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18/08/2008 - 11h39The New York Times: CSNY faz protesto político à moda antiga em documentário de turnê
Gary Graff
O filme se chama "CSNY: Déjà Vu", mas a turnê que ele narra foi diferente de tudo o que os membros do Crosby, Stills, Nash & Young já tinham experimentado. Neil Young a considera "a turnê de mais arrasar com os nervos que já fiz". Graham Nash diz que foi "a primeira turnê que fiz com cães farejadores de bomba e agentes do FBI nos shows". Isso gerou grande drama, o que, para os músicos, era assunto perfeito para um filme. "Eu achei que era um bom tema para um filme, um documentário", explica Young, 62 anos, que dirigiu "CSNY: Déjà Vu" -um lançamento simultâneo nos cinemas e DVD, acompanhado de um CD, que documenta a turnê politicamente polarizadora "Freedom of Speech" (liberdade de expressão) de 2006 do quarteto - sob seu pseudônimo habitual de cinema, Bernard Shakey. "Eu realmente não tinha idéia de como seria ou quão negativa ou positiva seria", diz Young. "Mas eu a abordei de forma jornalística e tentei ser equilibrado, o máximo que pude, com o material que conseguimos registrar." Certamente não houve falta de opiniões divergentes para registrar durante a turnê de 34 datas, que foi a terceira do CSNY na década após um hiato de 26 anos. Concentrada no então novo álbum de Neil Young, "Living with War", um discurso direto contra o governo Bush e que incluía canções como "Let's Impeach the President", ela dividiu o público do quarteto segundo a ideologia política e aqueles que vieram assistir ao show que, como aconteceu com as Dixie Chicks, apenas queriam que o CSNY "calasse a boca a cantasse". Young, que contratou o jornalista de televisão Michael Cerre para "acompanhar" o CSNY durante a turnê da mesma forma que ele fez com as tropas americanas no Iraque, captura todos os lados em "CSNY: Déjà Vu". Mesmo assim, ele reconhece que ocasionalmente pendeu para o lado da oposição. "Devido a quem somos", ele diz, "nossa reação era um pouco tendenciosa para o lado liberal, porque é o que a banda representa. Nós não escondemos isso. Mas temos muitos democratas e muitos republicanos em nosso público. Nós não queremos abusar deles por causa de suas crenças políticas, de uma forma ou de outra. É preciso respeitar as pessoas que discordam de você -isto, espero, é a base deste país". "Logo, a proporção provavelmente era de quatro para um de positivo em relação ao que estávamos fazendo", prossegue Young. "Mas nós percebemos que existiam mais pessoas que diriam algo negativo se estivessem lá, mas como se tratava de nós, elas não estavam lá. Então tentei equilibrar... de forma que ficou mais próximo de meio a meio." Nash, 66 anos, dá crédito a Young por ser "muito esperto" na forma como incluiu no filme a dissidência à dissidência da banda. "Nós não queríamos que fosse um filme 'Oh, veja nossos fãs. Eles nos amam. Eles concordam com o que dizemos'", diz Nash. "Nós queríamos colocar em discussão o fato de pessoas discordarem violentamente de nós." Foi o que fizeram, incluindo pessoas do público no concerto de Atlanta que disseram querer agredir Young. Uma turnê do CSNY em 2006 já estava sendo organizada antes de Young gravar o álbum "Living with War", indicado ao Grammy, contendo o que chamou de "música de protesto metal-folk", que gravou rapidamente no início de 2006 e lançou em maio daquele ano, evocando a velocidade com que produziu "Ohio" (1970), após a repressão a tiros de 1970 na Universidade Estadual de Kent. "Eu simplesmente me cansei de carregar toda aquela porcaria comigo", diz Young, "e me cansei de apenas ficar pensando a respeito o tempo todo sem desabafar ou ser capaz de expressar tudo aquilo". Mas assim que saiu, aquilo alterou a idéia do que Young queria fazer com o CSNY naquele ano. "Eu simplesmente disse