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28/01/2009 - 03h36

Em show do novo disco, Orishas cumpre repertório e acrescenta hits para público de SP

MARIANA TRAMONTINA
Da Redação
Demorou 50 minutos do horário previsto (21h30) para que as luzes do Via Funchal se apagassem e o Orishas subisse ao palco nesta terça-feira (27) em São Paulo. Culpa da chuva insistente que se estendeu pela noite na capital paulista e dos que deixaram para comprar ingresso de última hora na bilheteria, tumultuando ainda mais a entrada no local.

Com a casa cheia (cerca de 6.000 mil pessoas, segundo a produção), os cubanos abriram o repertório com músicas do disco "Cosita Buena", do ano passado, ainda não lançado no Brasil. E, com o público nas mãos, cumpriu o repertório estabelecido, mas acrescentou no final de quase duas horas de show os hits da carreira.



Graças à Internet, alguns poucos presentes conheciam a faixa-título e "Maní", duas novatas na discografia do grupo que abriram a apresentação. Na terceira música, o trio --que se transforma em sexteto no palco-- se rendeu aos sucessos do passado. "Nací Orishas" foi a primeira a levar a casa abaixo logo nos primeiros sopros do trumpete de Ludovic Louis.

Em "Represent, Cuba", o público já estava familiarizado com o gesto do hip hop de levantar e abaixar o braço em seqüência. Até uma bandeira da ilha de Fidel Castro foi hasteada nas mãos de um fã. Mas em seguida o trio partiu para a burocrática divulgação de "Cosita Buena".

Do disco novo entraram "Guajira", "Mirame", "Publico" e "Machete", recebidas com o entusiasmo de quem ainda não teve tempo de decorar as letras. O primeiro single do álbum, "Bruja", ganhou um coro mais convicente do público: é nova, mas já circula pela Web embalada por um clipe divertido com a atriz Rossy de Palma, uma das musas de Pedro Almodóvar.

Depois de forjar um adeus precoce, após pouco mais de uma hora de show, os Orishas voltaram com "Guantanamera", clássico da música cubana, e trouxeram o cantor Fernando Ferrer, sobrinho de Ibrahim Ferrer, que era do Buena Vista Social Club, para uma participação.

O trio Yotuel Romero, Roldán Gonzalez e Hiram "Ruzzo" Riverí dividiram o palco com um percussionista, um trumpetista e um DJ, responsável pelas bases pré-gravadas, repletas de detalhes. O som abafado da casa, no entanto, não facilitou a compreensão das palavras do trio, falando sempre em espanhol. A voz anasalada do cantor Roldán Gonzalez soava ainda mais aguda e suas letras pareciam desfiguradas.

Ficou difícil entender (ou lembrar) que o Orishas não apenas imerge no rap carrancudo, sempre pronto a reclamar da vida. O trio descentraliza em letras com fatos sociais positivos também e mescla o discurso político aos ritmos caribenhos.

Em meio a tratados sobre racismo, violência ou maconha, surgem interferências musicais de salsa, rumba e pop. Tudo em clima caliente, com direito a passos de danças rebolativas (inclusive com meninas da platéia convidadas a subir ao palco).

Depois de cumprir o repertório que divulga o novo disco e sair do palco pela segunda vez, o Orishas voltou para um outro bis. O trio incluiu no final hits como "Mística", "Atrevido", "A Lo Cubano", "Hay Un Son" e "Que Pasa?", que não estavam no setlist oficial.

Nesta quinta-feira (29), O Orishas visita Fortaleza no Mucuripe Club. Depois segue para o Rio de Janeiro no dia 30, no Píer Mauá, e Belo Horizonte, no dia 31, no Chevrolet Hall.

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