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04/12/2009 - 08h00

Banda Gentileza retrabalha referências em disco de estreia e mostra ao vivo em SP

MARIANA TRAMONTINA
Da Redação
  • Diego Cagnato/Divulgação

    Os integrantes da Banda Gentileza, que toca neste sábado em São Paulo

Uma banda que se chama Gentileza atrai curiosidade já pelo nome. E merece atenção quando a simplicidade do título é dissolvida em 12 músicas que fogem daquela fórmula saturada de poucos acordes. De Curitiba, o grupo reuniu uma diversidade de referências sonoras, 16 instrumentos e uma série de jogos de palavras para chegar ao recém-lançado disco de estreia, homônimo, que vem arrancando elogios por onde toca e é ouvido.

Com um álbum independente nas mãos e aparado por uma figura de renome no país, o produtor Plínio Profeta, o grupo curitibano mostra suas músicas ao vivo, mais uma vez, em São Paulo. Dessa vez a Banda Gentileza --que no mês passado lançou o álbum na capital paulista no Espaço +Soma-- se apresenta neste sábado (5) na Funhouse, dentro da festa Urbanaque Apresenta.

A Banda Gentileza é uma big band. Respondem por ela Heitor Humberto (voz, guitarra, violino e cavaquinho), Artur Lipori (trompete, guitarra, baixo e kazuo), Diego Perin (baixo e concertina), Diogo Fernandes (bateria), Emílio Mercuri (guitarra, violão, viola caipira, ukelelê e vocais) e Tetê Fontoura (saxofone e teclado).

O disco, bancado do bolso do sexteto, é o primeiro passo firme da Banda Gentileza, que achou guarida num escaninho da internet: o site oficial da banda, onde foram oferecidas as músicas de graça para ouvidos cansados da mesmice. "A gente não pensou em fazer o CD para vender, apesar de que queríamos recuperar o investimento. Sempre soubemos que a menor parte seria com a venda de discos", contou Heitor por telefone ao UOL Música. E assim a banda foi sendo pescada em acessos curiosos e distribuída link a link. "Em um mês foram feitos 1.300 downloads do disco".

A Banda Gentileza se esbarrou nos corredores da faculdade de comunicação da UFPR (Universidade Federal do Paraná) há cinco anos. O encontro só ganhou base firme quando, durante uma das festas universitárias, o calouro Heitor se ofereceu para cantar suas músicas. Sozinho sob os holofotes dos estudantes, outros alunos resolveram subir ao palco para acompanhá-lo. E foi tudo no improviso. "Eram músicas simples, sem arranjo, mas ficava uma bagunça", ele lembra e cita que entre elas já estavam "Sempre Quase" e "Teu Capricho, Meu Despacho", presentes no disco de estreia.

E mesmo afirmando que ao vivo "ficava tudo muito ruim", Heitor foi convidado para tocar em um festival de cinema em Curitiba. "Aí eu quis fazer direito, chamei alguns deles para ensaiar e nos apresentamos. E consideramos esse show o primeiro oficial da banda", que na época tinha Diogo na bateria, Diego no baixo e Jota Borgonhoni na guitarra. Com essa formação, o quarteto gravou um EP em 2005. O sexteto só ficou completo em 2007, quando Artur e Tetê foram convidados a integrar o grupo para gravar um segundo EP. No ano passado, Jota deixou a banda e Emílio entrou.

Com os seis músicos a bordo, o grupo já havia tomado para si o nome de Heitor & Banda Gentileza. "Eu queria tirar meu nome do título, mas nunca deixaram. Não me sentia muito confortável com isso, parecia que eu era o líder da banda, mas isso não existia. Todo mundo participava igualmente das composições e do processo criativo. Aí com a gravação deste CD dei a cartada final e eles deixaram eu entrar para a banda. Saí da carreira solo", brinca Heitor.

Disco sem rótulos
O registro de estreia foi gravado em dez dias. "Temos cem horas de gravação no total", contabiliza Heitor, lembrando que todo o processo, dos ensaios ao produto final, correu de março a setembro. A produção é assinada pelo premiado com Grammy Plínio Profeta, que já colocou as mãos em trabalhos de Lenine, Pedro Luís e A Parede e Lucas Santtana. "O Plínio veio para dar uma direção nas músicas que a gente não sabia como fechar para o disco. E ele entendeu a proposta da banda e nos deixou bem livres. Ele sabia a cara do disco", conta Heitor.

Na cidade natal, o plano era lançar o trabalho em um show durante um piquenique numa tarde de sábado. O que eles não esperavam era que a idéia fosse literalmente por água abaixo. "Choveu o dia todo, nem a tenda que instalamos na casa foi suficiente. Foi frustrante, tivemos que cancelar na última hora", lembra Heitor. O tempo ruim em Curitiba só deu trégua no dia seguinte. "Levantei cedo e o céu estava azul, um calorão. Era muita ironia", mas também era o dia ideal. "Divulgamos pela internet que estava de pé e conseguimos chamar uma galera. De última hora deu certo. Arriscamos a fazer um evento legal que podia dar errado e que foi muito bacana".

E arriscar não é um problema para a Banda Gentileza. Por isso o álbum soa complexo e palatável ao mesmo tempo. Os arranjos fogem do lugar-comum, mas as músicas têm um modelo pop até a medula. E não adianta rotular. Se a faixa de abertura, "Coración", denuncia o clima latino, o samba marcial de "O Indecifrável Mistério de Jorge Tadeu" desconstrói logo em seguida para emendar com os sons do leste europeu e uma lembrança de vaudeville em "Afinal de Contas". E entre as 12 faixas ainda há a bossinha "Piá de Prédio", a caipira "Teu capricho, Meu Despacho", o rock funkeado "Sintonia", o samba genuíno "Maior Com Sétima" ou a valsa circense "O Estopim".

Aqui não importam as pontas visíveis de influências tão notórias, como os já comparados Los Hermanos ou mesmo os pernambucanos do Mombojó ou um pouco de Móveis Coloniais de Acaju. A diferença do trabalho da Banda Gentileza está no rumo que as influências assumem nessa trajetória: referências que fogem da cópia sem personalidade e pulam direto ao enriquecimento de um perfil delineado em diversas camadas de possibilidades. Sem crise de identidade. Uma gentileza para os ouvidos.


BANDA GENTILEZA EM SP
Festa Urbanaque Apresenta

Quando: sábado (05), a partir das 23h
Onde: Funhouse (Rua Bela Cintra, 567, Consolação)
Quanto: R$ 10 (mulheres) e R$ 15 (homens)
Informações: 0/xx/11/3259-3793
Censura: 14 anos

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