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08/09/2008 - 14h29The New York Times: Jennifer Hudson retorna à música
Cindy Pearlman
Jennifer Hudson ergue suas mãos acima de sua cabeça e cai para trás, caindo no carpete rosado de sua luxuosa suíte de hotel em Manhattan. No último momento possível, ela se recupera e evita atingir o chão. Todo mundo no quarto parece em pânico -exceto a própria Hudson, que parece relaxada. "Oh, querida, quando fico estressada, eu faço pontes para trás." A ganhadora do Oscar de 26 anos se orgulha de sua flexibilidade, aparentemente de forma tanto literal quanto figurativa. Ela é uma cantora boa o bastante para ter se tornado finalista do programa "American Idol" (2004) -e, no entender de muitos, merecia vencer- e uma atriz boa o bastante para receber um Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo musical "Dreamgirls -Em Busca de um Sonho" (2006), sua estréia no cinema. E para mostrar que dispõe do talento necessário para se destacar em um papel não envolvendo canto, ela exibiu uma performance divertida e calorosa em "Sex and the City -O Filme" (2008). Ela está tão confiante em seu futuro que ignorou os conselheiros que pediam que se mudasse para Hollywood em tempo integral, preferindo continuar morando em Chicago. De fato, ela credita ao seu apartamento a nova imagem mais esbelta. "Eu subo a pé até meu apartamento no 23º andar. Eu subo as escadas. Eu consigo fazê-lo seis vezes consecutivas. Eu já contei, são 300 degraus." "Eu não desço, porque os degraus são estreitos demais. Eu apenas subo as escadas e desço pelo elevador. Eu pulo alguns degraus. Eu me alimento de acordo com uma dieta. É meu novo plano de vida saudável." Quanto à sua carreira, tudo está seguindo como planejado. O novo CD de Hudson, "Jennifer Hudson", será lançado neste mês. O título é um tributo à cantora, mas também à sua inspiração musical, sua avó. "É um sonho que virou realidade. Minha avó sempre me disse que algum dia sairia meu próprio álbum, e aqui está ele. É realmente um tributo a ela." O álbum já gerou um sucesso, "Spotlight", composta por Ne-Yo e produzida por Ne-Yo e Stargate. Outros colaboradores em "Jennifer Hudson" são Thicke, Timbaland, os Underdogs e Diane Warren. Sendo cantora, ela esperava que gravar um CD seria mais fácil do que, por exemplo, fazer um filme. Mas não foi o caso. "Eu acho que gravei um milhão de canções apenas para um CD", ela brinca. "'Spotlight' tem uma cara pop. Meio clube. Você pode ficar diante do espelho, cantar junto, limpar sua casa e escutar. É totalmente diferente da Effie de 'Dreamgirls'." "Eu acho que o CD tem algo para todos. Ele tem muito soul e certamente vem do coração." Hudson ainda recebe elogios por sua interpretação de Louise, a assistente capaz da desorganizada Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) na versão cinematográfica de sucesso de "Sex and the City" (1998-2004). Hudson, que também cantou a canção "All Dressed in Love" da trilha sonora do filme, admite que entrou no projeto sabendo muito pouco sobre "Sex and the City". "Eu sabia que era uma série de sucesso, mas nunca a assisti", ela diz rindo. "Assim que recebi um telefonema me convidando para o teste, eu peguei os DVDs e assisti toda a série durante um fim de semana chuvoso em Chicago. Eu me apaixonei por ela e ainda carrego os DVDs comigo." "Foi um papel difícil, porque enquanto estávamos filmando, todo mundo tentava extrair segredos da trama de mim. Eu ouvia: 'Oh, Deus, por que Carrie precisaria de uma assistente? Carrie e Big se casaram?' Tudo o que eu podia dizer é, se você é fã da série, você vai adorar o filme. E provou ser verdade." Mas não foi fácil se integrar ao elenco estabelecido de "Sex and the City". Não apenas as protagonistas Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon, mas também o elenco coadjuvante e grande parte da equipe técnica era veterana da série. Hudson era a única