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22/09/2009 - 10h47

Zombie Zombie mostra som eletrônico analógico em SP na quinta-feira; leia entrevista

PEDRO CARVALHO
Colaboração para o UOL
  • Divulgação

    Os integrantes do Zombie Zombie, Cosmic Neman e Etienne Jaumet

Inspirados em filmes de terror de diretores como George Romero e John Carpenter, e misturando influências inusitadas como o krautrock, John Cage e jazz experimental, o projeto parisiense Zombie Zombie faz tudo, menos música eletrônica típica.

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Explorando "som e ritmo como um meio de explorar a sensação de medo que cresce profundamente dentro de você", a dupla formada pelo tecladista Etienne Jaumet e pelo baterista Cosmic Neman faz questão de utilizar apenas equipamentos analógicos e de explorar os ruídos e a imprevisibilidade deles para criar improvisações e interagir com o público.

Depois da intensa apresentação em Recife no festival No Ar: Coquetel Molotov, Jaumet promete um show enérgico em São Paulo, onde se apresenta na quarta-feira (23), no Studio SP. Depois da capital paulista, a turnê brasileira do Zombie Zombie segue para o Rio de Janeiro na quinta-feira (24), com uma apresentação na Drinkeria Maldita, e Curitiba na sexta (25), na Casa Vermelha.

UOL Música - Quais são suas expectativas para os shows brasileiros?
Etienne Jaumet -
Acho que o público ainda não conhece a gente, então eles terão a oportunidade de descobrir nossa música. Espero que reajam bem. Acho que vão gostar, porque nós tocamos bem ao vivo, sentimos a música com muita força e o show representa isso. Se não entenderem muito bem a música, tenho certeza que vão curtir o show por causa disso.

UOL - Vocês fazem música eletrônica com equipamentos analógicos. Qual é o problema com os computadores e equipamentos hi-tech?
Jaumet -
Sou um músico de verdade, só sei tocar instrumentos, não sei como usar um computador, faço música com o que eu tenho. Alguns anos atrás era muito barato comprar equipamento analógico, então eu ia comprando e fazendo experiências. Na verdade, eu nem queria fazer música eletrônica, eu simplesmente comprava algo por acaso e via o que dava para fazer com aquilo.

UOL - Você se sente parte da cena eletrônica?
Jaumet -
Sim, fazemos parte da cena eletrônica francesa, mas tocamos de um jeito roqueiro, fazendo o teclado soar como uma guitarra.

UOL - Vocês tocam tudo nos shows, sem nada pré-gravado?
Jaumet -
Sim, tudo o que você ouve está sendo tocado ao vivo, nada é pré-gravado. É por isso que eu amo tocar esse tipo de música. Nós improvisamos muito, porque é muito difícil reproduzir as músicas exatamente da mesma maneira. Não existe nenhuma programação. E isso faz parte do nosso show.

UOL - Como vocês absorvem essas influências de outros estilos?
Jaumet -
Eu apenas toco. Não fico pensando nas influências, só coloco meus dedos nas teclas e vejo o que sai. Eu toco por prazer, não para reproduzir algum tipo de som específico.

UOL - Mas vocês se inspiram muito no universo cinematográfico. Você compõe como se estivesse fazendo a trilha de um filme imaginário?
Jaumet -
Como a música é instrumental, eu tento contar uma história com o som. É por isso que nós soamos como música de filmes de terror, que costumam ser muito fortes. O equipamento analógico expressa muita emoção, mas eu não tento fazer música cinematográfica, só deixo a mente voar e as idéias vêm sozinhas.

UOL - Você gosta de música brasileira?
Jaumet -
Claro! Você tem muita sorte de viver num país assim, que tem seu próprio tipo de música. Gosto muito de bossa nova e da tropicália. Já vi shows de Caetano Veloso, João Gilberto, Hermeto Pascoal, que é um dos meus músicos favoritos, Tom Zé. Gosto muito dos velhos, não sei bem o que está acontecendo hoje em dia.

UOL - Sua música não se parece muito com isso...
Jaumet -
Eu sei, mas eu também toco outras coisas fora do Zombie Zombie. Também toco música francesa, que não é tão diferente da música brasileira. As melodias são bem próximas.

UOL - Alguma mensagem para o público brasileiro?
Jaumet -
Não tenham medo de chegar perto. Nós gostamos de tocar muito forte e ver a reação do público. Liberte sua mente e seu coração estará livre também.


Zombie Zombie

Quando: quarta-feira (23), a partir das 23h (entrada) e show à 1h
Abertura:
The Name
Onde:
Studio SP (rua Augusta, 591, Consolação)
Quanto: R$ 25; R$ 15 com nome na lista
Informações: 0/xx/11/3129-7040, www.studiosp.org

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