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21/10/2009 - 12h04

Músicas novas do Prodigy não devem nada às antigas, diz vocalista Maxim

PEDRO CARVALHO
Colaboração para o UOL
  • Paul Dugdale

    Os integrantes do The Prodigy Keith Flynt, Liam Howlett e Maxim Reality

Se hoje em dia existe um diálogo da música eletrônica com o público roqueiro, a responsabilidade é em grande parte do grupo britânico The Prodigy, que se apresenta em São Paulo nesta sexta-feira (23) em São Paulo no Via Funchal e no dia seguinte no Rio, no Citibank Hall.

Na década de 90, o trio formado por Liam Howlett (produtor e tecladista), Keith Flint (vocalista) e Maxim Reality (MC e vocalista) causou polêmica no cenário musical britânico ao inserir atitude punk e barulho extra à música eletrônica das raves.

Com suas performances energéticas ao vivo, auxiliadas por um baterista e um guitarrista, o grupo mostra no Brasil o material de seu novo trabalho “Invaders Must Die”, que representa uma volta à forma após o fracasso comercial e crítico do disco anterior, “Always Outnumbered, Never Outgunned” (2004).

Com um nível de energia comparável ao auge do grupo na década de 90 e participação do ex-baterista do Nirvana e atual líder do Foo Fighters Dave Grohl, o novo álbum estreou direto no primeiro lugar das paradas britânicas e tem sido comparado aos dias de glória do Prodigy na década de 90.

Em entrevista ao UOL, Maxim Reality, simpático e rindo o tempo todo, falou sobre o novo trabalho, a mistura de música eletrônica com rock e as polêmicas que acompanharam o grupo no início.

UOL Música -O que você se lembra da última vez no Brasil?
Maxim Reality - Faz tempo... para ser honesto eu não me lembro de nada do show em si. O que me lembro é que houve um ataque contra a polícia. Acho que algum policial foi morto na delegacia por uma quadrilha e a polícia estava parando todo mundo na rua. (o último show do Prodigy no Brasil aconteceu no dia 13 de maio de 2006, um dia apos o início dos ataques do PCC contra a policia ocorridos naquele mês).

UOL Música - Vocês ficaram com medo?
Maxim - Me lembro de chegar num túnel que estava interditado e depois falaram que havia acontecido um tiroteio ali logo antes. Saiu nos jornais no dia seguinte. Ficou na minha cabeça!

UOL Música - Esse tipo de coisa combina com o som de vocês. 
Maxim - É verdade! (rindo) Os shows por aí sempre têm muito entusiasmo, mas isso é provavelmente o que eu me lembro de mais dramático das nossas visitas ao Brasil.

UOL Música - O que podemos esperar do show desta vez?
Maxim  - Shows energéticos, cinco ou seis faixas do disco novo. O legal é que as músicas novas se sustentam bem comparadas com as antigas. Estávamos com medo delas não se encaixarem bem no set, mas pelo contrário, elas não deixam nada a desejar em relação às outras.

É difícil uma música ter o mesmo nível de energia de “Firestarter” ou “Smack My Bitch Up”, mas as novas têm o mesmo pique. Foi uma boa surpresa para nós como elas deram certo ao vivo.

Vamos tocar músicas desde o início da banda até hoje. Do primeiro disco vamos tocar “Out Of Space”, do segundo vamos tocar “Poison” e “Their Law”, além de um monte de músicas do terceiro, “The Fat of The Land”... misturamos tudo, talvez tocaremos alguma coisa do “Always Outnumbered” também.

Do novo disco tocaremos “Omen”, "Run With The Wolves", "World's On Fire" e “Take Me To The Hospital”. É um set bem variado.

UOL Música - Como foi fazer este novo disco em comparação aos anteriores? 
Maxim - Foi um pouco diferente, por ficarmos todos juntos no estúdio o tempo todo, enquanto antes o Liam fazia toda a música sozinho e nós só aparecíamos na hora de gravar os vocais. Depois do ponto baixo na carreira da banda, que foi o “Always Outnumbered”, decidimos que estaríamos todos envolvidos no próximo trabalho desde o começo.