adição significativa. "Todos se conheciam e eu era a novata. Mas foi bom." As estrelas eram idolatradas durante a filmagem -mas Hudson provou também ter seus próprios fãs. "Eu acho que há um bocado de fãs de 'Dreamgirls' por aí. Nós filmamos uma cena de 'Sex and the City' saindo do metrô, e tinha gente dizendo: 'Jennifer, pode nos dar seu autógrafo?' E eu pensava: 'Meu Deus, eu estou no meio de uma cena!'" Louise é uma verdadeira romântica e também uma grande fã de acessórios de grife. E quanto a Hudson? "Eu acredito em amor e bolsas", ela brinca, "assim como minha personagem". Hudson cresceu em Chicago, filha do motorista de ônibus Samuel Simpson e de Darnell Hudson. A menina passava seus dias no South Side com sua amada avó, Julia Kate Hudson. "Era ela quem tinha uma voz maravilhosa. Pena que ela não conseguiu se tornar profissional. Mas ela era uma mulher dedicada à família que estava presente para seus filhos. Seu canto era dedicado ao Senhor." "Quando eu era pequena, minha avó me colocava sentada no seu colo e cantava um trecho de uma canção e então dizia: 'Agora é a sua vez'." Com esse tipo de treinamento, não é de se estranhar que Hudson sempre tenha desejado se tornar uma cantora profissional. "Não dava para mudar minha idéia a respeito", ela diz rindo. "Não importava me dizerem que seria uma estrada difícil. Eu não dava ouvidos." Após cantar na igreja e para sua família no quintal, Hudson se tornou profissional ...mais ou menos. "Um dos meus primeiros empregos foi cantar em um navio de cruzeiro. Foi um grande negócio porque 'Titanic' (1997) tinha saído na época. Eu fiz isso por seis meses e ficou um pouco cansativo. O mesmo navio, as mesmas pessoas, as mesmas canções. Eu sabia que aquela não seria a minha carreira." Em vez disso ela arrumou um emprego no Burger King e então se arriscou em "American Idol" durante a terceira temporada da série de sucesso. Hudson não era uma favorita de Simon, mas ficou entre os 12 finalistas e terminou em sétimo lugar entre os 70 mil que se inscreveram naquele ano. "Eu não venci, mas não fiquei desencorajada. Elton John veio e disse que adorou minha voz, o que significou muito para mim." Em novembro de 2006, Clive Davis e sua Arista Records a contrataram, e sua carreira começou de verdade -ganhando força após a estréia de "Dreamgirls" no mês seguinte. Hudson não abandonou o cinema, é claro. Ela tem um papel em "The Secret Lives of Bees", com Dakota Fanning, Alicia Keys e Queen Latifah, que sairá em breve. "É um filme lindo. A mulher que interpreto tem essa agressividade nela. Queen é a mãe de todas as mães. Ela é a abelha rainha de tudo." Hudson e Fanning também estrelam o futuro "Winged Creatures", baseado no romance de Roy Freirich e co-estrelado por Guy Pearce e Forest Whitaker. Mas nem tudo tem sido rosas. "Há poucos meses eu estava me apresentando em Atlanta e essa garota disse que atiraria em mim durante meu show", Hudson disse com um suspiro. "Ela escreveu isso no MySpace. Eu acho que ela era uma fã, mas não queria mais ser. Ela botou na cabeça que eu não a agradeci nos Prêmios BET. Foi o que ela decidiu. Eu fiquei apavorada. "Eu participei de um evento na mesma época. É claro que as pessoas sabem onde você está. Elas postaram fotos daquela garota no evento, mas no final não há ninguém a quem recorrer a respeito de coisas assim. Esse é o lado mais assustador da fama." Mas nem tudo é assustador, é claro. Por exemplo, há aquele Oscar, que ocupa um lugar de honra no apartamento de Hudson em Chicago. "Meu Oscar tem um lugar próprio sobre a lareira. Ele acende e canta quando você passa pela porta. Ela canta 'Ahhhhhhhhh!'" Ela ri. "Não, sério, ele está sobre um suporte e esta luz o ilumina. As pessoas querem tocá-lo e vê-lo. Quem sou eu para negar?" (Cindy Pearlman é uma jornalista free-lance baseada em Chicago.) Tradução: George El Khouri Andolfato
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