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02/02/2009 - 08h00

The New York Times: Sammy Hagar só quer se divertir

Gary Graff
The New York Times Sindycate
"Tudo isso se trata de um estilo de vida, meu e dos meus fãs", diz Sammy Hagar. "Nós temos uma direção, um estilo de vida e o modo que queremos viver: é pegar uma praia de dia e dançar a noite toda, tops e sandálias de tiras."

"Tudo o que faço é... uma espécie de manual do modo como vivo", diz o cantor de 61 anos, que está no Rock and Roll Hall of Fame graças aos seus 13 anos como vocalista do Van Halen. "Ei, você quer viver como eu? Não é preciso ser rico e famoso. Basta apenas consolidar seu tempo para que possa dedicar o máximo de tempo fazendo as coisas que realmente quer. E quando você faz isso, cara, a vida fica realmente divertida."

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Sammy Hagar: "não quero perder os fãs que já tenho"
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Desde que despontou no início dos anos 70 como vocalista da banda de hard rock Montrose, Hagar já reuniu uma discografia de 26 álbuns, com 16 discos solo --incluindo "Cosmic Universal Fashion" (2008)-- que ocasionalmente geraram sucessos como "I'll Fall In Love Again" (1981), "Your Love Is Driving Me Crazy" (1982) e o hino "I Can't Drive 55" (1984).

Além do Montrose e do Van Halen, Hagar também já esteve envolvido em vários supergrupos, incluindo o HSAS, que contava com um guitarrista do Journey (Neal Schon), um baixista do Foghat (Kenny Aaronson) e um ex-baterista do Santana (Michael Shrieve), e o Planet Us, ao lado de Schon, do guitarrista Joe Satriani, do baixista do Van Halen (Michael Anthony) e do baterista do Journey (Deen Castronovo).

Seu mais recente projeto, o Chickenfoot, alia Hagar com Satriani, Anthony e o baterista do Red Hot Chili Peppers, Chad Smith. Hagar e Anthony --que foram os únicos membros do Van Halen presentes na cerimônia de ingresso do grupo no Hall of Fame, em 2007-- também tocam ao vivo nos grupos chamados Los Tres Gusanos (Os Três Vermes, em português) e The Other Two (Os Outros Dois).

Mas o "Red Rocker" não limita sua diversão à música. Ele transformou sua Cabo Wabo Tequila na segunda marca premium mais vendida nos Estados Unidos em 2007, quando vendeu uma participação de 80% para o Gruppo Campari por US$ 80 milhões. Ele abriu clubes noturnos e restaurantes Cabo Wabo em Cabo San Lucas, no México, onde realiza todo ano sua festa de aniversário que dura uma semana, e em Fresno, na Califórnia. Ele também opera uma emissora de rádio na Internet, a www.cabowaboradio.com.

"Eu sou compulsivo", diz o pai de quatro filhos e avô de dois netos, que se casou duas vezes. "Há muita coisa que quero fazer e não há nada que sinta que me impeça, nenhum problema com minha idade, saúde física, força, entusiasmo ou talento. Eu te digo, eu estou me divertindo mais do que nunca."

A chave, ele diz, é que está se divertindo em seus próprios termos.

"Quando eu deixei o Van Halen (em 1996), eu tinha fama e fortuna suficiente para dez vidas. Eu pensei: 'por que preciso continuar fazendo isso?' Realmente se resumia ao meu amor pelo que faço, pela música, pelo entretenimento. Eu não estou lá fora para tentar crescer ou me tornar maior ou emplacar um sucesso no primeiro lugar. Eu só quero sair e manter meu pessoal feliz e me divertir, e enquanto as pessoas quiserem ver isso, eu fico feliz em fazê-lo. Na verdade, eu ficaria infeliz se não pudesse fazê-lo."

Independência
"Cosmic Universal Fashion" é uma expressão da independência que Hagar conquistou para si mesmo. "Eu não estava tentando fazer nada, sério. Eu não estava tentando compor canções para um CD. Eles eram como experiências: eu compunha uma canção de cada vez e acabei chegando ao ponto onde tinha músicas suficientes que eu queria lançar, de forma que as transformei em um álbum."

O disco de dez faixas certamente conduz Hagar por uma variedade de guinadas criativas. Entre elas: um cover do sucesso dos Beastie Boys de 1986, "Fight for Your Right (To Party)", que foi inspirada pela sua "24365", também presente no álbum, e que por sua vez foi uma tentativa de "superar 'Fight for Your Right', o que não acho que consegui".

