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06/09/2004 - 16h01
Empresários do hip-hop fazem da cultura urbana um negócio multimilionário


Nova York, 6 set (EFE).- O hip-hop, movimento cultural urbano que emergiu dos guetos negros dos Estados Unidos, tornou-se um fenômeno comercial multimilionário, popularizado por empresários visionários da indústria musical.
Um deles é o magnata Russell Simmons, atual proprietário da Rush Communications, um império comercial que gera milhões de dólares com a venda de discos, roupas, telefones celulares, relógios, bebidas energéticas e cartões de crédito aos fãs do hip-hop.
A Rush Communications, que, além disso, promove novos talentos e produz cinema e televisão, é considerada uma das maiores e mais bem-sucedidas empresas de propriedade afro-americana dos EUA.
Simmons iniciou seu império em 1983, quando fundou a Def Jam Recordings, uma gravadora que impulsionou as carreiras de artistas como os Beastie Boys e o Public Enemy, e que depois o empresário vendeu à Universal Music para abrir outros negócios. Nestes últimos 20 anos, Simmons também se converteu em uma figura pública com uma agenda política que inclui a campanha para a eliminação da polêmica lei Rockefeller, uma medida de "pulso firme" contra quem comete crimes relacionados ao tráfico de entorpecentes promulgada em 1973 no estado de Nova York.
Suas campanhas também se concentraram no tratamento ético dos animais e no pedido do pagamento de indenizações aos descendentes de escravos.
Esse poder mantém Simmons sob o olhar do público e há quem o critique por ter contribuído para criar uma atividade econômica que atenta contra os valores familiares e celebra o crime, o sexo e as drogas, principalmente através da música. Simmons não parece se preocupar com as críticas negativas, nem com a possibilidade de perder mercado para seus concorrentes, os rappers Jay-Z e P. Diddy, (ex-Puff Daddy).
Ambos possuem suas próprias gravadoras e marcas de roupa, mas não praticam a filantropia como Simmons: a Rush Philantropic Arts Foundation doa 25 milhões de dólares por ano para a promoção da arte.
Outro empresário do hip-hop que avança a passos largos é Andre Harrell, produtor musical que ajudou P. Diddy em seus primeiros passos e foi presidente do famoso selo Motown Records. Agora, Harrel empreende uma aventura no ramo da publicidade. Através de sua companhia, Nu América, Harrel prepara campanhas para a Tommy Jean (marca do desenhista Tommy Hilfiger), Footaction EUA e a fundação do Teatro Apollo, uma instituição negra no coração do Harlem. Segundo os especialistas, o fenômeno dos empresários do hip-hop, que fizeram da cultura urbana um negócio com sua própria publicidade e novas técnicas de marketing, não têm precedentes, nem sequer em estilos como o rock and roll e o country.
Entre os críticos está o diretor musical do Public Enemy, Brian Hargrove que, em uma entrevista ao jornal "The New York Times", considerou que "a música negra era a mais inspiradora do mundo, mas agora se transformou na mais destrutiva do planeta". Em sua "Análise da liderança de Russell Simmons", o escritor afro-americano Amadi Ajamu afirma que, "como um faca de dois gumes, a cultura pode ser manipulada para que nós, os oprimidos, ganhemos a batalha da autodeterminação ou para que nossos opressores nos mantenham escravizados".
Segundo Ajamu, o hip-hop, criado nas ruas por jovens que desafiavam o status quo, exemplificava a criatividade inata, a consciência social e a autodeterminação dos afro-americanos, como uma espécie de "voz da resistência".
"Agora o hip-hop é totalmente controlado por grandes corporações e os artistas promovidos pelos empresários do setor refletem uma criminalidade mesquinha e superficial e um materialismo individual e vulgar que desgasta nossa luta coletiva", escreve.
(Por Alejandra Villasmil)

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