PÁGINAS ESPECIAISSITES
![]() |
09/11/2008 - 06h09Breeders cativam público com clássicos dos anos 90
PEDRO CARVALHO
Tendo que arcar com a ingrata responsabilidade de disputar atenção do público com o Jesus & Mary Chain, os ingleses do Foals fizeram bonito, enchendo o galpão do palco indie. Com a lotação esgotada, havia gente mais do que suficiente para os dois shows. Logo de cara a platéia recebeu calorosamente a mistura de batidas dançantes com energia punk, guitarras dissonantes e barulheira experimental. Enquanto a banda corria pelo palco, suava e agredia seus instrumentos impiedosamente, o público pulava e batia palmas, no show mais animado do festival até então, especialmente nas canções mais conhecidas, como "Cassius". Os destaques ficaram por conta do vocalista e guitarrista Yannus Philippakis, que com sua performance incansável, lembrava o coelho dos comerciais de pilha, e do baterista Jack Bevan, que depois de surrar a bateria durante os 50 minutos do show, encerrou a apresentação correndo para a frente do palco para agradecer o público. Já a atração seguinte, os norte-americanos do Spoon, não causaram a mesma reação. Diante de um público muito numeroso, mas pouco animado, fizeram uma apresentação pouco impactante, especialmente após o rolo compressor que os precedeu. Apesar de competentes com seu rock alternativo melodioso, só conseguiram reação significativa nas faixas mais conhecidas do último disco "Ga Ga Ga Ga Ga" (2007), como "Don't Make a Target", "Rhythm & Soul" e especialmente no hit "The Underdog". Até que chegou a hora do principal show da noite no palco Indie do festival. Pouco depois da meia-noite, o Breeders entrou no palco, sob aplausos intensos. A primeira coisa a se notar, antes mesmo da primeira música, é a formação atual, diferente da clássica, que nos anos 90 gravou álbuns como "Last Splash". Encabeçada como sempre pelas irmãs Kim (também baixista do Pixies) e Kelley Deal, a formação que gravou o último disco, "Mountain Battles" (2008) conta atualmente com o impressionante baterista Jose Medeles e o baixista Mando Lopez que, canhoto, toca com o instrumento de ponta-cabeça. Além deles, a turnê é acrescida de uma terceira guitarrista, Cheryl Lindsey, que acrescenta peso ao já barulhento grupo, que tocou do início ao fim com uma postura energética e despretenciosa, mais próxima do punk rock do que do estereótipo indie introspectivo. Se nas primeira músicas o público já demonstrou carinho pela banda dançando e pulando, foi a partir da quinta música, "Divine Hammer", do álbum mais conhecido, "Last Splash" (1993) que o clima começou a esquentar. A partir daí, a banda prosseguiu com um repertório calcado em toda sua carreira. Em algumas músicas, a banda se alternava em formações variadas que iam de trio a quinteto. Em "It's The Love", por exemplo, enquanto Kelley cantava, Kim e Cherryl na frente do palco, de costas para o público, que teve a oportunidade de ver o traseiro exposto da nova guitarrista. Daí em diante, a simpatia e o clima espontâneo da apresentação contaminaram a platéia, formada em grande parte de trintões saudosos dos anos 90. Nas músicas de "Last Splash", "Cannonball" especialmente, o galpão lotado quase veio abaixo, tamanha a energia trocada entre Breeders e fãs. Após uma hora de show, a banda tentou encerrar o show com o sucesso "Saints", também de "Last Splash", mas foi impedida de ir embora pela voz do povo. Diante dos pedidos insistentes de bis, não houve outra opção senão voltar e tocar a balada "Regalame Esta Noche", do novo álbum, cantada em espanhol por Kelley Deal. Graças à simpatia das irmãs Deal, a apresentação foi fechada à 1h10 com chave de ouro e em clima de bom humor a programação do palco Indie do festival Planeta Terra de 2008.
|
|
![]() |