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20/03/2004 - 15h22
Clubes de jazz de Berlim celebram 85 anos de Nat King Cole



BERLIM, 20 mar (AFP) - O mundo do jazz presta homenagem a Nat King Cole neste fim de semana nos "hot clubs" de Berlim. O pianista e cantor nascido em Montgomery, Alabama, a 17 de março de 1919, completaria 85 anos.

Junction e o Jazz Club, assim como a Jazz Radio de Berlim, entre outros, prepararam noites especiais para brindar algumas das dezenas de bem-sucedidas canções interpretadas por Cole ao longo de sua brilhante mas breve carreira.

Sempre se diz que o que chamamos morte não é senão o começo da vida. E esse parece ser o caso de Cole, que morreu aos 45 anos de câncer de pulmão, a 15 de fevereiro de 1965.

Grupos e vocalistas europeus e americanos se uniram na comemoração, preparada há meses com edições especiais de discos (Capitol/Blue Note/Delta).

Desde suas primeiras canções, como "Straighten Up and Fly Right", passando por "Mona Lisa", "Too Young", "Route 66", "Non Dimenticar", "Rambling Rose", e suas interpretações em espanhol, como "Ansiedad" e "Perfidia", Cole passou à história como um dos cantores de maior sucesso.

A revista Billboard registrou em suas listas 76 canções, várias delas liderando as relações de maior popularidade.

O jazz perdeu um grande pianista, lamentam alguns. Mas a música popular ganhou um inesquecível intérprete, afirmam com satisfação os públicos de todo o mundo há várias gerações.

Uma mescla de talento, perseverança, técnica e sorte foi o que elevou Cole à fama. Nathaniel Adam Cole, seu nome verdadeiro, tocava piano com seu peculiar trio de jazz. Era algo original para a época e havia formado casualmente em 1937 com o guitarrista Oscar Moore e o contrabaixista Wesley Prince.

No dia da estréia no Hollywood's Swanee Inn não apareceu o baterista. Mas os três músicos comprovaram que isto não era nenhum problema. E a partir daí prescindiram da percussão.

"Estas pessoas costumam se ler mutuamente as mentes, é incrível", dizia nada menos que Count Basie sobre o grupo.

A sorte e a imortalidade chegaram a Nat em forma de um cliente bêbado. Certa noite tocava em um clube quando um dos fregueses, meio alcoolizado, insistia em que Cole cantasse sua canção favorita.

Ele não queria fazê-lo, porque então somente tocava piano e não era cantor profissional. Mas o dono do local o convenceu para que não houvesse problemas com o obstinado cliente. E assim foi como o mundo do jazz descobriu uma voz cálida e absolutamente excepcional.

Em 1950 ganhou fortuna em Cuba, onde gravou alguns dos boleros mais famosos da época: "Quizás, quizás, quizás", "Te quiero dijiste" e "María Elena". "Cole en español", seu primeiro long-play neste idioma, teve um sucesso espetacular no mundo de fala hispânica. O que se repetiu em outros dois álbuns, um gravado no Brasil (1959), alternando canções em português, e o outro no México (1961).

Sambas, boleros, rancheras, cha-cha-chás e até um tango, "El Choclo", dos argentinos Angel Villoldo e Enrique Santos Discépolo, levaram Nat King Cole à fama, aceitado como poucos intérpretes por públicos bem diversos, graças ao seu particular encanto.

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