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11/09/2008 - 18h57"A tropicália é uma das nossas inspirações", diz o baterista do Peter Bjorn and John
PEDRO CARVALHO
Compartilhando o projeto Invasão Sueca deste ano com os conterrâneos dos Shout Out Louds e Club 8 os suecos do Peter Bjorn and John virá ao Brasil em setembro para três shows: um em Recife, no dia 20, no teatro da UFPE e dois em São Paulo, nos dias 23 e 24, no Studio SP. Em quase 10 anos de atividade, a banda formada por Peter Morén (guitarra, vocais e gaita), Björn Yttling (baixo, órgão e vocais) e John Eriksson (bateria, percussão e vocais), conseguiu ir bem longe para quem começou sem grandes pretensões no cenário independente de um país de língua não-inglesa. Após algum destaque no cenário indie com os dois primeiros álbuns, "Peter Bjorn and John" (2002) e "Falling Out" (2005), o single da música "Young Folks", do disco "Writer's Block" (2006) chegou ao top 20 britânico impulsionado pelos inesquecíveis assobios que marcam a melodia e o divertido clipe feito em animação. A exposição fez com que suas músicas fossem utilizadas em comerciais de marcas como Levi's e Pontiac, seriados de TV como "Gossip Girls" e jogos de videogame. Mas acima de tudo, a banda se destaca por seu talento na confecção de melodias grudentas com arranjos sutis e pela interessante mistura de indie rock que alterna climas folk com momentos agitados e sonoridades experimentais. Falamos com o baterista John Eriksson que, simpático e fugindo ao estereótipo frio dos escandinavos, contou sobre as origens e aspirações da banda, a vida na Suécia e o sucesso de "Young Folks". Em meio a tudo isso, revelou que a tropicália está entre as grandes influências do grupo, que lança seu novo álbum, o totalmente instrumental "Seaside Rock" no final de setembro. UOL - Vocês são originalmente do norte da Suécia, certo? Vocês começaram a tocar música por causa do tédio e dos longos invernos? John Ericksson - Sim, é uma das principais razões. Era música ou hóquei no gelo e como éramos péssimos esportistas, escolhemos a música. UOL - Como vocês formaram a banda? Quais foram suas fontes de inspiração? Ericksson - Nos conhecemos em 1999, em Estocolmo. No início fomos muito inspirados por um disco de uma banda chamada The Lillies. Nós três tínhamos esse disco e gostávamos muito. Então começamos a ensaiar e após alguns anos encontramos nosso próprio som. Demora um pouco, mas é importante encontrar seu som. UOL - Muitas bandas famosas de rock Suécia têm membros que começaram tocando estilos mais pesados. Membros dos Cardigans e dos Hellacopters, por exemplo tocavam death metal e os Hives vêm da cena punk. Com vocês também é assim? Ericksson - Comigo sim, quando eu era mais novo eu curtia hard rock e heavy metal. Nada como death metal, mas coisas como Van Halen e Motley Crue. É bem diferente do que nós fazemos, mas quando eu era moleque, ou você curtia hard rock, ou você curtia pop de sintetizadores tipo Depeche Mode. Você não podia curtir as duas coisas, então eu escolhi o hard rock. O Bjorn curtia essas coisas e o Peter ouvia coisas como os Beatles. UOL - As pessoas ainda assobiam para vocês por causa de "Young Folks"? Ericksson - Sim, especialmente quando estamos andando na rua. Talvez porque somos bonitos, sei lá... UOL - Vocês se sentem assombrados por essa música? Ericksson - Não, sempre que ouço alguém assobiando ela eu fico feliz. Significa que fizemos uma música muito grudenta e você não tem a oportunidade de fazer algo assim muitas vezes na vida. Fico contente de saber que as pessoas ouvem essa canção. UOL - Com que outras bandas suecas vocês se identificam, musicalmente falando? Ericksson - Muitas, mas dentro do tipo de música que nós fazemos, somos amigos dos Shout Out Louds, The Concretes... São bandas com as quais gostamos de conversar quando nos encontramos. UOL - A Suécia tem metade da população da grande São Paulo, mas mesmo assim existe aí uma quantidade impressionante de bandas de rock, talvez mais do que em qualquer outro país de população equivalente. Por quê você acha que isso acontece, apoio estatal? Ericksson - Claro, aqui qualquer garoto que queira tocar um instrumento pode fazer isso. Não custa tanto dinheiro, você não tem que ser rico. Além disso se há outras bandas tocando direto, você também vai querer tocar. É como no Brasil, onde há jogadores excelentes porque há uma grande tradição de futebol. Aqui na Suécia nós temos uma grande tradição de música pop. Não há muita tradição de música sueca tradicional, como vocês têm no Brasil. As pessoas não escutam música folclórica sueca por aqui, então nós já começamos desde crianças a ouvir música pop e rock. Nos últimos anos, com o novo governo, o apoio do estado começou a diminuir. Eles reduziram o apoio à cultura. Mas mesmo assim, se você quiser tocar, você pode. UOL - Seu novo disco só será lançado em vinil e pela internet. Você considera isso a tendência para o futuro da música? Não vale mais a pena fazer CDs? Ericksson - Não sei, acho que daqui a cinco anos qualquer um vai poder ter no computador toda a música que já foi gravada no mundo e aí talvez fique ainda mais divertido ter os seus discos favoritos em vinil. É divertido lançar algo "real" como um disco. Mas é claro, eu creio que o CD vai desaparecer em alguns anos. UOL - A Suécia também é a capital do ativismo pela pirataria na internet. Como você se sente em relação aos downloads ilegais? Ajuda ou atrapalha as bandas? Ericksson - As duas coisas, um pouco. Mas claro que ajuda também. As gravadoras foram lentas demais e não perceberam que isso iria acontecer. Não tem jeito, é a nova maneira de ouvir música. Acho que em 10 anos você vai poder baixar um telefone celular no seu computador ou algo assim (risos). UOL - Qual é a importância da venda de discos para uma banda atual? No passado, muitas bandas se sustentavam em grande parte com a venda de discos, mas hoje isso já não é tão fácil. Ericksson - Hoje o que conta mais são os shows, ter músicas utilizadas em programas de TV, comerciais e coisas do tipo. Se pudéssemos, nós diríamos não a essas coisas, mas é tão difícil viver apenas de música hoje em dia. Nós não topamos qualquer coisa também, escolhemos bem. E dizemos sim nesses casos para que possamos viver apenas tocando, se não topássemos, teríamos que arranjar outros empregos e não poderíamos ter a banda em tempo integral. UOL - Mas você também não fica particularmente entusiasmado em fazer esse tipo de coisa. Ericksson - Não. Outros membros da banda talvez gostem mais disso, mas desde que não seja propaganda de armas, carne, bancos ou empresas como o McDonald's ou a Coca-Cola, eu me sinto um pouco melhor. UOL - Quais são suas expectativas para os shows brasileiros? Ericksson - Não sabemos exatamente como vai ser. Sabemos que vamos tocar alguns shows com o Shout Out Louds e sabemos que vamos tocar em Recife, perto da praia, então estamos muito ansiosos. Antes de ir, vamos ensaiar e depois faremos shows de aquecimento na Suécia e em Londres. Faremos tudo o que pudermos para apresentar um bom show de rock. UOL - Como será o set? Ericksson - Vai ser meio punk rock, vamos tentar fazer o melhor barulho possível, porque serão os últimos shows divulgando o último disco. Na verdade, nós já terminamos a turnê desse disco, mas colocamos estas datas extra no Brasil em nossa agenda antes de encerrar essa temporada. A próxima turnê já será baseada no próximo álbum, que sairá em breve. Talvez toquemos no Brasil uma ou duas músicas do disco novo, mas a maioria do material será do "Writer's Block" e talvez algumas mais antigas. UOL - Vocês gostam de música brasileira? Ericksson -Sim, a tropicália é uma das nossas principais inspirações, coisas como Gal Costa e os Mutantes. Para fazer o disco instrumental nós ouvimos muita música brasileira dessa época. UOL - Algum recado para os fãs brasileiros? Ericksson - Sim, pratiquem o assobio antes do show! PETER BJORN AND JOHN EM RECIFE Quando: 20/09 Onde: Teatro da UFPE - Av. dos Reitores - Campus da UFPE Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) EM SÃO PAULO Quando: 23 e 24/09 Onde: Studio SP - Rua Augusta, 591, Consolação Quanto: R$ 50
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