"Minha banda toca essa canção ('Fight for Your Right') há cerca de quatro anos em concertos. Toda vez que estamos fazendo um show e ele ameaça esfriar, eu saco essa música, apenas para tentar pegar todo mundo de surpresa. Eu sentia que ela precisava ser gravada, para que tivéssemos dois hinos de festa ali em vez de um."

"Cosmic Universal Fashion" também está repleto de participações especiais: Billy Gibbons, do ZZ Top, toca em "Switch on the Light"; o diretor de turnê Paul Binder canta em "Fight for Your Right"; e Michael Anthony, Billy Duffy (The Cult) e Matt Sorum (Guns N' Roses, The Cult e Velvet Revolver) tocam em "Loud". Duas canções, "Psycho Vertigo" e "Peephole", nasceram nas sessões do álbum abortado do Planet Us.

Quanto à faixa título, "Cosmic Universal Fashion", ela é uma colaboração de Hagar e do roqueiro iraquiano Steven Lost, que foram reunidos por Miles Copeland, o empresário de Sting e do Police.

"Miles tem um selo de world music e ele me telefonou e disse: 'eu tenho esse sujeito que compôs essas canções e gostaria que você colaborasse em uma delas ou em todas'. Eu normalmente não faço isso, mas ele disse: 'são incríveis'. Ele me enviou uma e eu fiquei instantaneamente inspirado e quis finalizar a canção instantaneamente."

"E pensei: 'Nossa, se um músico iraquiano e um músico americano podem se unir e compor pacificamente uma canção com significado e tons de paz mundial, isso é algo um bocado especial'. É o tipo de demonstração do poder da música. Ela não tem fronteiras, não tem religião e não tem política."

Na campanha de Bush
Não para ele, pelo menos. Todavia "Right Now" (1991), o sucesso otimista de Hagar junto com o Van Halen, foi usado pelas campanhas dos dois principais candidatos durante a recente eleição presidencial americana. Eddie e Alex Van Halen emitiram uma declaração criticando o uso da canção pela campanha de McCain, mas Hagar --que diz que apoiou financeiramente a campanha de 2004 do presidente George W. Bush, mas que se decepcionou com o segundo mandato do presidente-- diz que se sentiu lisonjeado.

"Para mim, qualquer um que quiser usar (a canção) de modo apropriado e com o uso correto das palavras está livre para usá-la. Quando você compõe uma canção como essa, que diz, 'precisamos já de mudança' ou 'assuma já o controle de sua vida, não espere', ela é para o público, para as pessoas e para o mundo. Ela funciona para todos, inclusive o presidente dos Estados Unidos."

Mas os planos de Hagar para o futuro são mais musicais do que políticos: ele e sua banda, os Wabos, planejam excursionar para divulgar "Cosmic Universal Fashion". As perspectivas de futuras reuniões do Van Halen permanecem "improváveis", ele diz, após a breve turnê de 2004, mas Hagar continua fazendo shows ocasionais com o Montrose.

Enquanto isso, o Chickenfoot está concluindo um álbum e provavelmente também fará algumas apresentações ao vivo --e, sim, o supergrupo provavelmente continuará usando esse nome, apesar de ter sido inicialmente uma piada.

"O imediatismo da Internet faz com que uma simples menção acabe pegando", diz Hagar rindo. "Mesmo se mudássemos o nome, as pessoas diriam, 'que banda é essa?' 'Ah, é o Chickenfoot.' 'Ah, o Chickenfoot eu conheço!' Então somos o Chickenfoot."

Hagar, Satriani, Anthony e Smith representam uma formação intrigante, mas Hagar diz que é a música a verdadeira atração. "Eu estou apaixonado pela banda. Eu sei que os nomes significam algo e ficam bem no papel, e as pessoas dizem: 'oh, isso vai ser legal'. Mas quando nos reunimos, a química é tão boa e nos damos tão bem que estimula a criatividade entre nós. É realmente fantástico."

Ainda mais projetos são possíveis a curto e longo prazo, acrescenta Hagar. "Eu acho que, quando você reúne tudo, a sensação é do tipo: 'uau, Sammy está livre. Ele pode fazer o que bem quiser'. É realmente essa a sensação, mais do que em qualquer outro momento da minha vida, sério."

"Sabe como é, mesmo se eu não conseguir mais nenhum novo fã enquanto viver, eu vou ficar bem. Eu apenas não quero perder os que já tenho. Eu quero mantê-los ali, mantê-los felizes, e então vou ficar feliz e tudo isso é bom."


(Gary Graff é uma jornalista free-lance baseada em Beverly Hills, Michigan.)

Tradução: George El Khouri Andolfato

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