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Jaques Morelenbaum (esq.), Gilberto Gil e Bem Gil no show "Concerto de Cordas", no Rio de Janeiro (23/10/2009)
Gilberto Gil diz que os seus 67 anos de idade o fizeram mais apaziguado. Da Tropicália e do baião ao trio elétrico, o músico continua com a mesma energia, mas agora segue desplugado. O show "Concerto de Cordas", que Gil apresentou unicamente ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (23), é um reflexo deste momento vivido por ele.
Ao lado do maestro e arranjador Jaques Morelenbaum e do filho Bem Gil, o baiano colocou cerca de 500 pessoas no Teatro do Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico carioca, para mostrar o show que levará à Europa em novembro. A apresentação única no país funcionou como uma espécie de teste, aparentemente aprovado pelo público.
O cenário é enxuto: três banquinhos, dois violões e um violoncelo. No palco, a característica simplista do formato acústico se torna grandiosa. Gil dá o tom em seu violão e amplifica as cordas vocais enquanto Morelenbaum constrói um apoio encorpado para os arranjos no violoncelo e Bem acompanha com dedilhados sofisticados no violão.
Com a ajuda de Morelenbaum, Gil pinçou de sua discografia clássicos que não cantava há anos, como "Rouxinol", "A Raça Humana", "Super Homem" e a assobiável "Esotérico". De seu vasto repertório, ele ainda aproveitou para homenagear Dorival Caymmi ("Saudade da Bahia") e Jackson do Pandeiro ("Chiclete Com Banana").
A família também se faz presente nas músicas de Gil. Flora, esposa do cantor, é lembrada na canção que leva seu nome e na inédita "4 Coisas", quando ele atribui à mulher a expressão "meu arroz de festa". A valsa "Das Duas Uma", que ele escreveu para o recente casamento da filha Maria, fecha o pacote das novas composições.
Sozinho sob os holofotes, Gil cantou à capella (apenas batucando em seu violão) uma dramática versão para "Se Eu Quiser Falar", seguindo o mesmo tom em "Lamento Sertanejo" e mudando o clima com a divertida "Alapalá".
Se o público se mantém contido em admiração aos detalhes do show, duas sequências quebram toda a resistência e ganham as palmas e a voz da plateia: "Tenho Sede", "Panis et Circense" e "Estrela", e a que finaliza em "Andar Com Fé" e "Expresso 2222", essa última com o pandeiro de Bem marcando a batida. E para o bis, três clássicos de sua carreira: "Tempo Rei", "Raça Humana" e a animada "Viramundo".
Por enquanto, o show segue como atração exclusiva da Europa. A turnê começa no dia 5 de novembro em Oslo, na Noruega, e visita Portugal, França, Bélgica, Inglaterra, Alemanha, Espanha e Itália. Em março do ano que vem, a excursão viaja para Estados Unidos e Canadá. Segundo Gil, o espetáculo deve ganhar os palcos brasileiros, ainda sem data definida.
Veja as músicas que Gilberto Gil tocou no Rio de Janeiro:
"Flora"
"Esotérico"
"Banda Um"
"Saudade da Bahia"
"Super Homem"
"Rouxinol"
"Metáfora"
"Chiclete Com Banana"
"Das Duas Uma"
"4 Coisas"
"Se Eu Quiser Falar"
"A Linha e o Linho"
"Lamento Sertanejo"
"Tenho Sede"
"Panis et Circense"
"Estrela"
"Seu Olhar"
"La Renaissence"
"Alapalá"
"Andar Com Fé"
"Expresso 2222"
bis
"Tempo Rei"
"Raça Humana"
"Viramundo"

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