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11/03/2008 - 14h25
Sucesso na voz de Roberto Carlos, "Amigo" vira hino fúnebre na Colômbia



Felipe Panfili /Ag News

Roberto Carlos em cruzeiro no Rio de Janeiro (25/02/2008)

Roberto Carlos em cruzeiro no Rio de Janeiro (25/02/2008)


Um sucesso de Roberto Carlos virou uma espécie de "hino à amizade" na Colômbia, onde é cantado em despedidas, homenagens e até velórios. Quinze anos depois de sua gravação, "Amigo" (1993) - versão em espanhol de Sérgio Bardotti para a canção em português homônima de 1977 - continua vencendo o tempo e fazendo sucesso entre colombianos, segundo reportagem da BBC Brasil em Bogotá.

A boa aceitação do "rei" reflete o sucesso de artistas populares brasileiros nos mercados da América do Sul. No dia-a-dia, a proliferação das versões em espanhol de canções românticas brasileiras, assim como turnês de músicos brasileiros, contrasta com a rara presença da cultura hispano-americana no mercado do vizinho maior.

Roberto Carlos é um dos artistas de grande sucesso na América do Sul. Em 1992, foi cercado por uma multidão em Mar del Plata, na Argentina, e coberto de beijos, segundo sua assessoria. Neste ano, a agenda do cantor inclui, até o meio do ano, o lançamento de seu novo CD em espanhol, além de um show na Argentina e uma turnê por Peru, Colômbia e Equador.

A aposentada Dora Rey diz que "Amigo" é um "hino" na Colômbia. "Aqui, quando essa música toca indica sinal de respeito", conta Dora. "Dedica-se a canção a um amigo especial, um parente especial e aos pais", revela.

Aos 19 anos, o estudante Sergei Gómez também afirma ter cantado a versão espanhola de "Amigo" muitas vezes ao longo da vida. "Em meu colégio, cantávamos esta música para as despedidas dos amigos que terminavam a escola secundária. A letra é muito bonita e fala das vivências e dos momentos que se desfruta com os amigos, é sobre a amizade", explica.

O médico Álvaro Trujillo, que lamenta o pouco sucesso das músicas tradicionais e afirma que "o rock não deveria existir", elogia a beleza da canção de Roberto Carlos. Ele ressalta que a obra passou a ser "solicitada" até em enterros. "A música é ouvida nas ruas, falam muito dela. E se morre um amigo próximo, às vezes o enterram com esta música", afirma.

Mas nem todos os colombianos concordam com a coroação do "rei" Roberto. Para Kelly Marlene, que se descreve como oriunda da década de 70, as músicas do passado trazem nostalgia. "Há músicas que voltam à moda, mas as de hoje são mais animadas. Escutar essas músicas antigas entristece a alma", lamenta.


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