PARIS, 19 jan (AFP) - O 41º Midem (mercado internacional do disco e da edição musical) será inaugurado neste fim de semana, em Cannes, depois de um 2006 marcado por uma nova queda das vendas de discos, que nem sempre é compensada pela internet e pela telefonia móvel, apesar da tentativas da indústria da música.
O mercado internacional do disco e da edição musical começará no domingo e será precedido no sábado pela MidemNet, consagrada às novas tecnologias.
Este grande evento anual é uma oportunidade para a indústria tentar detectar as próximas tendências, algo importante num setor sempre revolucionado pelas novas tecnologias.
Essas mutações constantes não permitem que os atores tenham uma visão clara do futuro e impedem a emergência de um modelo econômico duradouro. A indústria costuma proceder por conjecturas e age com cautela.
Na França, depois de um ano de 2005 quase estável, as vendas físicas caíram 14% em valor e 27% em volume em 2006. O mercado perdeu 40% de seu valor em quatro anos.
Embora a internet e os celulares tenham aumentado 40% e respondam hoje por quase 45 milhões de euros (bruto sem taxas), eles só representam até agora 5% do setor (20% nos Estados Unidos, um motivo de esperança para os produtores franceses).
O mesmo ocorre no mundo: os lucros do setor digital (internet e celulares) dobraram em 2006 (2 bilhões de dólares e 10% do mercado total contra 1,1 bilhão e 6% em 2005), mas não compensam a queda das vendas físicas.
Paralelamente ao desenvolvimento de plataformas de download legal, a indústria mantém um olhar atento para os fenômenos que agitam a internet, como os sites comunitários do tipo YouTube e MySpace, para saber como poderia lucrar com eles.
Da mesma forma, a música gratuita financiada pela publicidade é um modelo pelo qual as gravadoras começam a se interessar.
O grande problema da indústria continua a ser o download gratuito através das redes P2P (peer-to-peer, de computador a computador). Diante desta dificuldade, o VirginMega e o Fnacmusic, respectivamente os numeros 2 e 3 da venda de música on-line na França, atrás da Apple e de seu site iTunes, lançaram uma inovação no início desta semana.
Em virtude de um acordo com selos independentes, eles vão vender trechos de músicas no formato MP3. Ou seja, sem DRM, uma espécie de trava que a grande maioria das gravadoras considera necessária para a proteção dos arquivos, mas que restringem as condições de utilização para o usuário. As conferências do Midem abordarão ainda temas como o vínculo entre música e imagens, a música "live", sempre em expansão, e os contratos (tema sintomático das reviravoltas do setor).