No começo do projeto, passamos 7 ou 8 meses tendo idéias e escrevendo as letras primeiro para depois colocar a música. Chegamos a tentar escrever canções e melodias com um violão, mas não funcionou.

Então, voltamos ao nosso método antigo, que sempre foi mais baseado na energia da música com as letras sendo colocadas por cima. E deu mais certo. Foi o verdadeiro ponto de partida do álbum, quando tudo realmente começou a cair no lugar certo. Quando terminamos “Warrior’s Dance”, falamos “é assim que costumávamos trabalhar, vamos fazer como no começo”.

UOL Música - Estão falando que o disco soa como uma volta às raízes. Você concorda? 
Maxim - Não (rindo). Sempre tentamos levar a banda adiante. Eu entendo o que querem dizer com isso, mas só duas músicas soam assim: “Warrior’s Dance” e “Take Me To The Hospital”. No resto do disco só há alguns sons aqui e ali que lembram as coisas velhas.

Mas não sentimos que temos que nos justificar, porque são os nossos sons, afinal de contas. São os sons que usávamos nos anos 90, então por quê não podemos usá-los agora? Não é como se estivéssemos tentando reescrever faixas que já compusemos no passado. Apenas usamos alguns elementos do início. É o nosso próprio estilo, aplicado à música de hoje, só isso.

UOL Música - De onde veio o título “Invaders Must Die”? 
Maxim - Nós já tínhamos o nome antes mesmo de começarmos a compôr as faixas. Me lembro de estarmos sentados em algum lugar e alguém estava falando conosco quando um de nós, acho que foi o Keith, disse “esses invasores, eles têm que morrer”. O Liam decidiu ali mesmo que este seria o nome do álbum.

Com o tempo, o nome ganhou mais peso e significado. Quem vê esse nome vai querer saber mais sobre a banda e sobre o disco. É um título muito agressivo. E representa a má fase depois do “Always Outnumbered” também, como se houvesse forças negativas ao nosso redor nos puxando para baixo. Eram esses os “invasores”. Então, para mim, “os invasores devem morrer” significa jogar fora a negatividade para poder seguir em frente.

UOL Música - Como foi trabalhar com o Dave Grohl em “Run With The Wolves”? 
Maxim - Foi algo que aconteceu já no final da produção do álbum. Ele é muito amigo nosso, não foi um acordo entre os empresários, com contratos. O Dave ligou um dia para o Liam perguntando o que estávamos fazendo e quando soube que estávamos terminando de gravar, disse que queria tocar bateria no disco.

Então ele gravou várias levadas de bateria num disco rígido de computador e nos enviou dos EUA. Tem milhões de partes ali que podiam ser usadas, mas havia uma música nossa que havíamos abandonado e quando ouvimos as batidas dele, tudo se encaixou. Daí veio “Run With The Wolves”, que foi a última faixa que fizemos. É a música mais direta e energética e era o que estava faltando no disco.

UOL Música - Vocês tocam com uma banda ao vivo? 
Maxim - Bem, não chega a ser uma banda. Somos nós três, com um baterista e um guitarrista para complementar o som e dar mais energia ao show. O baterista não toca a batida principal, ele só dá um complemento, porque o som da bateria (eletrônica) já é bem cheio. Também é importante visualmente. Como você sabe, o som do Prodigy já é pesado, não é como se estivesse faltando alguma coisa. Mas deixa show mais animado, acrescenta à perfórmance.

UOL Música - Falando nisso, vocês foram pioneiros nesse tipo de mistura de música eletrônica com rock e na união dos dois públicos. Como isso aconteceu? 
Maxim - Não foi algo consciente, mas sempre fizemos tudo do nosso jeito. Nós viemos do cenário rave quando ele já estava decadente e vimos em outras cenas a mesma energia que víamos ali no auge. No começo, nós só ouvíamos fitas de DJs e coisas assim, mas quando fomos para os EUA, ouvimos Rage Against The Machine e Dr. Dre pela primeira vez e começamos a absorver outras influências. Foi assim que nos tornamos o que somos hoje.

