retornar aos Estados Unidos em 1971, ela começou a gravar como Donna Gaines, mudando para Donna Summer quando se casou com o ator austríaco Helmuth Sommer em 1971. O casamento acabou em 1976, mas o nome pegou. Donna Summer, que desde 1980 está casada com o músico Bruce Sudano e tem três filhas dos seus dois casamentos, começou cantando como vocalista de apoio em sessões de gravação, onde conheceu os produtores Giorgio Moroder e Pete Bellotte. Eles conseguiram para ela um contrato na Holanda, e ela fez sucesso lá, na França e na Bélgica com o single chamado "The Hostage" (1974). Mas quando ela apresentou a Moroder a idéia de uma canção baseada no título "Love to Love You Baby", as coisas estouraram. "Não era uma canção que planejava cantar pessoalmente", lembra Summer. "Era uma espécie de obra em progresso e achei que, se pudesse encontrar a cantora certa, poderia ser um sucesso. Eu dei a Giorgio a idéia de 'Love to Love You Baby' e ele foi para o estúdio e fez um arranjo para a idéia, e depois fui até lá e cantei algumas letras." "Eu não precisava de muitas letras, de forma que inseri muitos ooohs e aaahs nela. Eu ficava imaginando, se Marilyn Monroe cantasse a canção, era o que ela faria." Quando Summer foi escolhida para gravá-la, estes adornos vocais se tornaram uma marca registrada controversa. Correu o rumor de que a cantora estava de fato tendo um orgasmo durante a sessão, o que certamente causou agitação entre seus parentes religiosos. E ela se recorda das reações "assustadoras" quando cantava a canção ao vivo. "Havia tumultos nos teatros. Tumultos de verdade, pessoas brigando e tentando chegar à força até o palco, tentando chegar até mim, atirando todo tipo de coisas no palco. Chegou a um ponto em que não podia mais cantar aquela canção." Ela também não ficou totalmente à vontade com a imagem sexual que veio após o sucesso de "Love to Love You Baby". "Eu não acho que tenha buscado de forma alguma ser uma pessoa sensual. Eu acho que busquei ser uma mulher inteligente e ter um certo tipo de respeitabilidade. Assim, quando esta coisa toda ocorreu, eu tive que interpretar um papel. Era como estar em um palco." "Mas a certa altura o papel realmente se tornou cansativo e decidi, 'eu tenho que mudar isto. Eu preciso inserir algum humor nisto e infiltrar minha verdadeira personalidade nesta criação, porque não está funcionando mais para mim'." Sob a tutela de Neil Bogart, o então chefe da Casablanca Records, Summer gradualmente trabalhou para deixar sua imagem de rainha das discotecas, começando por uma versão ambiciosa de "MacArthur Park", seu primeiro sucesso pop a chegar ao primeiro lugar nas paradas e a ganhar disco de ouro. O álbum "Bad Girls" injetou mais sabores de rock, blues e r&b. O trabalho com Streisand em "No More Tears" lhe rendeu ainda mais apelo popular, e "She Works Hard for the Money" (1983) tornou Summer uma estrela da MTV. Sua carreira desacelerou depois disso, apesar de Summer ter continuado excursionando e a trabalhar em algum projeto esporádico, incluindo canções para filmes como "Naturally Native" (2000) e "Pókemon: O Filme 2000". Com "Crayons" ela está vontando aos holofotes e encontrando um público interessado em seu retorno. O álbum estreou no 17º lugar na parada Billboard 200, seu melhor resultado desde "She Works Hard for the Money", e "I'm a Fire" a tornou a primeira artista a ter um sucesso no primeiro lugar da parada Billboard Hot Dance Tracks em quatro décadas consecutivas. Ela também cantou "Stamp Your Feet" no final de temporada de "American Idol". "Crayons" reúne Summer com jovens produtores de vanguarda e compositores como Danielle Briseboise, J.R. Rotem e até mesmo o filho de Neil Bogart, Evan Bogart, que divide os créditos de composição do sucesso "SOS" (206) de Rihanna. Sua meta, diz Summer, era "tentar ir um pouco mais além do que antes", uma abordagem que ela sente estar bem posicionada para buscar a esta altura de sua vida. "Como estive ausente por tanto tempo, as pessoas realmente não têm nenhuma expectativa a meu respeito. Elas não sabem o que esperar. É um bom lugar para se estar, porque eu gosto de fazer muitas coisas. Eu me entedio com muito das mesmas coisas o tempo todo." "Então estou em um bom lugar", conclui Summer. "Eu acho que podemos realizar algo realmente ótimo aqui. Isto é o que faz valer a pena o retorno." (Gary Graff é uma jornalista free-lance baseada em Beverly Hills, Michigan.) Tradução: George El Khouri Andolfato
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