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14/10/2009 - 06h30

Com espetáculo multimídia em SP, Pet Shop Boys se mostra mais renovado do que seus contemporâneos de palco

MARIANA TRAMONTINA
Da Redação
  • Flávio Florido/UOL

    O vocalista do Pet Shop Boys, Neil Tennant, durante show da turnê Pandemonium em São Paulo (13/10/2009)

Os mais de 20 anos de carreira do Pet Shop Boys valem uma meticulosa retrospectiva. E é isso que Neil Tennant e Chris Lowe vieram fazer no Brasil pela quarta vez. Depois de passar por Belo Horizonte e Brasília, a dupla mostrou nesta terça-feira (13), em São Paulo, o show da turnê "Pandemonium", que divulga o disco "Yes" (2009) e faz um apanhado de toda a discografia. Mas o duo, que nasceu nos anos 80 e cimentou suas músicas no agora datado synthpop, chegou mais uma vez renovado e mais moderno do que seus colegas contemporâneos de palco.

No show do Pet Shop Boys tudo é colorido, tudo brilha, tudo dança, todos pulam. Dividido em quatro partes de ambientações e climas distintos, a apresentação é um verdadeiro espetáculo multimídia, com projeções de vídeo no cenário (montado com diversos blocos brancos que são modificados de lugar a todo momento) e um jogo de luzes que acompanha cada batida das músicas. No palco, enquanto Neil recupera os sucessos do passado com sua voz cheia de ecos, Chris recria as bases em cima do pop redondo.

Para o novo show, a dupla não deixou de lado a extravagância e uniu a música ao teatro, colocando quatro bailarinos para dançar, encenar e fazer backing vocal sincronizados no palco. Como em "Jealousy", em que um casal de dançarinos abusa de uma coreografia dramática, embalado pela letra que fala sobre ciúmes. Ou em "Suburbia", quando os bailarinos surgem de terno e fazem movimentos repetitivos, andando no mesmo lugar, enquanto a canção descreve a vida pós-moderna na cidade.

"Did You See Me Coming?" ao vivo em SP

Neil e Chris entraram no palco do Credicard Hall às 21h45 com um cubo colorido na cabeça. Abriram o show com "Heart", tirada do álbum "Actually" (1987), e emendaram com uma série de faixas do novo disco: "Did You See Me Coming?", "Pandemonium", "Love Etc." e "Building a Wall", quando cubos brancos desmoronaram pelo palco e abriram caminho para o primeiro hit da noite: "Go West".

O segundo bloco começou com "2 Divided By Zero" e "Why Don't We Live Togheter" em sequência, mas foi com "Always On My Mind" e "New York City Boy" que a casa caiu: o público estremeceu o chão do local junto com as batidas pesadas comandadas por Chris Lowe. No terceiro set a dupla colocou o pé no freio e desacelerou com as duas baladas "Do I Have To?" e "King's Cross". "The Way It Used To Be" e "Jealousy" entraram neste bloco.

A última parte foi aberta pelo hit "Suburbia" e trouxe para o público "Se A Vida É", finalizando com uma curta sessão de samba das bailarinas. Vestindo um manto e uma coroa de rei, Neil ameaçou cantar o clássico "Domino Dancing", mas logo mudou para um cover: a discreta versão para a polêmica "Viva La Vida", do Coldplay (aquela música que foi acusada de plágio por Joe Satriani e Cat Stevens). "It's A Sin" fechou a última parte com uma chuva de papéis prateados, seguida por "Being Boring" e "West End Girls" no bis.

O afinado Neil falou pouco com o público, limitou-se a apresentar o nome de algumas músicas e a gritar "São Paulo" no microfone, mas manteve sua elegância e carisma durante pouco mais de uma hora e meia de show. Sem surpresa, Chris Lowe não disse uma palavra, mas dançou com bailarinos durante "2 Divided By Zero" e sorriu discretamente para a plateia quando tocou no piano a introdução de "Do I Have To?".

Repleto de cores e de disposição, o Pet Shop Boys trouxe uma lufada de vigor em um ano contemplado por atrações que reverberaram nas pistas de dança dos anos 80.

 

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