PÁGINAS ESPECIAISSITES
![]() |
24/11/2008 - 11h15"The New York Times": Dave Mason canta para si mesmo
Gary Graff
Dave Mason ri quando perguntado sobre por que levou 11 anos para lançar um novo álbum. "Bem, sabe como é, a indústria não está realmente interessada em um sujeito de 62 anos tentando fazer música", diz o cantor/compositor/guitarrista britânico, que faz parte do Rock and Roll Hall of Fame como membro da banda Traffic. Mas ao lançar o álbum "26 Letters -12 Notes", Mason diz que a preferência da indústria musical pelos jovens não é suficiente para tirá-lo de circulação. "Eu realmente sinto que estou no meu auge a esta altura." "E eu sou de touro e sou realmente teimoso, e não aceito não como resposta. Às vezes basta isso na vida, em qualquer coisa: Você precisa se levantar e continuar tentando rebater e, nunca se sabe, é possível mandar a bola para fora do estádio." Mason já fez isso várias vezes durante seus 40 anos de carreira. Nascido em Worcester, Inglaterra, ele foi membro fundador do Traffic, se juntando a Jim Capaldi, Steve Winwood e Chris Wood em um chalé rústico em Berkshire, em 1967, para gravar o primeiro álbum do novo grupo, "Mr. Fantasy". Mason deixou o grupo após a turnê de divulgação desse álbum, mas voltou para a gravação do seguinte, "Traffic" (1968), que incluiu a sua composição "Feelin' Alright", que se tornou o primeiro sucesso do Traffic. A canção regravada com freqüência, mais conhecida pela versão de Joe Cocker de 1969, foi inspirada pelas circunstâncias da vida de Mason na época. "Eu estava no meio de muitas coisas e não sabia o que fazer. Eu parti e fui para a Grécia por uma semana com uma pequena sacola e um violão, e foi onde compus 'Feelin' Alright'. Eu estava tentando pensar em algo que pudesse inventar, que fosse a coisa mais simples que pudesse fazer com mais de um acorde, então criei uma canção que tinha dois acordes!" "E como a maioria das canções, é uma canção de amor. Há uma mulher envolvida." Seu compromisso com o Traffic permaneceu complexo. Ele se separou do grupo novamente em 1969, apenas para voltar brevemente para alguns shows em 1971, registrados no álbum ao vivo "Welcome to the Canteen" (1971). Mas ele não conseguiu chegar a um acordo para tocar com o Traffic em seu ingresso no Hall of Fame em 2004. Mesmo assim, diz Mason, sua passagem pelo Traffic "foi ótima, fantástica. Nós éramos apenas garotos". Sua passagem errática pelo grupo, ele diz, apenas refletiu seu conceito do que o Traffic deveria ser. "Eu sempre vi o Traffic como algo parecido ao Crosby, Stills & Nash -um grande grupo de indivíduos. Eu sempre acredito que as diferenças se combinam para formar uma beleza ou algo onde o todo é maior do que as partes e, se você conseguir superar as baboseiras e fazer funcionar, você consegue algo realmente bom." "Assim, eu sempre vi (o Traffic) como, 'Eis aqui uma unidade para a qual você sempre poderia voltar e realmente sem ninguém de quem dependa para mantê-la. Sempre haveria espaço para um álbum solo, se é aquilo que desejasse fazer, e então voltar. Eu sempre vi dessa forma, mas os outros não, eu acho." "No final eles meio que imaginaram que minha filosofia e minha música não se encaixavam mais, então não tive escolha a não ser seguir em frente." Mason logo estabeleceu uma carreira bem-sucedida como músico de estúdio. Ele tocou na versão de 1968 de Jimi Hendrix para "All Along the Watchtower" de Bob Dylan, e nos álbuns "Beggar's Banquet" (1968) dos Rolling Stones e "All Things Must Pass" (1970) de George Harrison. Mason também excursionou com Delaney and Bonnie & Friends, antes de se mudar para os Estados Unidos para uma carreira lançada com o disco de ouro "Alone Together" (1970), seguido por uma colaboração em 1971 como "Mama" Cass Elliot. Mas seu maior sucesso foi "Let It