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23/11/2009 - 17h30

Massive Attack mostra músicas inéditas que estarão em próximo disco em show em Lisboa

RENATO MENDES
Colaboração para o UOL
Em Lisboa
  • Renato Mendes/UOL

    Massive Attack durante show na Praça de Touros no Campo Pequeno, em Lisboa (22/11/2009)

Os britânicos do Massive Attack fizeram neste domingo (22) a última de suas duas apresentações em Lisboa --a primeira ocorreu no sábado (21)--, na Praça de Touros no Campo Pequeno. O show de domingo começou às 22h20, com três faixas que estarão no próximo álbum da banda: “Bulletproof Love”, “Heartcliff Star” e “Babel”, essa última cantada por Martina Topley-Bird –-responsável por abrir o show do grupo.

Num telão de leds, bandeiras de vários países se fundiam com marcas de empresas e produtos mundialmente conhecidos. Era possível ler frases históricas de autores famosos, em português, como o pensador político Alexis de Tocqueville, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela ou do Nobel da Paz Desmond Tutu.

Atualidades políticas de Portugal e temas polêmicos também foram levados ao palco, por meio de frases e ideias aparentemente soltas. A intenção provocativa que se escondia por detrás das imagens e frases exibidas no telão perderam sentido quando imagens da seleção portuguesa de futebol passaram também a ser reproduzidos.

O público gostou, mas o tema esportivo figurou como um elemento externo que não se relacionou com imaginário apresentado por Robert Del Naja, conhecido como 3D, e Grant Marshall, o Daddy G, líderes do Massive Attack. A informação reproduzida sem cessar no telão e algumas das músicas da banda sugerem um planeta à beira de um colapso político, ambiental, moral e financeiro.

Além de 3D e Daddy G, outros cinco músicos dividiram o palco.  A apresentação foi marcada pela pesença de guitarras, distorções e efeitos que aproximaram o som do Massive Attack de nuances do punk rock, mas sempre contextualizado pela tecnologia da música eletrônica, a principal identidade do coletivo.

O parceiro jamaicano da banda, Horace Andy, participou de canções como “Seeter 16”, mas foi em “Angel” que o público se entusiasmou. O sucesso “Teardrop” foi interpretado por Martina Topley-Bird, que vestia um quimono fluorescente em meio a uma ambientação japonesa. A cantora acompanhada pelo competente Ninja -- baterista, percussionista, guitarrista e malabarista trajado como um guerreiro japonês--, mostrou desenvoltura ao tocar teclado, xilofone e, principalmente, operar um sampler com o qual criava camadas de vozes para construir sua música.

Outra cantora, Deborah Miller, resgatou da memória do público as canções “Safe from Harm” e “Unfinished Simpathy”, essa última bastante aplaudida. No primeiro bis a banda tocou a inédita “Marrakesh”, mas reagiu com mais intensidade nas faixas mais conhecidas, como “Karmacoma”.

Prestes a lançar seu próximo álbum --ainda sem data definida-- os shows atuais da banda funcionam como laboratório para as músicas novas. Em um show marcado por elementos do rock, punk, informações multimídia de impacto e influências orientais, os ingleses de Bristol mostraram em Lisboa que sua música é também instrumento político.

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