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06/12/2008 - 10h27

"The New York Times": Scott Weiland está "feliz"

Gary Graff
The New York Times Sindycate



Scott Weiland já esteve no topo da montanha do rock and roll duas vezes, fazendo sucesso não apenas com uma, mas duas bandas multiplatinadas: o Stone Temple Pilots e o Velvet Revolver.

Mas agora o cantor de 41 anos, conhecido por sua habilidade vocal natural, sua presença de palco enérgica e suas famosas batalhas contra o vício em heroína, diz que preferiria trabalhar abaixo desse patamar.

"Eu estou em um ponto em que realmente não me sinto feliz fazendo parte de uma grande banda de rock", diz Weiland, que recentemente lançou seu segundo disco solo, "Happy in Galoshes". "Voar em jatos particulares e toda aquela agitação não me empolga. Se eu nunca mais tocar em outro estádio ou (...) no Madison Square Garden de novo, eu ficarei feliz."

"Eu sinto que deixei uma marca bem substancial na música, da qual me orgulho", ele explica. "Agora é hora de fazer as coisas de modo diferente. Eu apenas quero fazer música e estar no controle. (...) É hora de fazer as coisas de modo diferente, fazer as coisas do modo como eu gostaria de fazê-las."

Nascido Scott Kline em Santa Cruz, Califórnia -ele mudou seu sobrenome após ser adotado por seu padrasto, David Weiland, e se mudar para Ohio quando tinha 5 anos- Weiland começou com a banda Mighty Joe Young, que ele formou após conhecer o baixista Robert DeLeo em um concerto do Black Flag no sul da Califórnia. Aquela banda se transformou no Stone Temple Pilots e foi um sucesso desde o início, quando seu primeiro álbum, "Core" (1992), vendeu mais de 8 milhões de cópias.

Apesar das interrupções constantes causadas pelos problemas de Weiland com drogas, incluindo passagens por clínicas de reabilitação e as prisões por posse de drogas em 1995, 1998 e 2007, o Stone Temple Pilots continuou produzindo hits de forma confiável. Weiland lançou seu primeiro álbum solo, "12 Bar Blues" (1998), no que chama de "um cobertor de narcóticos" e então, durante um hiato prolongado do Stone Temple Pilots, ele se juntou aos ex-integrantes do Guns N' Roses para formar o Velvet Revolver, em 2003.

Foi uma briga com o Velvet Revolver -especificamente com o baterista Matt Sorum- no início de 2008, após dois álbuns, que deu determinação a Weiland de buscar uma nova carreira solo.

"Eu já tinha falado com o (guitarrista) Slash e disse que haveria uma turnê do Stone Temple Pilots", lembra Weiland. "Então Matt Sorum foi ao site certa noite e começou a falar (mal) de mim, e eu respondi."

"Eu basicamente disse no palco que 'esta é a última turnê do Velvet Revolver'. Algumas pessoas acharam que eu estava brincando, mas estava falando sério."

De sua parte, Slash diz em uma entrevista separada que ele e os demais membros do Velvet Revolver estão felizes por Weiland ter participado da banda.

"Não dá realmente para ficar bravo com o Scott", diz o guitarrista, "porque sabíamos no que estávamos nos metendo quando começamos isso. Ele se saiu muito bem, mas ele meio que mudou de opinião. E foi irritante e frustrante e todas essas coisas negativas, mas ao mesmo tempo não dá para ficar sentado e surpreso, sabe como é?"

Weiland passou grande parte de 2008 de volta ao Stone Temple Pilots em uma turnê bem-sucedida. Também havia promessas de um novo álbum, mas logo também começaram a surgir problemas dentro da banda.

Para começar, os seis meses na estrada foram "dois meses além do ponto", diz Weiland. "Os ingressos se esgotaram em quase toda parte nos primeiros quatro meses. Nos últimos dois meses o público foi um pouco menor (...) e, além disso, há um limite para o número de vezes que uma pessoa virá para ver você sem um disco novo."

"E eu acabei sentindo falta dos meus filhos", ele acrescenta, se referindo a Noah, 8 anos, e Lucy, 6 anos, ambos com sua segunda esposa, Mary Forsberg, de quem está atualmente se divorciando. "Quando fico fora tempo demais e fico infeliz por sentir falta dos meus filhos, eu fico um pouco deprimido."

Weiland diz que o novo disco do Stone Temple Pilots também está em dúvida, em grande parte devido a questões comerciais e o fato da banda ainda estar presa ao contrato com sua gravadora original, a Atlantic Records.

