UOL Música Notícias
 

03/07/2009 - 14h11

Em show à luz de velas, Jorge Drexler conquista público de SP nos detalhes

MARIANA TRAMONTINA
Da Redação
  • Sergio Alberti/UOL

    Jorge Drexler faz show de "Cara B" em São Paulo (02/07/2009)

O uruguaio Jorge Drexler já é de casa. Vez ou outra desembarca no Brasil para fazer shows e colocar em prática nos palcos seu português quase fluente. Mesmo não sendo aqui "Un Pais Con El Nombre de Un Rio", que abriu sua apresentação em São Paulo nesta quinta-feira (2), no Bourbon Street Music, o músico diz também se sentir em casa. Ele trouxe mais uma vez para a cidade o show do disco "Cara B", o mesmo que tocou por aqui em 2008, e ainda assim encheu o local, com direito a ingressos esgotados e lista de espera.

O show e o figurino são os mesmos, mas a sonoridade se renova. Sem as orquestrações, cordas e metais de seus discos, Jorge Drexler ousou ao mostrar de forma minimalista suas canções. Sentado elegantemente em um banquinho apenas com um violão e rodeado por pedais de efeitos sonoros, o uruguaio conquistou o público nos detalhes, por trás de toda a simplicidade no cenário.

Entre suas diversas histórias, algumas até repetidas, Drexler contou sobre sua visita à Vila Madalena, onde presenciou a festa de corintianos ao levarem o título da Copa do Brasil 2009, na última quarta-feira (01). Lá mesmo captou os sons da rua, entre buzinas, conversas e até um trecho do hino do time de Ronaldo. Todos os ruídos locais complementaram a música "Deseo" --no ano passado, esse pano de fundo exibido em palcos brasileiros foi gravado em Barcelona.

Como se lançasse seu olhar de montevidiano sobre uma selva de pedra, Drexler homenageou os paulistas em duas ocasiões: ao cantar "Sampa", de Caetano Veloso, e "Disneylândia", dos Titãs ("essa música só poderia ter sido escrita por um paulista", disse), ambas em seu idioma natal. E cantou com destreza em italiano ("Lontano Lontano") e em inglês ("Dance Me To The End of Love").

Contrastando com a delicadeza de seus dedilhados, o cantor também fez experimentações ao vivo, auxiliado por dois talentosos produtores, o catalão Carlos Campi e o argentino Matías Cella. A dupla, que surgiu para poucas participações no show, mostrou habilidade na viola, no teremim e na improvisação ao tirar sonoridade de um serrote com um arco de violino.

À luz de velas, o público foi cuidadoso ao cantar: como em "Eco", os fãs se permitiam acompanhar os versos apenas em sussurros para não sobressair a voz pequena de Drexler. Em uma atmosfera de cumplicidade, a plateia elaborou um suave coral para as poesias do uruguaio, seja nos versos apressados de "Guitarra Y Voz" ou na poética "Polvo de Estrellas". A voz dos que estavam à frente do palco só se fez mais alta no refrão "nada es más simple, no hay otra norma, nada se pierde" da música "Todo Se Transforma".

Ao mesmo tempo que Drexler pesquisava com o público qual música os presentes gostariam de ouvir, dava continuidade ao seu repertório já escolhido, com "La Infidelidad En La Era Informática", "Hermana Duda", "Sanar", "Milonga Del Moro Judio", quando faz conexão com suas raízes, e "El Pianista Del Gueto De Varsovia", baseado no relato autobiográfico de Wladislaw Szpilman.

Quando alguém da plateia gritou "toca Michael" (o novo "toca Raul"), o uruguaio cedeu apenas para interpretar o refrão de "Billie Jean", e emendou em seguida "De Amor Y De Casualidad". Nos bis, quando voltou em cena com uma taça de vinho tinto, atendeu o pedido de um fã para cantar "Flores en El Mar", executada entre a melancólica "Soledad" e o medley de "Stay" e "Sea", que encerrou o espetáculo.

Em letras que falam sobre amor, a vida cotidiana e crenças, Drexler faz o mundo soar com simplicidade durante quase duas horas de show. Por isso que em seu próprio paradoxo, antes de tocar "La Vida Es Mas Compleja de Lo Que Parece", afirmou com segurança que "muitas vezes é muito mais simples do que imaginamos".

 

Compartilhe:

    RECEBA NOTÍCIAS

    Hospedagem: UOL Host