para os demais: 'Isso é tudo o que posso fazer. Não posso misturar isso com outra coisa'", lembra Young. "Não dá para diluirmos isso e salpicar no meio nossas antigas baladas românticas. Não há motivo para amenizar. Temos que tratar isto como jornalismo, ir em frente e tentarmos fazer isto." Seus colegas de banda apoiaram plenamente a idéia. "Nós vimos uma oportunidade de fazer o que fazemos melhor", diz Nash, "que é comunicar idéias para as pessoas, comunicar diferentes pontos de vista, comunicar assuntos sobre os quais as pessoas não queiram falar". Crosby apelida Young de "o ditador benevolente" do CSNY -uma idéia que Young rejeita- mas nota que os outros integrantes nunca se esquivaram do discurso político. Mesmo antes do CSN ser formado em 1968, com Young se juntando ao grupo no ano seguinte, Crosby tratava de assuntos políticos e sociais com o Byrds e Stills e Young compuseram o hino de protesto "For What It's Worth" (1967) com o Buffalo Springfield. "Uma boa parte de nosso trabalho é fazer você dançar, estar em uma festa", diz Crosby, 66 anos, "mas outra é ser o trovador, o arauto: 'São 11h30 e tudo está bem!' ou 'É meio-dia e há um chimpanzé solto na Casa Branca e as coisas não estão bem!" "Isto faz parte do nosso trabalho, tem sido há milhares de anos." Nash acrescenta que tocar as canções de "Living with War" com o CSNY deu a Young uma trombeta significativamente mais alta. "Obviamente, Neil podia ter feito (a turnê) por conta própria e criado uma certa agitação", diz Nash, "mas é uma agitação diferente com o CSNY. Eu acho que nós apenas tiramos proveito da situação. O que acontece é, se temos um punhado de canções que queremos cantar, então é uma desculpa para a turnê". A presença de Cerre dá ao filme uma credibilidade e um peso emocional próprio. Ele ajudou Young a entrar em contato com veteranos da guerra no Iraque, Afeganistão e Vietnã, assim como parentes dos soldados mortos. Sua câmera também segue Stills fora da turnê, fazendo campanha em prol de candidatos democratas nas eleições de 2006. Mas a seqüência de maior peso emocional ocorre perto do fim, quando o CSNY toca "Roger and Out" e "Find the Cost of Freedom" em meio a imagens de parentes e amigos lamentando seus entes queridos. "Meu foco nisto foi muito forte e respeitoso, especialmente para as famílias e os soldados", diz Young. "Eu não queria ofender ninguém neste nível. Eu queria ser o mais humano possível." "O fato de discordarmos da guerra não significa que não apoiamos os soldados e tudo o que fazem", ele acrescenta. "Nós apenas discordamos da política por trás da decisão de enviá-los à guerra, que consideramos desnecessária." Não é por acaso que "CSNY: Déjà Vu" está saindo no meio de uma eleição presidencial acalorada. "Eu fiquei feliz porque vai causar problemas", diz Crosby, "e eu gosto disso". Por outro lado, Young não quer que o filme seja visto como um discurso político gratuito. "Eu espero que provoque sentimentos, discussão", ele diz. "É um pedaço da história americana. Apenas o assista neste contexto e acho que ele fala por si só." Mas o grupo não sentiu necessidade de cair na estrada novamente neste ano, preferindo deixar que o filme falasse por eles. "Eu acho que nós fizemos nossa declaração", diz Young. "Nós dissemos o que tínhamos a dizer. Foi tremendamente difícil fazer a turnê. Ela provocou um enorme esgotamento emocional para todos nós." "No momento há muitas outras coisas na vida além da guerra na qual podemos nos concentrar", conclui Young. "Eu gostaria de me concentrar em ser realmente positivo a respeito do futuro e em ações que podemos fazer nós mesmos, e não apenas ficar criticando líderes políticos." (Gary Graff é uma jornalista free-lance baseada em Beverly Hills, Michigan.) Tradução: George El Khouri Andolfato
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