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09/11/2009 - 11h44

João Carlos Martins e Chitãozinho e Xororó fazem do sertanejo e do erudito uma só música em show emocionante

ANDRÉ PIUNTI
Colaboração para o UOL
  • Edu Garcia/UOL

    O maestro João Carlos Martins e os cantores Chitãozinho e Xororó na Sala São Paulo (08/11/2009)

Aconteceu neste domingo (8), em São Paulo, o evento “João Carlos Martins e Chitãozinho e Xororó in Concert”, na Sala São Paulo, com a presença da Orquestra Bachiana Filarmônica, regida pelo maestro João Carlos Martins.

O concerto teve início com a apresentação da “Sinfonia no 1” de Beethoven, ainda sem a presença da dupla, sob olhos e ouvidos atentos de um público que ansiava por ver como ficaria a mistura das músicas sertaneja e clássica, e com os quase 1500 lugares da casa ocupados.

Após sua primeira apresentação, Martins levantou-se para dar as boas vindas à plateia e convidar ao palco os irmãos Chitãozinho e Xororó. Antes de a dupla apresentar sua primeira música, “Ave Maria” (Johann Sebastian Bach/ Charles Gounod), Xororó pediu a palavra e se emocionou ao contar que, há 40 anos, sua família havia chegado do Paraná na estação da luz, que fica ao lado da Sala São Paulo. As lágrimas do público durante “Ave Maria”, que contou com Martins ao piano, deram o tom de como seria o andamento do concerto até o fim.

A canção “No Rancho Fundo” (Lamartine Babo e Ary Barroso) foi a primeira canção sertaneja a ser apresentada, seguida por “Evidências” (José Augusto e Paulo Sérgio Valle), um dos maiores sucessos de Chitãozinho e Xororó, na qual, pela primeira vez, foi possível ouvir a voz do público cantando junto.

Aos poucos, a seriedade do concerto erudito foi se misturando com a descontração de parte da plateia formada por admiradores da dupla, e após a apresentação de “Serenata”, de Schubert, que recebeu letra de Edgard Poças exclusivamente para o espetáculo, chegava enfim o momento mais aguardado da noite, o primeiro a ser aplaudido de pé: “Fio de cabelo” (Marciano e Darci Rossi), cantada do começo ao fim pelo público.

Logo em seguida, veio “Majestade, o Sabiá” (Roberta Miranda), que teve em sua introdução uma mistura de viola com orquestra, e também recebeu resposta calorosa do público, que a essa altura já havia deixado de lado qualquer formalidade.

Os arranjos feitos pela orquestra agradaram mesmo quem não era especialista no gênero, mas o assunto mais comentado após a apresentação foi a qualidade vocal de Xororó, que apresentou todas as canções nos tons originais e não desafinou nem mesmo quando a voz ficou embargada durante os momentos mais emocionantes.

A maior comoção da noite foi guardada para a última música da dupla divulgada no programa oficial. A interpretação de “Se Deus me ouvisse”, canção de Almir Rogério gravada pelos irmãos em 1986, deixou a plateia em pé, fez com que o maestro se levantasse, fosse até a dupla e os abraçasse, deixando Chitãozinho e Xororó emocionados.

Em meio a Bach, Beethoven e sucessos de Chitãozinho e Xororó, Heitor Villa-Lobos foi lembrado com “Melodia Sentimental”. Inesperada, também, foi a apresentação da música “Se for pra ser feliz” (Álvaro Socci), inédita, que estará no próximo álbum da dupla.

O encerramento do concerto estava programado para ser feito com a “Sinfonia no 9” de Beethoven, que contou com a presença do coral formado por jovens de Paraisópolis e Carapicuíba, descobertos em um dos projetos sociais do qual o maestro João Carlos Martins participa, mas ainda haveria o bis.

Após a despedida de Martins e da dupla, os três voltaram ao palco para apresentar “Fio de Cabelo” novamente. O ponto final foi dado por Chitãozinho, que usou uma conhecida frase do maestro para resumir a noite: “a música venceu”.

Veja abaixo o programa da apresentação

"Sinfonia no 1 em Do maior Op21" (Ludwig van Beethoven)
"Adagio molto – Allegro con brio"
"Andante cantabile com moto"
"Menuetto (Allegro molto e vivace)"
"Adagio – Allegro molto e vivace"
 "Ave Maria" (Johann Sebastian Bach/ Charles Gounod)
"No Rancho Fundo" (Lamartine Babo e Ary Barroso)
"Evidências" (José Augusto e Paulo Sérgio Valle)
"Serenata" (Franz Peter Schubert/ Letra Edgard Poças – escrita exclusivamente para este Concerto)
"Fio de Cabelo" (Marciano e Darci Rossi)
"Majestade, o Sabiá" (Roberta Miranda)
"Céu de Santo Amaro" (Johann Sebastian Bach/Letra Caetano Veloso e Flávio Venturini)
"Se for pra ser feliz" (Álvaro Socci)
"Sorri" (Charles Chaplin/ Letra Djavan)
"Melodia Sentimental" (Heitor Villa-Lobos)
"Se Deus me ouvisse" (Almir Rogério)
"Sinfonia no 9 em Do menor Op125" (Ludwig van Beethoven)
"Allegro ma non tanto - Prestissimo"

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