Flow" (1977), que incluiu os sucessos "We Just Disagree", "So High (Rock Me Baby and Roll Me Away)" e a Top 20 "Let It Go, Let It Flow". A carreira de Mason posteriormente saiu de curso, apesar de alguns momentos notáveis. Ele fez um dueto com Michael Jackson no single "Save Me" (1980) e nos anos 90 fez brevemente parte do Fleetwood Mac, substituindo o cantor/guitarrista Lindsey Buckingham no álbum "Time" (1995), que também carecia de Stevie Nicks. "Aquilo apresentou grandes possibilidades no início", lembra Mason, "mas foi algo enrolado e que implodiu sob sua própria inércia. Nós não gravamos um álbum ruim, mas basicamente não contou com apoio (da gravadora). Eu acho que eles meio que arrastaram o pé, desejando e torcendo, é claro, para que Lindsey e Stevie e o restante do grupo voltassem a se unir". "E Christine McVie gravou o álbum conosco mas não queria fazer a turnê, então basicamente quando caímos na estrada, era como se fosse uma banda cover do Fleetwood Mac." Igualmente "enrolada", diz Mason, foi a tentativa de participar de uma das Ringo Starr's All-Star Bands no início dos anos 90, que terminou em "um pequeno impasse em torno de certas coisas", incluindo uma disputa por causa de um show solo que Mason já tinha agendado para fazer durante os ensaios para a turnê. Dadas as suas dificuldades para permanecer em uma banda, é um tanto surpreendente Mason ter levado tanto tempo para produzir "26 Letters -12 Notes", no qual ele diz ter trabalhado por aproximadamente seis anos. "Eu comecei a produzi-lo sem qualquer idéia sobre se seria lançado ou não. Eu não estava casado, as crianças já saíram de casa, eu estava morando em um lugar (em Santa Barbara, Califórnia) bastante isolado e eu podia basicamente fazer o que bem quisesse." "Eu simplesmente comecei a fazer algumas coisas e ver o que acontecia." O que aconteceu foi que Mason acabou compondo ou dividindo a composição de seis das doze canções do álbum, obtendo a ajuda de amigos, incluindo Willie Nelson e Sheila E., tanto nos processos de composição quanto de gravação. O álbum também conta com duas contribuições póstumas do colega de Mason no Traffic, Jim Capaldi, em "Standing in My Light" de Capaldi e na parceria "How Do I Get to Heaven", que Mason iniciou com Capaldi antes dele morrer, em janeiro de 2005, e que concluiu com Nancy Earle. "Eu nunca fui extremamente prolífico", diz Mason, que trabalhou no álbum na Califórnia, Flórida e Michigan. "A esta altura eu realmente não me preocupo se são minhas canções ou de outras pessoas." "Quando eu era mais jovem, compor fazia parte de descobrir quem você é e o que está fazendo. Logo, quando eu era mais jovem, eu sempre queria que as canções fossem minhas. Mas isso não é mais relevante para mim. Eu apenas quero ter uma boa canção para cantar." Mason ainda excursiona com freqüência, mas ele espera que não leve outros 11 anos para lançar outro álbum. Há "fragmentos" de outras canções, ele acrescenta, incluindo duas canções que não entraram em "26 Letters -12 Notes" porque, ele disse, "não eram boas o bastante -ainda". Ele quer ver como o novo álbum é recebido antes de se comprometer com qualquer plano, mas ele diz estar confiante de que, se aqueles que sempre foram seus fãs tomarem conhecimento de que o álbum foi lançado, ele conseguirá ao menos um sucesso modesto. "Tempo, experiência e idade são meus aliados, eu acho. Se eu não soubesse quem sou a esta altura, eu nunca saberia, e sinto que sei o que posso fazer e, igualmente importante, eu sei o que não posso fazer." "Quero dizer, eu não posso cantar como Marvin Gaye. Eu não posso tocar como Jimi Hendrix. Mas posso fazer funcionar. Isso deve ser bom o bastante, eu creio." (Gary Graff é uma jornalista free-lance baseada em Beverly Hills, Michigan.) Tradução: George El Khouri Andolfato
|
|
![]() |