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14/04/2010 - 12h18

"Sertanejo universitário é uma das fases da música sertaneja, não tem de ser negativo", diz cantor João Bosco

ANDRÉ PIUNTI
Colaboração para o UOL, em São Paulo
  • Os cantores João Bosco (esq) e Vinícius em foto de divulgação

    Os cantores João Bosco (esq) e Vinícius em foto de divulgação

Uma das duplas sertanejas mais bem sucedidas de 2009, graças ao hit "Chora, Me Liga", os amigos João Bosco e Vinícius lançaram no começo de abril o CD ao vivo "Coração Apaixonou", o sexto da carreira. A versão em DVD está prevista para chegar às lojas no final do mês.

Além do  sucesso de "Chora, Me Liga", a dupla surgida em Campo Grande também figurou nas paradas com a música "Curtição", teve a canção "Coração só vê Você"  na trilha sonora da novela "Paraíso", da Globo, e recebeu disco de platina pelas vendagens do álbum "Curtição", indicado ao Grammy Latino.

"Coração Apaixonou" foi gravado ao vivo em Ribeirão Preto, em dezembro passado, e traz regravações de sucessos da dupla, além de faixas novas e uma inusitada versão para "A Cruz e a Espada", do RPM. O registro  do show ainda conta com a participação de Leonadro, com quem a dupla dividiu a canção "Deixaria Tudo", um dos primeiros sucessos da carreira solo do cantor.

Em entrevista ao UOL, o cantor João Bosco, de 28 anos, falou sobre o lançamento, a admiração da dupla por Leonardo e diz que não se incomoda com o rótulo de sertanejo universitário. "É uma das fases da história da música sertaneja, não precisa ser negativo", disse o cantor.

Leia abaixo os melhores momentos da entrevista concedida por João Bosco ao UOL.

UOL - Como foi pensado o repertório desse novo disco?
João Bosco - A gente emenda um trabalho no outro. Logo que acabamos de gravar o "Curtição", nosso trabalho do ano passado, já começamos a nos preocupar com o repertório desse atual. Não sabíamos como seria nosso trajeto no ano passado, ou como a gente estaria um ano depois. O trabalho começou cedo, antes mesmo de decidir se haveria um DVD ou não. Nesse trabalho novo, colocamos sete músicas inéditas, uma regravação da música "A Cruz e a Espada", do RPM, e uma participação muito especial do Leonardo, que cantou com com a gente a música "Deixaria Tudo", que é um sucesso dele.

UOL - O ano passado foi o de maior sucesso na carreira da dupla. Vocês já sentem uma cobrança bem maior em relação a esse novo trabalho?
Bosco - Temos consciência do que significou o ano passado pra gente. Sucesso é difícil alcançar, tem que ter muita bagagem, mas manter esse sucesso é mais complicado ainda. Sentimos, sim, a responsabilidade, não só de quem é do meio, mas de quem convive com a gente, dos fãs, de todo mundo. O que eu posso dizer é que fizemos tudo para sair um trabalho com muita qualidade. Sei que tem muita gente esperando coisa boa nossa, e foi o que nos propomos a fazer. Quando o DVD chegar às lojas, as pessoas vão poder ver a magnitude do trabalho que fizemos.

UOL - Como surgiu a ideia de convidar o Leonardo para participar do projeto?
Bosco - Admiramos o Leonardo desde garotos, não só pela música, mas pela pessoa, pela humildade dele. Sabemos que ele elogiou algumas canções que regravamos dele, e acabou que nós nos aproximamos por meio do empresário dele. Cantamos "Deixaria Tudo", uma dos primeiros sucessos dele como cantor solo. Pra gente, foi uma honra enorme.

UOL - A música "A Cruz e a Espada", do RPM, que vocês regravaram, não tem a ver com sertanejo. Vocês eram fãs da banda?
Bosco - Comentamos na gravadora sobre uma vontade que a gente tinha de regravar um rock ou pop dos anos 1980, e nos passaram a ideia de ouvir essa música. Como a gente já a achava maravilhosa com o RPM, e ela também foi gravada pelo Renato Russo, que é um ícone da nossa música brasileira, a gente acabou escolhendo ela. Nós demos uma cara nova, mas não tiramos a essência dela, os tecladinhos tradicionais estão lá. Gostamos bastante.

UOL - Essa mistura de estilos é bem característica do novo sertanejo, do qual vocês são pioneiros. De um tempo pra cá, o termo "universitário" tem sido usado como uma forma de menosprezar quem faz esse tipo de música. Isso incomoda vocês?
Bosco - Tudo o que é novo choca de alguma forma, é normal. O sertanejo universitário foi um rótulo criado, mas acima de tudo, ele é uma das fases da história da música sertaneja, e não precisa ser negativo. Era caipira, depois virou sertanejo, veio o sertanejo moderno com o Zezé di Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, com o Chitãoinho e Xororó, e agora veio o universitário. Eu fico até lisonjeado por você dizer que nós somos os pioneiros, por que o que a gente fazia era sentar nas festas e tocar para o público da nossa faculdade. Eu sou formado em odontologia e o Vinícius parou no último ano de fisioterapia, e a gente conseguiu pegar público desses cursos também, não só de zootecnia ou agronomia, cursos que tem mais proximidade com a música sertaneja. Temos muito orgulho de fazer parte dessa história, de ter ajudado. Independentemente de qualquer coisa, tudo o que você ouvir da gente, todo o trabalho que a gente faz, é sincero, é de coração.

UOL - Mas serem rotulados de "sertanejo universitário" incomoda vocês?
Bosco - Não, de maneira nenhuma. Hoje a gente conseguiu ampliar nosso público, tem gente de mais idade, mais crianças também que gostam do nosso trabalho, e acho que foi um caminho bem natural, fez parte do crescimento da dupla. Isso tudo faz parte da nossa história e temos muito orgulho dela.

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