Depois disso, fizemos “Their Law”, que tem uma linha de guitarra sampleada sobre uma batida eletrônica. Nessa época também, a música eletrônica estava ficando mais veloz e as pessoas achavam que isso era o que geraria mais energia. Então decidimos fazer um som mais lento e pesado, e foi daí que veio “Poison”.

Nessa época, tocamos pela primeira vez num festival de rock, com o Red Hot Chili Peppers, Biohazard e outras bandas. Obviamente, era uma platéia bem durona, mas encaramos o desafio e deu muito certo. Começamos a tocar em vários festivais e a nossa música foi se desenvolvendo a partir daí.

UOL Música - Vocês causaram polêmica nessa época por causa de letras como “Firestarter” (em tradução literal, “causador de incêndios”) e “Smack My Bitch Up” (“bater na minha vagabunda”). Elas ainda são mal interpretadas? 
Maxim - Sim, totalmente! Letras funcionam em vários níveis diferentes e quem as interpreta literalmente não está sabendo onde olhar. Cabe a cada indivíduo interpretar do seu próprio jeito.

Algumas pessoas procuram pelo em ovo e acham que em “Firestarter” nós estamos dizendo que vamos causar um incêndio e em “Smack My Bitch Up” eu estou dizendo que vou estapear alguma vagabunda, sendo que não é nada disso.

Mas não temos tido muitos problemas nesse sentido. Num show para 10 mil pessoas, a metade são mulheres pulando e cantando “Smack My Bitch Up”. É isso que importa para mim, elas estão curtindo e não se ofendem. Quem se ofende com as letras nem vai ao show e não sabe nada sobre a banda.

De qualquer maneira, essas músicas saíram há mais de 10 anos e as pessoas ainda gostam delas, ainda agitam com elas e é isso que importa. Quem fica ofendido nessa altura do campeonato tem mais é que arrumar o que fazer.

UOL Música - Suas influências pessoais vêm principalmente do hip hop e do reggae. Como esses elementos se traduzem no seu trabalho com o Prodigy?
Maxim - Quando eu era novo, minhas principais influências eram o ska e o reggae. Eu passei pela cena ska/two tone, de bandas como Specials e The Beat, e na mesma época havia a cena punk também, além do reggae e do hip hop que veio um pouco depois, como o Public Enemy.

Esses estilos me fizeram entender a mentalidade de gangue, de fazer parte de algo coletivamente. Tipo “nós somos fortes juntos, temos um visual legal, curtimos música legal”... e é isso que eu sou até hoje.

Além disso eu sempre quis pegar um microfone e subir num palco e esses estilos me estimularam a fazer isso. Tive a sorte de ser bom nisso.


THE PRODIGY EM SÃO PAULO

Quando: 23 de outubro (sexta-feira), a partir das 22h
Onde: Via Funchal (Rua Funchal, 65, Vila Olímpia)
Quanto: R$ 180 (pista), R$ 300 (mezanino), R$ 350 (pista premium) e R$ 400 (camarote)
Ingressos: site da Ticketmaster (venda exclusiva para clientes Citibank, Credicard e Diners Club dos dias 11 a 17/09, aberta ao público em geral a apartir do dia 18); bilheterias do Credicard Hall: Av. Nações Unidas, 17.955; bilheterias do Via Funchal (apenas no dia 23).
Informações: www.ticketmaster.com.br


THE PRODIGY NO RIO

Quando:
24 de outubro (sábado), a partir das 22h
Onde: Citibank Hall (Av. Ayrton Senna, 3000, Cj. 1005, Barra da Tijuca)
Quanto: R$ 150 (pista), R$ 250 (poltrona), R$ 250 (pista vip) e R$ 300 (camarote)
Ingressos: site da Ticketmaster somente para clientes Citibank, Credicard e Diners Club até o dia 15; após a data, venda para público em geral pelo site e na bilheteria da casa
Informações: www.citibankhall.com.br

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