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01/07/2008 - 18h20

Música alivia dores, diminui a depressão e melhora o sono

Cecilia Nascimento
Estudos garantem que a música potencializa a reabilitação de pacientes em casos de doenças degenerativas do cérebro, como Parkinson e Alzheimer, melhora a coordenação motora de deficientes físicos e estimula a liberação de substâncias como a dopamina e serotonina, que proporcionam sensação de prazer e bem-estar.

Pesquisa realizada pela Cleveland Clinic Foundation, nos Estados Unidos, e divulgada pelo Journal of Advanced Nursing comprova que ouvir música pode ter efeitos benéficos no tratamento de dores crônicas. Os cientistas testaram a utilização de música em 60 voluntários, que há mais de seis anos vinham sofrendo com osteoartrite, problemas de hérnia de disco e artrite reumática, e constataram uma redução dos níveis de dor em 21%. O índice dos que sentiam depressão em conseqüência da dor crônica diminuiu 25%.

Entre os participantes que ouviam música, 50% eram capazes de escolher suas músicas favoritas e os demais podiam escolher a partir de uma lista de cinco fitas relaxantes oferecidas pelos pesquisadores. O estudo anterior, publicada no mesmo jornal, já havia revelado que ouvir música suave durante 45 minutos antes de dormir pode aumentar o sono em até um terço.

A pedagoga Denise de Castro cresceu ouvindo música em casa. O repertório na vitrola do pai ia de Elizabeth Cardoso, Roberto Carlos a fados trazidos do interior da terra natal, Portugal. Adulta, já formada professora primária, ela introduziu cantigas de roda em suas aulas de história para crianças para ensinar a cultura popular brasileira. Desta vez, deixou de ser apenas ouvinte para cantar e tocar piano para os pequenos.

Há dois anos, ao receber o diagnóstico médico de que o marido estava sofrendo com câncer em um dos rins, caiu em depressão. Em plena maturidade - aos 44 anos - ela corria o risco de ficar viúva. "E lá veio a música novamente na minha vida", conta, emocionada. O próprio marido a estimulou a tocar piano e cantar diariamente na varanda do sítio onde vivem em Santos, no litoral de São Paulo. "Para superar a dor de ver o sofrimento após as sessões de quimioterapia, eu passei a tocar e cantar ao lado dele e a angústia passava".

Foram meses reproduzindo canções de Milton Nascimento, Tom Jobim e Caetano Veloso. Hoje, recuperado, o marido Daniel comemora. "A música nos aproximou ainda mais e nos dava tanto prazer na hora da dor que o sofrimento diminuía", explica. E a sensação tem fundo científico, segundo esses estudos.

Esquizofrenia
Ao receber o diagnóstico de esquizofrenia, há 30 anos, a paulistana Maria Inês Quintas recebeu também um presente: a oportunidade de voltar a cantar e tocar violão. Na adolescência, foi aluna de Dona Mary Buarque de Holanda, "tia do Chico", frisa a aposentada. O casamento veio aos 20 anos e, durante uma década, dedicou-se aos filhos e ao marido, que não gostava de vê-la cantar e tocar. "Foram dez anos sem música, mas o meu médico disse que era algo importante para eu seguir a vida e foi ótimo". Hoje ela freqüenta o grupo de acompanhamento de pacientes esquizofrênicos do Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal Paulista.

Duas vezes por semana, Maria Inês toca violão e canta para os colegas de grupo. E pediu para agilizarmos a entrevista pois tinha compromisso: iria tocar na festa junina do grupo. "Eles estão me esperando, vou tocar e cantar ritmos de São João", disse.

Idosos
"Em qualquer cultura, a música une as pessoas e se torna uma oportunidade de convivência social", diz psicóloga Julieta Dirce, do centro para tratamento e moradia de pessoas idosas Hiléa, em São Paulo. "No caso dos idosos, a música tem o papel de resgatar emoções - amores vividos, o nascimento dos filhos, lugares visitados e de a pessoa reconstruir sua história, além de servir de mote para encontros com amigos", explica.

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