UOL Música Notícias
 

08/11/2009 - 04h49

Iggy & The Stooges reestreia com show caótico e repertório perfeito em São Paulo

PEDRO CARVALHO
Colaboração para o UOL
  • Lucas Lima/UOL

    Iggy Pop canta com parte do público no palco do festival Planeta Terra, em São Paulo (07/11/2009)

Foi com direito a invasão de palco, erros perdoáveis e repertório bem escolhido que Iggy Pop e os Stooges fizeram em São Paulo, neste sábado (7), o primeiro show de reunião da formação responsável pelo clássico álbum "Raw Power", de 1973. Ainda que menos animada do que a última visita da banda ao Brasil em 2005 --em parte pela chuva, em parte pela familiaridade menor do público brasileiro com esta fase da carreira do Stooges--, a apresentação não deixou a desejar e foi até mais satisfatória.

Aproveitando o retorno do guitarrista e antigo parceiro de Iggy Pop, James Williamson, o repertório não se restringiu apenas a faixas dos dois primeiros álbuns, como da primeira vez.. Os 16.200 presentes no Playcenter --segundo números da produção-- viram uma mistura bem selecionada do material de "Raw Power", faixas raras da fase final do Stooges que só foram lançads após o fim da banda ("Cock In My Pocket" e "I Got a Right"), músicas do álbum de Iggy e Williamson "Kill City" e do álbum solo do vocalista, "The Idiot" (ambos de 1977).

À meia-noite, a banda formada por Iggy Pop (vocal), James Williamson (guitarra), Mike Watt (baixo), Steve McKay (saxofone e teclados) e Scott Asheton (bateria) começou a apresentação com a faixa-título de "Raw Power", causando impacto com um dos riffs mais marcantes do rock setentista. Em seguida, vieram "Kill City" e o hino "Search And Destroy", que demonstraram que o estilo inconfundível de Williamson não mudou nada durante as décadas em que o guitarrista esteve afastado dos palcos.

Por mais que a maioria dos presentes talvez não soubesse disso, o personagem central da noite era ele, Williamson, de volta à banda após 35 anos. Sem tocar em público desde o primeiro fim do Stooges em 1974, era de se esperar que o guitarrista estivesse receoso e enferrujado. E ele de fato demonstrou sinais disso, precisando da ajuda do roadie e de Mike Watt para se lembrar de algumas bases e chegando a errar partes de "1970" e "I Got a Right".

Sendo o Stooges uma das bandas estandarte do caos no rock e tida desde sempre como o arauto do punk, há coisas mais importantes a se considerar do que o apuro técnico. A cada introdução, solo ou acorde mais forte, a sonoridade inconfundível de Williamson transparecia e mostrava por que ele, basicamente o criador da guitarra punk moderna, é um dos músicos de rock mais influentes de sua geração, ainda que os anos afastado tenham lhe rendido um relativo esquecimento.

Como era de se esperar, Iggy esteve incontrolável. Diante da timidez inicial do público, o vocalista fez seu primeiro ato de rebeldia ao descer do palco durante "Gimme Danger". Foi o embrião do que aconteceria algumas músicas depois, quando o público invadiu o palco no meio de "Shake Appeal".

Mais do que uma mera repetição da invasão ocorrida em 2005, esta foi mais numerosa, mais caótica e mais violenta, com membros do público resistindo fortemente às investidas pesadas dos seguranças. Enquanto isso, Iggy ganhou um beijo na boca de um fã mais exaltado, que terminou sua estadia no palco aparentemente desmaiado.

A banda afiada --com destaque para o ex-Minutemen e Firehose Mike Watt, um dos maiores baixistas de rock do planeta-- conseguiu animar o público após o início tímido. Sucessos como "I Wanna Be Your Dog" (dedicada ao guitarrista original Ron Asheton, morto no ano passado), "The Passenger" e "Lust For Life", que fechou a noite, foram cantados em coro pela plateia.

Após cerca de 1h15 de duração, o show foi encerrado. Boa parte dos presentes foi embora em seguida. Os que ficaram, puderam ver o DJ francês Etienne de Crecy, que conseguiu agitar com seu set de house a fração do público que permaneceu no local após as 2h.

Compartilhe:

    RECEBA NOTÍCIAS

    Hospedagem: UOL Host