PÁGINAS ESPECIAISSITES
![]() |
06/09/2007 - 10h52Itália chora com a morte de Pavarotti, uma de suas figuras mais amadas
Juan Lara Roma, 6 set (EFE).- A Itália chorou hoje com a notícia da morte de uma de suas figuras mais respeitadas e conhecidas mundialmente, o tenor italiano Luciano Pavarotti aos 71 anos, em sua cidade natal, Módena (norte), em função de um câncer de pâncreas diagnosticado em 2006. Pavarotti morreu por volta das 5h de hoje (meia-noite em Brasília) na sua casa em Santa Maria de Mugnano, nos arredores da cidade de Módena, na região da Emília-Romanha. Até o último minuto, o tenor lutou contra o câncer "com uma atitude positiva", segundo o seu agente, Terri Robson, no comunicado que anunciou a morte. "O maestro teve uma dura batalha contra o câncer de pâncreas que no final o tirou a vida. Até o último momento manteve a atitude positiva que caracterizou sua vida e seu trabalho", afirmou Robson. No momento da morte, estavam ao lado de Pavarotti sua esposa, Nicoletta Mantovani, as filhas Lorenza, Cristina e Giuliana (do primeiro casamento, com Adua Veroni) e Alice, de quatro anos. Também estavam presentes a irmã Gabriella, mais sobrinhos e um reduzido grupo de amigos, informou Robson. Pavarotti esteve sempre "muito sereno", consciente da situação e tentando lutar contra a doença, segundo o médico oncologista Antonio Frassolati, que o atendeu durante os últimos dias. O médico disse ter ficado muito impressionado com "a personalidade, o desejo de viver e de estar sempre presente em todas as decisões" do tenor. Segundo parentes e amigos, Pavarotti nunca perdeu o bom humor. Logo após a divulgação do falecimento, as televisões e rádios italianas começaram a divulgar a notícia, tendo ao fundo sua voz e as árias e óperas que levaram Pavarotti à condição de um dos nomes mais importantes da música lírica. O prefeito de Módena, Giorgio Pighi, foi o primeiro a expressar tristeza pela notícia e anunciou que vai propor que o famoso "Teatro Comunale" seja dedicado ao tenor. "Um grande artista, um homem bom nos deixou. Pavarotti deu prestígio a Módena", afirmou Pighi, destacando que era o tenor era uma pessoa de "grande generosidade". Pavarotti será enterrado no sábado, após um funeral na Catedral de Módena. A morte do tenor foi divulgada poucas horas depois que a imprensa italiana divulgou declarações nas quais Pavarotti agradecia o "Prêmio Excelência na Cultura da Itália" concedido na véspera pelo Governo italiano. Depois desse agradecimento, os meios de comunicação souberam que seu estado tinha piorado. O tenor foi internado no dia 8 de agosto no Hospital Policlínico de Módena por causa de uma infecção pulmonar, descoberta quando ele se recuperava em casa nas colinas de Pesaro (costa adriática italiana), e teve alta em 25 de agosto. Desde então e até hoje, uma equipe médica cuidou do italiano em casa. O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, afirmou que um dos grandes méritos do tenor foi "ter levado pelo mundo a imagem artística mais autêntica do país, provocando emoções e divulgando paixão e cultura". "Com a morte de Pavarotti desaparece uma das grandes presenças da Itália no mundo. Foi o embaixador da nossa música, da nossa cultura e da nossa tradição", disse o ex-premier e líder da oposição, Silvio Berlusconi. O maestro Zubin Mehta, que na Itália dirige o festival lírico "Maggio Fiorentino" em Florença, destacou a grande amizade com o tenor e assegurou que "sua voz agora ressoa em todo o universo, em qualquer lugar onde estiver". A cantora Laura Pausini - com quem o tenor cantou durante os concertos "Pavarotti & Friends" - comentou que "conhecer Luciano e estar perto dele" foi o melhor presente que podia receber em sua vida profissional. A também cantora Katia Ricciarelli assegurou que Pavarotti foi "o (maestro austríaco) Herbert von Karajan dos tenores". Centenas de telegramas de pêsames de personalidades de todo o mundo chegam a Módena e milhares de italianos usaram fóruns na internet expressaram luto. "Obrigado por ter existido. Agora você alegra os coros celestiais", dizia uma das muitas mensagens escritas pelos italianos para lembrar uma figura que não foi só um grande tenor, mas uma pessoa próxima, de personalidade afável e muito querida em seu país. Os jornais abriram fóruns em suas edições eletrônicas para que os cidadãos pudessem falar sobre a perda de Pavarotti. "O coral dos anjos quis levar sua voz mais bonita", segundo uma mensagem no site do "La Stampa". Uma das suas interpretações mais lembradas é a da ária "Nessun Dorma", da ópera "Turandot", de Puccini, que hoje pode ser escutada repetidamente nas televisões e rádios de todo o país. Ela conclui com o verso "Vincerò", imortalizado na voz do tenor.
|
|
![]() |