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06/11/2009 - 11h15

No Rio, Faith No More retribui dedicação dos fãs com o sucesso "Falling to Pieces"

MARCOS BRAGATTO
Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro
  • André Durão/UOL

    O vocalista Mike Patton durante apresentação da banda Faith No More no Rio de Janeiro (05/11/2009)

No segundo show no Brasil da turnê “The Second Coming”, que marca a reunião do Faith No More, o impagável vocalista Mike Patton se divertiu um bocado. Diante de cerca de 6.000 pessoas, nesta quinta-feira (5), no Citibank Hall, no Rio, gastou um português básico, às vezes misturado com espanhol, noutras com italiano.

Em cerca de uma hora e vinte minutos de show, o grupo tocou 18 músicas, duas a menos que na noite de terça, em Porto Alegre. Em compensação, se curvou aos pedidos do público e tocou uma versão mal ensaiada de “Falling to Pieces”, um dos maiores hits do grupo, raramente apresentada em toda a turnê mundial. “Só porque vocês pediram”, disse o vocalista.

O cover para “Midnight Cowboy”, de John Barry, serviu como introdução para o show, que começou para valer com a magnética “From Out Of Nowhere”. A mesma música que, no Rock In Rio de 1991, num Maracanã lotado, esteve perto de roubar a cena do Guns N’Roses e colocou o Faith No More no mapa do rock brasileiro para sempre. Quase 19 anos depois, a performance de Patton, numa forma extraordinária, foi parecida, e a reação do público também correspondeu, guardadas as devidas proporções. A banda é que parece pouco ensaiada, com os músicos se desencontrando no andamento de algumas músicas, além do abuso de distorções, coisa eventualmente proposital, mas que por vezes passa dos limites.    

Talvez a explicação esteja no fato de o baterista Mike Bordin ser o único --com exceção de Patton-- que seguiu carreira relevante depois da separação do Faith No More, no final dos anos 90. Bordin se destaca em músicas como “Surprise! You're Dead!”. Sem o guitarrista Jim Martin, tudo passa a girar em torno de Mike Patton, que, nessa turnê de retorno, acerta quando se contenta em reviver os bons tempos, mas erra feio quando encarna a caricatura de si próprio assumida em seus inúmeros projetos fora do FNM.

É isso que explica as porra-louquices acrescidas na inóspita (já no título) “The Gentle Art of Making Enemies”, que ganhou um epílogo dedicado exclusivamente ao barulho. Com Patton no comando, os demais integrantes o seguiam com os olhos, em vão, a fim de saber qual o próximo passo. O alívio só veio com “King For a Day”, uma das poucas em que o discreto guitarrista Jon Hudson teve destaque. A outra foi o solo salvador da balada “Easy”, grande sucesso dos Commodores, com Patton no papel de crooner.

“Esta canção é dedicada ao meu primeiro amor, Íris Lettieri”, disse o bem humorado Patton antes de cantar a versão abrasileirada de “Evidence”, numa citação à locutora carioca que processou o Faith No More pelo uso indevido da voz dela no álbum “Angel Dust”. Na bossa de gringo “Caralho Voador”, citou os versos de “Ela é Carioca”, de Tom e Vinícius, em um português bastante razoável, numa homenagem ao Rio de Janeiro. Nem tudo era, porém, brincadeira. Em “Midlife Crises”, o vocalista vira cantor ao trocar os urros por variações vocais raras no mundo do rock, arrancando aplausos. No final da canção, todas as vozes cantaram um trecho à capela, num dos grandes momentos da noite. 

Mas a platéia não se resumiu a isso, interagindo com o grupo em outras passagens, como no hit “Epic”, ou ainda em “Ashes to Ashes”, já na parte final do show, cantando tudo junto, verso por verso. Em “Just a Man”, escolhida para o encerramento, Patton desceu no fosso que separava o palco do público e foi, nas costas de um segurança, dividindo os vocais como quem dá um prêmio aos que se espremiam desde cedo na fila do gargarejo. “Obrigado, cariocas”, disse, ao deixar o palco.

O primeiro bis, com “We Care a Lot”, que tem encerrado boa parte dos shows dessa turnê, indicava que seria o único, mas o grupo não resistiu aos pedidos de “Falling to Pieces” e decidiu voltar ao palco. É que a música não fora ensaiada, foi tocada fora do ritmo original e Mike Patton, como não lembrava mais da letra, pediu ajuda a Bordin para ajudar. Nada que abalasse os ânimos dos dedicados fãs do Faith No More, que, como de hábito, adoraram e vão guardar essa noite para sempre.

A abertura do show coube ao grupo carioca Moptop, cuja sonoridade, identificada com o rock dessa década, de nomes como Strokes, nada tem a ver com o som tipicamente anos 90 do Faith No More. Mas o público pouco se importou – muitos até conheciam as músicas e cantaram junto – e o show serviu como bom aquecimento.

Veja quais músicas o Faith No More tocou no show do Rio:

"Midnight Cowboy "
"From Out Of Nowhere"
"Be Agressive"
"Caffeine"
"Evidence"
"Surprise! You're Dead!"
"Last Cup Of Sorrow"
"Ricochet"
"Easy"
"Epic"
"Midlife Crisis"
"Caralho Voador"
"The Gentle Art Of Making Enemies"
"King For A Day"
"Ashes To Ashes"
"Just a Man"
Bis
"We Care a Lot"
Bis
"Falling to Pieces"

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