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12/11/2008 - 00h12

Novo álbum do Guns N' Roses decepciona com produção excessiva

PEDRO CARVALHO
Colaboração para o UOL


George Chinn / Divulgação

O vocalista Axl Rose, líder do Guns N' Roses

O vocalista Axl Rose, líder do Guns N' Roses


Após mais de uma década de espera, será lançado no dia 25 de novembro "Chinese Democracy", o novo álbum da banda norte-americana de hard rock Guns N' Roses.

Possivelmente o disco mais aguardado da história do rock, é o primeiro lançamento de músicas inéditas do grupo desde os dois volumes de "Use Your Illusion" em 1991. Além disso, 15 anos se passaram desde o disco de covers "The Spaghetti Incident", último trabalho da banda com outros integrantes originais além do vocalista Axl Rose

Em se tratando de uma das maiores bandas de rock pesado de todos os tempos e com tanto tempo de espera, é natural que o lançamento de "Chinese Democracy" cause comoção. Mas é difícil que um disco cujo processo de produção demorou quase uma década e meia traga de volta a autenticidade e a urgência dos primeiros álbuns.

A primeira e principal impressão na audição do disco realizada nesta terça-feira (11), em São Paulo, é a sonoridade pretensamente moderna construída pela produção conjunta do vocalista Axl Rose --único remanescente da formação original-- com o norte-americano Caram Costanzo, que já trabalhou com bandas como Pearl Jam, Rage Against The Machine e Stone Temple Pilots.

A maior marca também é a maior fraqueza do trabalho. A tentativa de compensar composições pouco imaginativas com a produção mirabolante e exagerada remete a um pintor que disfarça uma tela medíocre usando tintas de cores exóticas e brilhantes.

Com timbres altamente processados, baterias programadas eletronicamente e sintetizadores espalhados por praticamente todas as faixas, a sonoridade é um giro de 180 graus em relação aos valores de outrora. Em algumas faixas, Axl chega a cometer excessos inexplicáveis como inserir orquestrações feitas em sintetizador por cima de instrumentos orquestrais reais.

As canções mais pesadas, como "Shackler's Revenge" e "Scraped", soam como tentativas de imitar gêneros recentes, mas já datados, como o nu-metal e o metal industrial, com suas misturas de riffs de guitarra graves repetitivos, seqüências eletrônicas e abuso de efeitos sonoros digitais.

Já em "Better" e "I.R.S.", Axl e Costanzo julgaram ser boa idéia pincelar com batidas eletrônicas dançantes faixas que de outra maneira poderiam ser baladas razoavelmente funcionais, transformando-as em híbridos grotescos de tudo o que fez sucesso no pop e rock mainstream desta década.

Mesmo em momentos que remetem mais ao bom e velho rock and roll, como a faixa título, a composição deixa a desejar. Novamente, os riffs genéricos e sem imaginação parecem ter sido elaborados minutos antes da gravação.

Já os solos são na maioria emaranhados de ruídos tocados com rapidez super-humana. Mais do que um problema em si, são um sintoma benigno da falta que fazem a Axl parceiros como Izzy Stradlin e Slash, guitarristas e compositores dotados tanto da saudável reverência à tradição roqueira setentista que fez a fama da banda, como do talento para criar linhas melódicas simples e assobiáveis como a introdução de "Sweet Child O' Mine".

Se na tentativa de inovar, "Chinese Democracy" acaba soando datado e excessivo, alguma musicalidade remanescente se expressa em baladas como "Catcher in The Rye", "Sorry" e "This I Love". Apesar de pecar por vezes pela pieguice e excesso de drama, soam, com seus pianos e orquestrações, como oásis no deserto criativo do disco. Demonstram também que uma saída digna para o Axl Rose do novo milênio seria uma carreira solo como cantor de baladas à moda de Elton John, vocação já evidente em clássicos da encarnação passada do Guns N' Roses, como "November Rain".

Mesmo indicando um caminho possível para a recuperação da dignidade, as baladas não chegam a salvar o novo álbum de se tornar, por motivos artísticos, um dos grandes equívocos da carreira de um artista que já deu inúmeros tiros no próprio pé em episódios de abuso de drogas, violência e falta de profissionalismo.

É claro que a ansiedade causada pela gigantesca espera dá mais rigor ao julgamento. Mas ao fim da audição, a impressão que fica é que, independente da expectativa, trata-se apenas de um equívoco.


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