"Quando conversamos sobre reunir o Stone Temple Pilots, foi algo como 'fazer esta turnê e ver se fecharíamos algum acordo criativo com outra empresa'. Então, se no final formos obrigados a fazer uma certa quantidade de discos para a Atlantic para podermos nos libertar, então não sei se eu seria capaz."

Enquanto isso, há o enormemente eclético "Happy in Galoshes", um álbum duplo de canções que cobrem quase toda a década desde o primeiro álbum solo de Weiland. Trabalhando com Doug Grean, um parceiro de composição e produção com o qual montou um estúdio de gravação e um selo, o Softdrive Records, Weiland reuniu um grupo de canções que chegam a datar de há quase uma década, logo após o lançamento de "12 Bar Blues".

"Doug e eu simplesmente continuamos compondo, compondo e compondo. Finalmente, um dia Doug me telefonou e disse: 'Você precisa vir aqui e escutar. Nós estamos bem mais próximos do que você acha que estamos'."

"Nós acabamos com algo próximo de 40 canções. E eu queria lançar um álbum duplo, porque sabia que tinha muito material, então reduzimos o número para 19."

O material vai do glam rock de "Missing Cleveland" à força industrial de "Hyper-Fuzz-Funny-Car", passando por sambas com toque de jazz, dance music -incluindo um cover de "Fame" de David Bowie, com Paul Oakenfold- electropop e música ambiente, etérea.

"Não havia uma missão", diz Weiland, que também colaborou com membros do No Doubt e com o ícone do rock independente Steve Albini. "A idéia toda era despejar toda as influências que tive. Foi apenas 'onde quer que a inspiração me leve e nos leve', nós iremos."

Grean, 42 anos, que conheceu Weiland quando o cantor foi colega de quarto do irmão dele na clínica de reabilitação, sente que "Happy in Galoshes" é mais fiel à inclinação artística do cantor do que qualquer coisa que tenha feito antes.

"Scott se interessa por muita coisa", diz Grean, que também trabalhou com Sheryl Crow, Crystal Method, Cyndi Lauper e outros, em uma entrevista separada. "Ele tem um verdadeiro interesse e amor por esse tipo de coisa interessante, eclética e artística, estranha e barulhenta, que eu nunca imaginaria ao ouvi-lo no Stone Temple Pilots. Eu não acho que suas bandas o deixem explorar muito esse lado superartístico, que é o motivo para ele realmente querer explorar isso por conta própria."

"Happy in Galoshes" também encontra Weiland mergulhando em território pessoal -de fato, ele se refere ao trabalho como "um álbum conceitual pessoal". Uma canção, "The Man I Didn't Know" (o homem que eu não conhecia), é a respeito do seu pai biológico, enquanto duas das faixas mais recentes foram inspiradas pelas dificuldades de seu irmão Michael, que morreu de overdose de drogas em 2007.

Mas grande parte do álbum, diz Weiland, está ainda mais próximo de casa.

"Ele realmente conta a história do meu relacionamento com minha esposa, do início até, você sabe, meio que o fim. Grande parte do trabalho no álbum foi feito em momentos em que eu estava realmente para baixo, como períodos no meu relacionamento em que as coisas não iam muito bem, quando ocorreram separações e foram impetradas ações de divórcio."

"O estúdio é meu segundo lar. Toda vez que há momentos difíceis, eu meio que vou para o forte e componho, e as canções surgem de forma realmente fácil. Alguns momentos de dor resultaram nos períodos mais produtivos que já experimentei."

"Eu provavelmente não teria composto essas canções, ou teria a capacidade de compô-las, se não tivesse passado pelas experiências que passei."

Weiland, que lançará uma turnê para promover "Happy in Galoshes" em 2009, sabe que a combinação de sons diferentes e assuntos sombrios pode afastar os fãs que o conhecem principalmente por meio de suas bandas. Mas ele declara indiferença.

"O sucesso comercial (...) realmente não interessa para mim", diz o cantor/compositor, "porque acho que meus verdadeiros fãs o apreciarão pelo que ele é".

E, ele promete, esses "fãs verdadeiros" receberão muito mais música dele no futuro, provavelmente de autoria individual, e não como parte do Stone Temple Pilots ou qualquer outra oportunidade de banda que possa surgir.

"A verdadeira prioridade agora é produzir minha própria música. Há muita coisa que quero fazer e que, com meu próprio estúdio e selo, posso fazer rapidamente e quando e como quiser."

"Eu espero por isso há muito tempo e não vou deixar mais ninguém entrar no caminho."

(Gary Graff é uma jornalista free-lance baseada em Beverly Hills, Michigan.)

Tradução: George El Khouri Andolfato


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