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16/10/2006 - 18h46CBGB, o lendário clube alternativo de Nova York, fecha as portas
Por James Hossack NOVA YORK, 16 out (AFP) - Depois de mais de 30 anos reunindo bandas de rock alternativas, o clube CBGB de Nova York, lar espiritual do punk americano, fechou as portas neste domingo, após um show de despedida de Patti Smith. Descrito em 1975 pela revista musical "NME" como "um banheiro, um pequeno clube nojento" e por sua própria clientela como "um pequeno e imundo buraco escuro inundado de cerveja", o CBGB ganhou fama de templo sagrado para a geração punk. Considerado por muitos o berço do rock 'underground', o clube havia sido criticado por não conseguir cultivar novos talentos da forma como fazia há 30 anos, mas conseguiu atrair centenas de fãs em seu último show deste domingo, com longas filas de pessoas ansiosas para participar da história musical americana. As paredes do clube estavam cobertas por camadas e camadas de folhetos e a lista de artistas que subiram no seu palco desde sua inauguração, no fim de 1973, é como o hall da fama do punk rock. O CBGB, ao qual se atribui a descoberta de Patti Smith e dos "vovôs do punk", The Ramones, sucumbiu ao capitalismo, engolido pela forte alta dos preços imobiliários e seu dono, Hilly Kristal, afirma que não consegue pagar o aluguel de US$65.000 mensais que o senhorio exige. "Eles me querem fora e de qualquer forma não posso pagar", disse à AFP. Kristal, de 70 anos, disse que quer reabrir o clube, possivelmente em Las Vegas, mas Patti Smith já disse que lá não irá. "Tivemos um trabalho em Las Vegas há quatro anos e vendemos 85 entradas, e cancelaram o espetáculo, e prometi que nunca voltaria. Quando só se vende 85 entradas de 2.000 não volta a esta cidade", disse Smith no domingo, antes de começar o show. Ela descreveu o CBGB como "um estado de espírito", mas considerou que as novas gerações buscarão novos locais para ir. "O que acontecerá com o CBGB é que os jovens do mundo inteiro terão seus próprios clubes e não se importarão com o CBGB porque (...) os novos lugares sempre são os mais importantes", disse a roqueira. "As novas gerações (...) farão o mesmo que nós. Encontrarão algum buraco imundo e tocarão ali", acrescentou Smith, que fará 60 anos antes do fim do ano. O clube, cujo nome oficial CBGB OMFUG - Country, Bluegrass, Blues and Other Music For Uplifting Gormandisers - e logo virou CBGB ou CB, chegou a entrar na letra de "Life During Wartime", da banda Talking Heads. Um cliente anônimo que esteve no clube pela última vez contou que esteve 50 vezes no CBGB e que lembrava especialmente do líder do Talking Heads, David Byrne, subindo no palco com uma guitarra acústica e um amplificador para tocar "Psycho Killer" no fim dos anos 70. "Estivemos aqui 30 anos atrás e estamos aqui esta noite para ver tudo. Foi bom, durou muito tempo, agora vai terminar e queríamos estar aqui estar com as pessoas no final", disse. Mas o fã anônimo, assim como Patti Smith, descartou seguir o CBGB caso o clube reabra em Las Vegas. "Nem em um milhão de anos", afirmou.
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