PÁGINAS ESPECIAISSITES
![]() |
10/08/2008 - 13h50The New York Times: RZA traz seu herói favorito de volta à vida
Gary Graff
Muitos MCs (mestres de cerimônia) e produtores, de Lil Wayne a Timbaland, podem bater no peito e se proclamarem os homens que trabalham mais arduamente no hip-hop. Mas todos teriam que sair de lado quando RZA entrasse na sala. O empresário nascido no Brooklyn mantém consistentemente uma lista vertiginosa de projetos ativos, incluindo, até o momento, sua condução do grupo de astros do rap Wu-Tang Clan, uma banda de rock, uma variedade de projetos cinematográficos e a ressurreição neste ano de seu alter ego, Bobby Digital, após um pausa de sete anos, com o álbum "Digi Snacks". Você também tem a sensação de que, a qualquer momento, cinco mais coisas podem surgir aos pés dele. RZA, que atualmente mora em Los Angeles, diz que ele não se importa. "Eu sei como conduzir muita coisa", ele diz. Na verdade, ele quer ainda mais. "Você sabe, eu ainda me divirto produzindo entretenimento, de forma que sou abençoado por ter tanto o que fazer. Mas eu adoraria ter a chance de ...ir a algum lugar científico, me unir a algumas pessoas que estão trabalhando em um destes problemas que temos no mundo e me dar uns dois anos para resolver um deles." "Eu acho que tenho uma mente muito analítica, científica, que estou usando para a criatividade e música, mas eu sinto às vezes que não estou realmente sendo usado para o propósito das coisas que entendo. Minha professora da oitava série disse: 'Você é soberbamente motivado em ciência e dinâmico com suas idéias'. Eu gostaria de usar isto em outra área." Mas, por ora, o artista de 39 anos terá que se contentar com o mundo do entretenimento, no qual permanece como uma força visionária durante grande parte dos últimos 20 anos. Criado em uma área empobrecida de Pittsburgh antes de se mudar para Nova York, Robert Diggs adotou o nome RZA quando ele iniciou sua vida musical como um MC, trabalhando com seus primos e futuros parceiros do Wu-Tang, GZA (Gary Grice) e o falecido Ol' Dirty Bastard (Russell Jones), em um trio primeiro conhecido como Force of the Imperial Master e depois como All in Together Now Crew. Após um lento início, RZA recrutou seis outros rappers para formar o Wu-Tang Clan, combinando seu interesse em artes marciais, super-heróis dos quadrinhos, ficção científica e anime japonês para cercar o grupo com uma mitologia tão envolvente quanto a música em seu álbum de estréia em 1993, "Enter the Wu-Tang (36 Chambers)". Este álbum, por sua vez, estabeleceu RZA como o produtor-chefe do grupo e "ditador", segundo o "Wu-Tang Manual" (2004). O Wu-Tang rapidamente se tornou o tipo de nave-mãe a partir da qual seus integrantes lançaram vários projetos solo, freqüentemente com envolvimento de RZA. Ele também ajudou a criar o estilo de rap horror com outro grupo chamado Gravediggaz e produziu para artistas como AZ, Cypress Hill, Notorious B.I.G. e o astro da NBA, Shaquille O'Neal. Ele apresentou Bobby Digital ao mundo com "Bobby Digital in Stereo" (1998), seu primeiro álbum solo, e continuou a saga com "Digital Bullet" (2001). Ambos os discos chegaram a ouro, o que tornou surpreendente o abandono do personagem por RZA. "Eu estava em mundos diferentes na época. Eu passei por muitas transições pessoais e coisas assim, de forma que, criativamente, eu não estava no estado, na mente do personagem." RZA estava certamente ocupado, particularmente na expansão de sua área de ação, da música até o mundo do cinema. Apesar de sua tentativa de transformar Bobby Digital em um projeto cinematográfico, RZA esteve bem mais visível como ator, aparecendo em "Fora de Rumo" (2005), "O Gângster" (2007) e, com Bill Murray e GZA, em um segmento de "Sobre Café e Cigarros" (2003) de Jim Jarmusch. Ele também