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06/09/2007 - 10h52
Itália chora com a morte de Pavarotti, uma de suas figuras mais amadas



AFP

O tenor Luciano Pavarotti durante apresentação em Paris (17/5/2005)

O tenor Luciano Pavarotti durante apresentação em Paris (17/5/2005)


Juan Lara
Roma, 6 set (EFE).- A Itália chorou hoje com a notícia da morte
de uma de suas figuras mais respeitadas e conhecidas mundialmente, o
tenor italiano Luciano Pavarotti aos 71 anos, em sua cidade natal,
Módena (norte), em função de um câncer de pâncreas diagnosticado em
2006.

Pavarotti morreu por volta das 5h de hoje (meia-noite em
Brasília) na sua casa em Santa Maria de Mugnano, nos arredores da
cidade de Módena, na região da Emília-Romanha.

Até o último minuto, o tenor lutou contra o câncer "com uma
atitude positiva", segundo o seu agente, Terri Robson, no comunicado
que anunciou a morte.

"O maestro teve uma dura batalha contra o câncer de pâncreas que
no final o tirou a vida. Até o último momento manteve a atitude
positiva que caracterizou sua vida e seu trabalho", afirmou Robson.

No momento da morte, estavam ao lado de Pavarotti sua esposa,
Nicoletta Mantovani, as filhas Lorenza, Cristina e Giuliana (do
primeiro casamento, com Adua Veroni) e Alice, de quatro anos.

Também estavam presentes a irmã Gabriella, mais sobrinhos e um
reduzido grupo de amigos, informou Robson.

Pavarotti esteve sempre "muito sereno", consciente da situação e
tentando lutar contra a doença, segundo o médico oncologista Antonio
Frassolati, que o atendeu durante os últimos dias.

O médico disse ter ficado muito impressionado com "a
personalidade, o desejo de viver e de estar sempre presente em todas
as decisões" do tenor. Segundo parentes e amigos, Pavarotti nunca
perdeu o bom humor.

Logo após a divulgação do falecimento, as televisões e rádios
italianas começaram a divulgar a notícia, tendo ao fundo sua voz e
as árias e óperas que levaram Pavarotti à condição de um dos nomes
mais importantes da música lírica.

O prefeito de Módena, Giorgio Pighi, foi o primeiro a expressar
tristeza pela notícia e anunciou que vai propor que o famoso "Teatro
Comunale" seja dedicado ao tenor.

"Um grande artista, um homem bom nos deixou. Pavarotti deu
prestígio a Módena", afirmou Pighi, destacando que era o tenor era
uma pessoa de "grande generosidade".

Pavarotti será enterrado no sábado, após um funeral na Catedral
de Módena.

A morte do tenor foi divulgada poucas horas depois que a imprensa
italiana divulgou declarações nas quais Pavarotti agradecia o
"Prêmio Excelência na Cultura da Itália" concedido na véspera pelo
Governo italiano. Depois desse agradecimento, os meios de
comunicação souberam que seu estado tinha piorado.

O tenor foi internado no dia 8 de agosto no Hospital Policlínico
de Módena por causa de uma infecção pulmonar, descoberta quando ele
se recuperava em casa nas colinas de Pesaro (costa adriática
italiana), e teve alta em 25 de agosto.

Desde então e até hoje, uma equipe médica cuidou do italiano em
casa.

O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, afirmou que um dos
grandes méritos do tenor foi "ter levado pelo mundo a imagem
artística mais autêntica do país, provocando emoções e divulgando
paixão e cultura".

"Com a morte de Pavarotti desaparece uma das grandes presenças da
Itália no mundo. Foi o embaixador da nossa música, da nossa cultura
e da nossa tradição", disse o ex-premier e líder da oposição, Silvio
Berlusconi.

O maestro Zubin Mehta, que na Itália dirige o festival lírico
"Maggio Fiorentino" em Florença, destacou a grande amizade com o
tenor e assegurou que "sua voz agora ressoa em todo o universo, em
qualquer lugar onde estiver".

A cantora Laura Pausini - com quem o tenor cantou durante os
concertos "Pavarotti & Friends" - comentou que "conhecer Luciano e
estar perto dele" foi o melhor presente que podia receber em sua
vida profissional. A também cantora Katia Ricciarelli assegurou que
Pavarotti foi "o (maestro austríaco) Herbert von Karajan dos
tenores".

Centenas de telegramas de pêsames de personalidades de todo o
mundo chegam a Módena e milhares de italianos usaram fóruns na
internet expressaram luto.

"Obrigado por ter existido. Agora você alegra os coros
celestiais", dizia uma das muitas mensagens escritas pelos italianos
para lembrar uma figura que não foi só um grande tenor, mas uma
pessoa próxima, de personalidade afável e muito querida em seu país.

Os jornais abriram fóruns em suas edições eletrônicas para que os
cidadãos pudessem falar sobre a perda de Pavarotti. "O coral dos
anjos quis levar sua voz mais bonita", segundo uma mensagem no site
do "La Stampa".

Uma das suas interpretações mais lembradas é a da ária "Nessun
Dorma", da ópera "Turandot", de Puccini, que hoje pode ser escutada
repetidamente nas televisões e rádios de todo o país. Ela conclui
com o verso "Vincerò", imortalizado na voz do tenor.

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