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14/10/2009 - 11h46

Living Colour faz quatro shows no país nesta semana; leia entrevista com baixista da banda

FLÁVIO SEIXLACK
Da Redação
  • Divulgação

    Os integrantes da banda norte-americana Living Colour

Quem viveu o final dos anos 80 e o começo dos anos 90 certamente se lembra da canção “Cult Of Personality”, da banda norte-americana Living Colour. O sucesso rendeu ao grupo o Grammy de melhor interpretação de hard rock em 1989, um ano após o lançamento de “Vivid”, seu álbum de estreia. Depois disso, o Living Colour lançou mais três discos – entre eles “Time’s Up”, de 1990, cuja faixa-título também levou o Grammy na mesma categoria.

Nesta semana, a banda desembarca no Brasil pela quarta vez para uma série de apresentações, a começar por Porto Alegre, no Bar Opinião, na quarta-feira (14). Depois, a banda toca em São Paulo, no Via Funchal (15) e no Rio de Janeiro, no Circo Voador (16). A a sequência de shows pelo país se encerra no domingo (18) em Belo Horizonte, no Music Hall BH.

A turnê do grupo que mistura funk, metal e hard rock tem como principal ocasião o lançamento de “The Chair In The Doorway”, que chega às prateleiras seis anos após o lançamento do disco “Collideøscope”. Embora traga características semelhantes aos primeiros trabalhos do grupo, este é um disco que aponta para um novo rumo, com influências eletrônicas e outros gêneros mesclados à miscelânea sonora que já é comum ao Living Colour.

Na entrevista abaixo, o baixista Doug Wimbish fala sobre o novo álbum e os shows no país, além de comentar a relação do Living Colour com o atual mundo da música e relembrar o passado ao lado do Wood, Brass & Steel, sua primeira banda.

UOL Música – Essa é a quarta vez que o Living Colour se apresenta no Brasil. Quais são as expectativas para os shows no país?
Doug Wimbish –
Nunca crio expectativas, eu simplesmente fico feliz de estar vivo e tocar! Só espero que as pessoas apareçam e tenham a oportunidade de vivenciar uma ótima experiência.

UOL Música – Como serão os shows? O foco será no disco novo?
Doug Wimbish –
Será uma mistura. Temos muitas músicas para escolher hoje em dia e estamos muito focados em dar uma boa experiência aos novos e aos velhos fãs, portanto vamos tocar coisas de todos os discos. Começando pelo “Vivid” e pelo “Stain”. Vamos tocar também algo do “Biscuits” e talvez algo do “Collideøscope”, além de algumas coisas do novo álbum.

UOL Música – Vocês lançaram “The Door In The Chairway” em setembro. Você acha que o disco se assemelha ao som clássico do Living Colour ou é algo totalmente novo?
Doug Wimbish –
  O Living Colour é uma banda que tem um estilo muito único e, ao mesmo tempo, muito diversificado. Algumas pessoas disseram que gostaram desse disco por lembrar algumas coisas do “Vivid”, outras falaram que gostaram por se assemelhar com músicas do “Stain”. A coisa com a qual estou feliz nesse disco é que tanto fãs novos quanto antigos parecem estar confortáveis com a forma na qual o álbum soa. O Living Colour existe há mais de 20 anos, e lançar um disco assim me deixa muito satisfeito. Não estamos tentando ser uma banda pop jovem, a ideia é que você ouça e perceba a honestidade e a conexão existente entre nós. Cada álbum é único – como uma letra no alfabeto – e agora há cinco boas amostras do que é o Living Colour.

UOL Música – E seis anos se passaram entre o disco novo e o último lançamento...
Doug Wimbish –
Sério? Me desculpe. Tiramos um tempo para nós. Quando se faz um disco, às vezes leva-se mais tempo quando você sabe que precisa fazê-lo. Nesse caso, já estávamos conversando sobre gravar um disco há um certo tempo, mas tivemos que esperar até que nossas agendas se sincronizassem e aí começamos a nos ocupar com ele.

