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Zach Condon durante show do Beirut no Via Funchal, em São Paulo (11/09/2009)
Zach Condon quer que sua música soe como "um lugar desconhecido e exótico". Talvez por isso, no Brasil, sua banda Beirut seja envolvida por uma aura cult que não permite chegar aos ouvidos menos atentos. Mesmo ainda provocando indagações primárias, numa escala que começa com "mas quem é Beirut?", a banda dos Estados Unidos foi recebida em São Paulo, nesta sexta-feira (11), com ingressos esgotados. E, ao adentrar o salão do Via Funchal, foi fácil lembrar o porquê do Beirut chegar por aqui com casa cheia, em sua primeira visita ao país.
O palco da casa ganhou uma moldura semelhante aos pequenos teatros de fantoches, numa clara alusão ao visual explorado na minissérie "Capitu", exibida pela TV Globo em dezembro de 2008. Motivo pelo qual a música do Beirut escapuliu de um resistente anonimato indie no país: "Elephant Gun", que virou tema do programa, é cria de Zach. E, não por acaso, é o hit que ecoou com propriedade nas vozes das 3.110 pessoas que estavam no local para ver a apresentação.
"Elephant Gun" --em que Zach, aos 23 anos, canta "se eu fosse jovem, eu fugiria desta cidade"-- surgiu no show com uma ligeira introdução de "Aquarela do Brasil", logo depois da sequência com "Nantes", "The Shrew" e "Cozak". Em pouco mais de 15 minutos de apresentação, o músico já havia se revezado entre o trompete e o ukulele (o cavaquinho havaiano), dançado com as mãos como se regesse seus cinco companheiros de palco, e dividido um admirável dueto de trompetes.
Diferente do conturbado show em Salvador e da apresentação comportada no Rio de Janeiro, em São Paulo Zach não convidou seus espectadores a levantar das cadeiras: na metade da primeira música, o vocalista já encontrava o público de pé, em frente às mesas que foram dispostas (de maneira equivocada) no salão da casa. E foi assim que os fãs permaneceram durante 1h10 de show, viajando pelos sons dos Balcãs, pelos solos mariachis e pelas fanfarras do Leste Europeu conduzidos pelo Beirut. Numa verdadeira excursão étnica, o percurso musical de Zach teve escala árabe ("Siki Siki Baba"), francesa ("La Javanaise", de Serge Gainsbourg) e brasileira ("Aquarela do Brasil", dessa vez na íntegra e cantada em inglês).
Entre a melancolia fúnebre e uma sonoridade circense, o Beirut passeou por seus dois primeiros discos, "Gulag Orkestar" (2006) e "The Flying Club Cup" (2007), além do EP duplo "March of the Zapotec/Holland", que saiu este ano. Estavam lá "Postcards From Italy", "My Wife", "The Akara", Scenic World", "Cherbourg" (com o vocalista perguntando, em claro português, se "vocês podem cantar comigo?") e "Sunday Smile", embalados pela voz grave de Zach em cima do choro feliz dos trompetes e do impulso triste do baixo. Sem grandes produções de cenário ou luzes, o show virou espetáculo pela riqueza das melodias conjugadas magistralmente em trompetes, trombone, acordeão, ukulele, teclado, baixo e bateria.
E mesmo depois de ver a banda voltar para um bis de três músicas, os fãs ainda achavam que a viagem com o Beirut havia sido curta demais para acabar ali e, com palmas, chamavam o grupo pelo nome. Já com as luzes da casa acesas, os seis músicos pegaram carona nos pedidos e voltaram ao palco, mais uma vez, para tocar "Gulag Orkestar". No dia 18, Zach e seus amigos levam uma nova viagem ao público de Recife, onde tocam no festival No Ar: Coquetel Molotov.

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