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17/08/2008 - 12h39
Veja a repercussão da morte de Dorival Caymmi
Da Redação*
Atualizada às 17h04


O cantor e compositor baiano Dorival Caymmi morreu neste sábado, aos 94 anos, em sua casa no Rio de Janeiro, devido a uma insuficiência renal e falência múltipla dos orgões.
Veja declarações de amigos, familiares do músico e autoridades nacionais.
"Acho que ninguém cantava tão bem como dorival. Ele representava os elementos básicos da Bahia com maestria. Palavras não definem Caymmi. Caymmi disseminou o entusiasmo e a capacidade de iluminação. Esse é o papel dos artistas. Ele era um dos maiores artistas da humanidade. Ele cantou a Bahia na essência." Gilberto Gil, cantor e compositor.
"Bahia e Rio perdem. A Bahia foi musicada por Caymmi. Era Caymmi nas músicas e Jorge Amado nas letras. Não há quem não cohheça pelo menos dez músicas de Caymmi. Numa epoca de muito preconceito, Caymmi louvou Iemanjá. Caymmi tinha ancestralidade e pioneiridade, sem dúvida um orgulho para a Bahia." Jacques Wagner, governador da Bahia
"Ele optou pelo Rio muito cedo. Eu o conheci quando tinha menos de dez anos. Nossas famílias eram amigas. É uma admiração de todo o povo brasileiro. Ontem eu estava vendo TV, e quando falaram sobre Caymmi os meus filhos ficaram surpresos com as músicas que não sabiam que eram dele. Caymmi divulgou a música brasileira e ela será atual nos séculos 23, 24 25... Ficará para a eternidade. Ele era suave, rigorosamente como passa nas músicas. Era um grande compositor e um grande brasileiro. Ele fez uma ligação forte de duas culturas marcantes, que é a do Rio e da Bahia." Sérgio Cabral Filho, governador do Rio de Janeiro
"Ele foi além de músico, um grande brasileiro. Ele preferia a qualidade do que a quantidade por isso que ele demorava para fazer as músicas. Demorava, mas valia a pena. "Joao Valentão", por exemplo, demorou dois anos para ser composta. Ele gostava de fazer música. O ato de compor era uma alegria, por isso ele demorava." Sérgio Cabral, jornalista
"Gostaria que ele vivesse mais cem anos. Queria que ele me levasse para o cemitério porque não tenho a grandeza dele. Ele é o anti-popular no sentido da vaidade e da ambição. Nunca quis ter helicóptero e nem lancha. Não era hora de perder uma pessoa como ele neste país tão vazio. Eu quero a cabeça de quem rouba os cofres públicos." Dori, músico e filho de Dorival
"Uma perda. Eu espero que o mar não fique mudo. Se o mar tivesse voz, teria a de Caymmi." Othon Bastos, ator.
"'Acalanto' vai ficar para sempre no coração de pais e filhos como símbolo da sensibilidade de Caymmi. Ele deixou uma obra linda." Fagner, cantor e compositor
"É uma tristeza porque é um Brasil que está morrendo, mas ele é genial. Fica a saudade e a obra dele." Leda Nagle, jornalista
"Ele foi uma grande influência na música e a primeira música que ouvi quando era garoto. Nossas famílias eram bem amigas. Dorival era como um segundo pai para mim, assim como meu pai era um segundo pai para Dori. A calma, a tranqulidade e o ritmo lento de Dorival era uma lição de vida, porque tudo isso é muito difícil hoje em dia." Marcus Valle, músico.
"Todos nós somos imortais porque permanecemos na memória daqueles que gostam de nós. É o que vai acontecer com Caymmi. Vou lembrar eternamente de Caymmi pelo amigo, pelas músicas e pelo tempo de brasilidade. Caymmi e a Mangueira são um casamento perfeito. A Academis Brasileira de Letras que me desculpe, mas para ser imortal basta fazer música, poema, pintura e jogar bola." Nelson Sargento, cantor, compositor e mangueirense
"Lamento porque é menos um bom brasileiro. O Dorival fazia músicas fáceis de cantar, que não era preciso recorrer a dicionários de filosofia ou de grego, como as músicas de hoje. Sou muito amigo de Dori e de Nana, mas que não tinha muito contato com Dorival porque tinha medo de chegar perto desse moço sagrado. Dorival faz jus às piadas de baiano, porque era muito tranqüilo e uma figura encantadora. Muitas vezes vão embora as pessoas boas e permanecem as pragas, que podiam ser levadas". Milton Gonçalves, ator
"Vai com o Caymmi muito da história da música brasileira. Dorival era um buda baiano e uma lenda brasileira." Carlos Miéle, produtor de e diretor de shows
"Será muito difícil cantar 'Acalanto' novamente". Nana Caymmi, cantora e filha de Dorival. "Acalanto" foi feita em sua homenagem.
"É complicado para nós, para a música popular brasileira, para o Brasil e para fãs. A obra dele é enorme e fica difícil achar alguma música ruim. Ele foi um pai maravilhoso, que me ajudava muito também no âmbito profissional. Sempre que tinha alguma dúvida, corria para pedir sua opinião. Ele era um grande pai, amigo e parceiro. Lá em cima deve estar a maior festa. Agora vai ter muito acarajé, conhaque e chope por aqueles lados." Danilo Caymmi, músico e filho de Dorival
"Liguei para Dorival há três semanas. Queria fazer uma homenagem ainda em vida ao Dorival. Foi uma alegria poder conviver com essa peça fundamental da MPB. O amor que tenho pelo meu país, é o mesmo que tenho por ele. Não dá para pensar em samba, Bahia e Brasil sem ele". Daniela Mercury, cantora
"Na época ele ficou muito feliz com essa homenagem [a música "Sábado em Copacabana" foi tema de "Paraíso Tropical"]. Caymmi foi o último grande compositor da década de 30. Como todos os gênios, Dorival era muito simples. Acredito que Dorival morreu no seu auge e cercado pelo carinho da família e amigos". Gilberto Braga, autor de novelas
"Meu avô era muito amoroso, sabia apreciar a beleza da vida e era silencioso ao compor." Stella Caymmi, neta de Dorival
"O Brasil perdeu um grande mestre, mas pessoas como Caymmi não morrem, seguem encantados na vida e no imaginário do povo brasileiro. Sua obra mostrava a história de um povo e da mestiça nação brasileira em canções extremamente simples, mas altamente sofisticadas por revelarem as sutilezas e as raízes de uma nação oculta, sublime, complexa - matriz da nossa utopia. Tantos são os gênios que aqui tivemos, mas Caymmi é gênio do Brasil, irresistivelmente brasileiro, porque sua genialidade é a expressão do nosso povo". Juca Ferreira, ministro interino da Cultura
"Dorival Caymmi é um dos fundadores da música popular brasileira, patriarca de uma linhagem de músicos de talento. Suas canções praieiras e seus sambas-canção são patrimônio da cultura nacional. Brilhou e inovou como compositor, músico e cantor. Sua música é uma completa tradução da Bahia. Foi com tristeza que recebi a notícia de sua morte. Meus sinceros pêsames a sua esposa Stella Maris e a seus filhos --Nana, Dori e Danilo. Sua obra permanecerá sempre viva na memória dos brasileiros, iluminando a todos com a graça e a alegria de suas músicas." Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil
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