UOL Música – Antes de tocar no Living Colour, você fez parte do Wood, Brass & Steel e do Tackhead. Você acha que suas bandas antigas influenciaram a forma na qual você toca baixo no Living Colour?
Doug Wimbish –
Nossa, de onde você desenterrou essa? Aquele é um bom disco [“Wood, Brass & Steel”, de 1976]. Foi o primeiro álbum que gravei, sabe-se lá quantos anos eu tinha naquela época. É claro que ele me influenciou bastante no jeito que eu toco hoje. Wood, Brass & Steel foi uma banda que se tornou clássica exatamente porque nós não fizemos sucesso, embora tenhamos ficado muito populares na cena underground. Era um daqueles discos que não eram fáceis de achar pra comprar, mas que eram inegavelmente bons. Nós gravamos aquele álbum inteiro em dois dias e o finalizamos em uma semana. Eu estava tocando coisas bem complexas e as pessoas com as quais eu tocava eram muito boas, portanto eu tive sorte. Por acaso eu estava no lugar certo, na hora certa. Muito do que eu uso ainda hoje eu aprendi no Wood, Brass & Steel.

UOL Música – Várias bandas que fizeram sucesso nos anos 90 estão se reunindo hoje em dia, como o Faith No More e o Pavement. Você acha que a música feita no fim dos anos 80 e começo dos anos 90 pode soar fresca ainda hoje?
Doug Wimbish –
Não vejo porque não. O que muita gente chama hoje em dia de “novo som” se assemelha muito às bandas dos anos 60 e 70. A música caminha em círculos. Você pode colocar as roupas dos seus ídolos, imitar os acordes que eles tocavam e pode até ir longe com isso, mas quando voltar e observar a sua carreira, você vai enxergar o que realmente mostrou ao público. Você vai ver que poderia ter dito algo que importava, mas preferiu dizer outras coisas que fizeram você aparecer mais do que a música em si. Hoje em dia existem muitas bandas que seguem uma fórmula, e eu sempre consigo ver quais são as raízes. Tem muita coisa que as bandas pegam emprestadas de outras músicas e que se tornam algo até razoável. Tudo bem pegar algo emprestado de outra banda, ninguém vai ficar bravo uma vez que todos o fazem. Honestamente, acho que é legal. Todo mundo dá uma boa risada.

UOL Música – O Living Colour sempre foi uma banda que nunca se importou com modismos. Você acha que é difícil ser uma banda assim no atual mundo da música?
Doug Wimbish –
Estou envolvido na cena que existe agora, mas também estou envolvido em uma cena que já aconteceu. Então acho que o Living Colour entra na categoria de uma banda que nunca copiou ou perseguiu alguma cena em particular, seja por fama ou dinheiro. Nós tocamos com o coração e falamos a verdade. Por exemplo, fomos a única banda a falar do 11 de setembro em um disco. Ninguém mais falou. Por que? Talvez as bandas estivessem mais preocupadas com as vendas dos discos ou não queriam tomar um lado político e irritar alguém. Acho que claramente nos separamos dessa energia anos atrás. Não queremos machucar os sentimentos de ninguém, mas apenas falar honestamente o que está acontecendo. Quando você morre, o melhor que se pode deixar é o fato de que seus filhos sabem que você era honesto e puro com o que você falava.


LIVING COLOUR EM PORTO ALEGRE 

Quando: 14 de outubro, a partir das 22h
Onde: Bar Opinião (Rua Jose Patrocinio, 834)
Quanto: R$ 50 (1º lote), R$ 60 (2º lote), R$ 70 (3º lote)
Ingressos: Spazio Diadora (Padre Chagas, 306), Lojas Multisom (esq. Democrática, Shoppings Iguatemi e Praia de Belas)

LIVING COLOUR EM SP

Quando: 15 de outubro, a partir das 22h
Onde: Via Funchal (Rua Funchal, 65)
Quanto: R$ 100 (pista), R$ 130 (mezanino), R$ 160 (camarote)
Ingressos: na bilheteria do Via Funchal, pelo telefone (11) 2144-5444 ou em www.viafunchal.showare.com.br

LIVING COLOUR NO RJ

Quando: 16 de outubro, a partir das 22h
Onde: Circo Voador (Rua dos Arcos, s/n)
Quanto: antecipados – R$ 100 (inteira), R$ 50 (estudante), 1 kg de alimento ou 1 livro. No dia – R$ 120 (inteira), R$ 60 (estudante), 1 kg de alimento ou 1 livro
Ingressos: em www.ingresso.com.br ou pelo telefone (11) 4003-2330

LIVING COLOUR EM BH

Quando: 18 de outubro, a partir das 19h
Onde: Music Hall BH (Av. do Contorno, 3239)
Quanto: pista – R$ 70 (inteira) ou R$ 35 (meia-entrada), camarote – R$ 100 (inteira) ou R$ 50 (meia-entrada)
Ingressos: bilheteria do Music Hall, loja 5ª Avenida (27C no 3º piso), Leitura Megastore BH Shopping, pelo site www.ingressorapido.com.br ou pelo telefone 4003-1212

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