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07/08/2005 - 03h29
Morre o cantor cubano Ibrahim Ferrer, do Buena Vista Social Club


O cantor cubano Ibrahim Ferrer, um dos destaques do projeto musical Buena Vista Social Club, morreu no último sábado (6), em Havana.
Ferrer, 78, morreu no hospital CIMEQ de Havana durante a tarde, segundo seu neto Kelman Valdés, que não quis dar detalhes da causa da morte.
Seu trabalho mais reconhecido foi "Buena Vista Social Club", no qual Ibrahim gravou doze dos quatorze temas do disco e teve o prazer de colaborar com muitos dos intérpretes que sempre admirou, como Omara Portuondo, Rubén González, Compay Segundo, Elíades Ochoa e Barbarito Torres.
No ano passado, Ibrahim, declarou haver conseguido um dos grandes sonhos de sua vida: gravar um disco somente de boleros. Durante toda sua carreira, o músico afirmava ter sido criticado por "cantar mal" esse gênero. A maior parte de sua discografia é dedicada ao son, considerado o gênero musical cubano por excelência.
Nasceu em 27 de fevereiro de 1927 na localidade de San Luis, na província de Santiago de Cuba, o berço do son.
Sua mãe morreu quando ele tinha apenas 12 anos, e embora tivesse a intenção de ser médico teve que ganhar a vida vendendo pipoca até se juntar a um primo no grupo "Jóvenes del Son", para cantar nas festas do bairro.
Depois continuou cantando em outras bandas locais como os conjuntos "Sorpresa", "Wilson" e o de Pacho Alonso.
Em 1955 teve um bem-sucedido disco, "o Plantanar de Bartolo", com a orquestra mais popular de Santiago, Chepín-Chóven. Isto lhe deu certa fama local, mas a canção saiu sem seu nome no resto do mundo.
"Eu teria adorado se meu nome tivesse se tornado conhecido", dizia, "mas isso nunca ocorreu. Pelo menos tive a satisfação de saber que essa música ficou famosa".
Mudou-se para Havana em 1957 e trabalhou com a lendária Orquestra Ritmo Oriental e o grande "sonero" Benny Moré, antes de se reunir com o grupo de Pacho Alonso e Los Bocucos.
Ao longo de sua carreira, Ferrer acreditou estar marcado pela má sorte e a má fé de outros músicos. "Com Pacho Alonso e Benny Moré senti que estava fazendo algo importante, mas sempre fiquei na sombra. Eu me sentia amado pelo público, mas não pelos meus colegas".
Ferrer permaneceu com Los Bocucos até sua aposentadoria, em 1991. Costumava dizer que seu primeiro sentimento ao deixar a música foi de alívio, quando decidiu se aposentar. O próprio cantor disse em entrevista à EFE que tinha se distanciado da música porque tinha se "desencantado".
Mas em 1996, o músico cubano, Juan de Marcos González, teve a idéia de reunir um grupo de antigos "soneros" de várias gerações e foi buscar Ibrahim no popular bairro havanês de Jesús María, onde vivia, para propor sua participação no projeto "Buena Vista Social Club".
Quando chegou aos estúdios de gravação, Ferrer se encontrou com "gente que tinha admirado em toda a minha vida", como o pianista Rubén González, o trovador Compay Segundo, o cantor Eliades Ochoa, Barbarito Torres, e Guajiro Mirabal.
"Elíades Ochoa me viu e começou a tocar a melodia de Faustino Oramas que eu canto, chamada 'Ay Candela'. Ry Cooder e Nick Gold estavam na sala de controle. Eu não sabia quem eram, mas parecia que gostavam da minha voz. E quando cantei o bolero 'Dos Gardenias', realmente se fixaram em mim. Ainda não posso crer que fui ali para gravar só um tema, e acabei cantando quase todos. E fui escolhido como cantor de boleros!".
O resultado do disco, lançado em 97, marcou definitivamente o futuro de Ferrer, que conseguiu já setuagenário levantar paixões nos mais diversos palcos do mundo. Em 99, o projeto virou um documentário dirigido pelo alemão Wim Wenders, o que ajudou a consolidar ainda mais a imagem e o nome do grupo e de seus integrantes.
Dotado de uma impressionante voz, Ferrer cantava mais sons que boleros, e desenvolveu em uma carreira de sucessos internacionais como nunca imaginou a partir de sua aparição no famoso disco do Buena Vista ganhador de um Prêmio Grammy.
Transformado em uma estrela internacional, durante os últimos anos Ferrer girou quase constantemente por todo o mundo, com uma banda que é para ele como um "sonho tornado realidade", com músicos da estatura de "Guajiro" Mirabal -"o melhor trompetista que conheci" - e Cachaíto, considerado geralmente como o melhor baixista de Cuba.
Além de um Grammy com o disco "Buena Vista Social Clube", Ibrahim Ferrer ganhou um Grammy Latino na categoria de Melhor Música Tropical Tradicional por seu trabalho em "Buenos Hermanos" (2004).
Ibrahim Ferrer acumulou nos últimos anos inúmeros discos de ouro, ganhou o prestigioso prêmio MOBO no Reino Unido, e foi premiado na categoria "Músicas do Mundo na América" com o prêmio da BBC Rádio 3, em 2004.
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