Onde estou?

O Grammy é talvez a mais previsível e reacionária premiação da indústria do entretenimento. Ele não premia os artistas melhores ou mais inovadores. Seu foco são aqueles que já têm o reconhecimento do público. E, nesse sentido, é um prêmio também redundante, pois apenas reafirma o sucesso, sem apontar novos caminhos para a música.
Para deixar a situação ainda mais complicada, parecia que o clima de festa da premiação em 2012 iria por água abaixo, com a morte, na véspera, de Whitney Houston, uma das artistas de maior sucesso comercial da história e três vezes vencedora de um Grammy de melhor cantora. Mas quem esperava que a noite fosse engolida por homenagens póstumas, se enganou.







Whitney é uma artista de importância fundamental por fazer a ponte entre as divas soul do passado e as cantoras atuais, mas, a rigor, sua carreira já não existia há mais de dez anos (seu último Grammy é de 2000). Dessa forma, suas homenagens em uma premiação voltada para artistas de sucesso foram mantidas num registro mínimo.
E mesmo o número principal de seu tributo teve uma cara ambígua. Como uma convidada que vai vestida de branco num casamento para ofuscar a noiva, a cantora Jennifer Hudson parecia mais preocupada em se exibir do que em prestar homenagem a Whitney com sua versão de “I Will Always Love You”.
A premiação sinalizou também um certo cansaço do Grammy com cantoras espetaculosas, tipo Lady Gaga e a nova sensação bufa Nicki Minaj. Ambas, com múltiplas indicações, voltaram para casa de mãos vazias. Em vez delas, o evento preferiu consagrar Adele, uma cantora de voz excepcional a serviço de um repertório banal.
No geral, como convém a um evento que preza a previsibilidade, a noite transcorreu sem surpresas, e os enxertos no roteiro não alteraram substancialmente o curso da premiação.
Abaixo, alguns destaques da noite, que, em seus melhores momentos, teve até toques de humor (ainda que involuntários).
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Mico Depois de chegar acompanhada por um homem fantasiado de papa, Nicki Minaj fez uma apresentação arrastada com citações ao musical “West Side Story” e ao filme “O Exorcista”. Ao final, acabou numa plataforma suspensa, como se estivesse levitando. O gran finale lembrou o do show de Cláudia Leitte no Rock In Rio, algo não muito positivo… |
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A voz voltou Três meses após uma cirurgia nas cordas vocais, Adele mostrou que está recuperada e começou a cantar “Rolling in the Deep” direto pelas notas agudas do refrão, pra não deixar dúvidas. Ao final, não conseguiu conter uma gargalhada de satisfação. |
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Boca cheia Ao fim da apresentação de Adele, na plateia, Rihanna parecia ter dificuldade para acabar de mastigar e engolir alguma coisa. Um gif animado com a imagem da cantora de boca cheia logo apareceu no Twitter, criado por fãs que assistiam à transmissão do show. “O que ela estava comendo?” era a pergunta. |
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A voz sumiu Paul McCartney subiu ao palco duas vezes. Primeiro cantou “My Valentine”, de seu disco novo, “Kisses on the Bottom”, depois encerrou a premiação com “Golden Slumbers”. Nas duas apresentações, sua voz parecia rouca e embotada. |
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Pérolas O DJ Júlio Mazzei deleitou aqueles que acompanhavam a cobertura do Grammy pelo TNT, com tradução simultânea. Seus palpites equivocados sobre vencedores, gritos de “bravo” e comentários sem sentido (“Adele tem 22 anos! Imagina ela aos 35!”) chegaram a dar saudade de Rubens Ewald Filho comentando o Globo de Ouro. |
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Enquanto isso… No SBT, o cartunista Laerte explicava a Marília Gabriela que adora frequentar certa pizzaria em São Paulo, onde se sente “superbem”, mesmo vestido de mulher… Muito mais divertido do que o Grammy, convenhamos. |
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