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09/11/2008 - 06h04Kaiser Chiefs goleia Bloc Party em final de festival em São Paulo
MARIANA TRAMONTINA
Se o encerramento do festival Planeta Terra, neste sábado (8) em São Paulo, fosse uma partida de futebol, o Kaiser Chiefs teria feito goleada em cima do Bloc Party. As duas bandas fecharam a noite no palco principal do evento com diferenças significativas de resposta da torcida. Cerca de 15 mil pessoas passaram pelo festival, de acordo com a organização. Depois de passear pelas décadas de 80 e 90 com Jesus & Mary Chain e Offspring, os anos 2000 finalmente chegaram ao palco com o Bloc Party. Os ingleses voltam ao solo nacional pouco depois de um vergonhoso playback feito no VMB da MTV, em outubro. "Mercury", o primeiro single do disco novo, veio com seus elementos experimentais e construída em melodias quebradas. Divulgando o disco "Intimacy" (2008) que acabou de sair, a banda mostrou músicas novas difíceis de acompanhar com os quadris, infladas por sintetizadores e experimentações eletrônicas. Trouxeram "Signs" no repertório, com uma batida que o Depeche Mode já poderia ter feito antes. Mas o público não compareceu, em número e em animação. Nem mesmo os hits "This Modern Love", "Banquet", "Helicopter", "Hunting For Witches" e "Like Eating Glass" conseguiram levantar os poucos presentes, já cansados de tantos decibéis na cabeça noite adentro e de tão pouco incentivo para se mexer. Os tão divulgados 800 mil watts de potência do evento parecem ter diminuído também: durante o show, era possível conversar tranqüilamente sem elevar a voz. Som baixo, animação zero do público. E os músicos nem faziam muito esforço para mudar o jogo. Ao final do show, o vocalista Kele Okereke cantava em "Helicopter": "você está esperando por um milagre?". A impressão era de que só isso resolveria. Kaiser Chiefs Às 1h30, o Kaiser Chiefs pegou um público desanimado e o transformou numa verdadeira torcida de estádio. Não à toa, o nome da banda é uma referência a um time de futebol sul-africano. O vocalista Ricky Wilson entrou no palco cheio de fôlego e destilou de uma só vez "Everything is Average Nowadays" e "Everyday I Love Less and Less". A partir daí, não foi preciso muito trabalho para ganhar o público. E ainda assim, o inquietante Wilson fez questão de ser simpático. Correndo de um lado para o outro, caindo nos braços da galera e arriscando baquetadas na bateria, Wilson pegou uma folha de papel que usou de cola para anotar palavras em português. Disse "obrigado, São Paulo", "e aí, cara?", "ele é um herói" e repetiu inúmeras "somos o Kaiser Chiefs", como se fosse um de seus hits grudentos. Se o britpop implodiu na concorrência interna para eleger a banda mais derivativa dessa temporada, esses ingleses de Leeds ao menos têm o público nas mãos. Na sonoridade, eles não arriscam muito, é verdade, e quase não se desviam da fórmula de sucesso usada desde a estréia, em "Employment" (2005). Soa genérico, mas é indiscutível a capacidade do Kaiser Chiefs de animar uma boa festa. Entre um pulo e outro, a galera vibrou em "I Predict a Riot", "Ruby", "Na Na Na Na Naa" e "The Angry Mob", música que soa qualquer coisa de Blur. E dá-lhe "uoooos", "aaaaas" e "yeeeees". Depois de uma hora e dez minutos de show, o Kaiser Chiefs deixou o palco e o público com a sensação de ter visto uma grande partida. E o resultado esperado.
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