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01/08/2008 - 11h19
Muse, sozinho no atual mundo pop, põe 3.500 pessoas para pular em SP

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros


Roberto Setton / UOL

O cantor e guitarrista Matt Bellamy em show do Muse em São Paulo (31/07/2008)

O cantor e guitarrista Matt Bellamy em show do Muse em São Paulo (31/07/2008)


O trio inglês Muse fez na noite desta quinta-feira (31), em São Paulo, sua segunda apresentação no Brasil. Cerca de 3.500 pessoas compareceram, de acordo com a organização do HSBC Brasil, na zona sul da capital paulista, onde cabem 4.000 pessoas.

No atual cenário da música pop, o Muse, na ativa desde 1994 e com apenas quatro álbuns lançados, está sozinho numa prateleira que poderia levar a etiqueta "Super banda", para o bem e para o mal. Seus músicos - Matt Bellamy (guitarra, piano e voz), Chris Wolstenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria) -- são excelentes, boa parte das canções não tem qualquer pudor em buscar a grandiloqüência, e o coquetel de referências estéticas bate na receita de música clássica a Iron Maiden, de funk sem cintura a Depeche Mode. É servido quente, acompanhado de guitarradas vigorosas e baixo distorcido.

Após uma breve introdução com trecho do compositor clássico Prokofiev, o grupo subiu ao palco às 22h30 e desfechou "Knights of Cydonia" (uma espécie de criptometal), "Hysteria" (poderosa) e "Bliss" (a música mais emocionante do trio, desperdiçada numa interpretação algo afetada de Bellamy). A trinca inicial contemplou, em ordem cronológica inversa, os três CDs que fizeram a base do show: "Black Holes and Revelations" (2006), "Absolution" (2003) e "Origin of Symmetry" (2001). O primeiro, "Showbiz" (1999), foi ignorado pelo trio em São Paulo.

Um enorme painel eletrônico atrás do palco mostrava imagens abstratas, enquanto os músicos exibiam um figurino conservador e uma movimentação de palco idem (à exceção da pose de guitar hero de Bellamy). Jatos de fumaça em duas canções e balões gigantes jogados à platéia deram um certo tom kitsch, assim como o piano branco às vezes tocado pelo cantor. Os três músicos também foram econômicos na comunicação com a platéia - que, de sua parte, mostrou entusiasmo desde o início.

A quarta e a quinta canções, "Map of the Problematique" e "Supermassive Blackhole", resumem a atual fase do grupo: ora melodias únicas, que parecem formar uma espiral à medida que Bellamy (um cantor fora-de-série) vai construindo uma espécie de "histeria contida" (com o perdão do paradoxo), e que são impossíveis de encontrar fora da obra do Muse; ora construções mais convencionais, como em "Supermassive", que parece um funk de branco à moda do INXS.

Agora, seria muito mais agradável ver o Muse ao vivo se Bellamy não colocasse sua guitarra muitos decibéis acima dos demais instrumentos, e também se evitasse exibições de virtuosismo tolas, como se fora um Eddie Van Halen anacrônico. De resto, a qualidade técnica do som foi bem superior à média do que costumamos ouvir em shows por aqui.

Talvez não surpreendentemente, duas das músicas mais simples e diretas do Muse compuseram o auge da apresentação: "Starlight" e "Time Is Running Out", tocadas em seqüência (11ª e 12ª do repertório). São canções pop de amor (como prova o adoravelmente patético verso "Nunca vou deixar você partir/Se você prometer não desaparecer") com batida vigorosa e refrão catártico, que convidam ao pula-pula e a cantar junto. Foi o que aconteceu: se quisesse, Bellamy poderia ter apenas dublado o competente coro de 3.500 vozes. Em seguida veio "Plug in Baby", e o trio deixou o palco.

Quando voltou, foi para um bis fortíssimo, com "Stockholm Syndrome" e "Take a Bow", esta última outro exemplo perfeito do "excesso controlado" (sim, mais um paradoxo) que o Muse tanto gosta de procurar. Foram 15 canções e cerca de 90 minutos até as luzes se acenderem. Pouca gente deve ter saído insatisfeita. Certamente, não a própria banda: "Vocês são a melhor platéia do mundo", disse o baterista Howard ao se despedir. Não há razão para duvidar de sua sinceridade.


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