compôs a música para "Ghost Dog" (1999), de Jarmusch, para "Kill Bill: Volume 1" (2003), de Quentin Tarantino, e outros filmes. Todo este trabalho, ele diz, renovou seu ponto de vista sobre o que fazer com Bobby Digital em "Digi Snacks", que estreou entre os 30 mais da parada Billboard de álbuns de r&b/hip hop. "Eu acho, ao fazer filmes e coisas assim, que aprendi uma forma diferente de expressar coisas artísticas sem ter que estar ligado a elas", diz RZA, que neste meio tempo também lançou dois álbuns solo, "Birth of a Prince" (2003) e a coletânea "The World According to RZA" (2003), assim como "8 Diagrams" (2007) do Wu-Tang Clan. "Foi como quando me vi... morrer no filme (em 'Fora de Rumo'), isso realmente me fez perceber que 'Ok, eu ainda estou aqui. Aquele personagem está morto. Naquele mundo ele está morto, mas a pessoa que o interpretou seguiu em frente para interpretar mais personagens." "Isso me deu toda uma outra forma de olhar para minha criatividade quando voltei (...) ao Bobby Digital. Agora, para mim, ele tem uma identidade própria. Antes, eu precisava que o sujeito expressasse meus próprios sentimentos. Agora eu não sinto que ele é um alter ego. Eu apenas estou tentando tornar o personagem poderoso, ter muita imaginação e fazer coisas que funcionem para ele, que não sejam necessariamente a meu respeito." RZA descreve "Digi Snacks", que inclui contribuições de John Frusciante, o guitarrista do Red Hot Chili Peppers, El DeBarge e Dhani Harrison, o filho do falecido George Harrison, como "um pacote de tira-gostos" de estilos diferentes, apesar de Bobby Digital ainda estar "lutando com o bem e o mal dentro de si mesmo enquanto salva a vida dos outros... e eu acho que o bem está vencendo neste álbum". Ao voltar ao personagem desta vez, RZA redescobriu material que filmou no início da década para um filme de Bobby Digital. Ele descreve as cenas como "de baixo orçamento", mas o que antes considerava um defeito, agora ele vê como virtude. "Agora parece um clássico", diz RZA, que vê Bobby Digital como "uma franquia potencial do hip hop. Eu vou continuar desenvolvendo o personagem com filmes, quadrinhos. Eu odeio soar tão comercial, mas... Ele é tipo de herói que se presta a isso. Ele não é muito diluído, não é manso demais, não é bom demais. Ele tem um pouco de tudo em si com as quais as pessoas podem se relacionar, então vou tentar desenvolvê-lo desta forma". Mas Bobby Digital poderá ter que esperar na fila, atrás de outros interesses de RZA. Ele e o baixista Shavo Odadjian, do System of a Down, estão trabalhando no primeiro álbum da banda deles, Achozen. RZA também está trabalhando nos novo álbum de Raekwon, do Wu-Tang, e prevê outro álbum do grupo em um futuro próximo. RZA e seu colega de Hollywood, Eli Roth, estão desenvolvendo um filme de artes marciais chamado "The Man with the Iron Fist" -com, ele se apressa em dizer, a "bênção" de Tarantino, a quem RZA chama de "meu professor". Ele recentemente colaborou com Hans Zimmer na trilha do filme de ficção científica "Babylon A.D.", estrelado por Vin Diesel, que estreará em breve. E há "The Cure", um álbum solo de RZA no qual ele está trabalhando há alguns anos e que, ele promete, encerrará um lado de sua carreira. "Eu penso que, quando ele for concluído, ele encerrará minha carreira como letrista. Ele está parado no momento. Eu não encontrei a música apropriada para expressar o que estou escrevendo." "Se isso não for parar em um álbum, então eu vou colocar em um livro ou algo assim. E então, assim que for lançado, eu acho que será o fim. Será o momento de sair e viver livremente tudo aquilo que digo para as pessoas, sem arrependimentos." (Gary Graff é uma jornalista free-lance baseada em Beverly Hills, Michigan.) Tradução: George El Khouri Andolfato
|
|
![]() |