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26/12/2006 - 10h01
James Brown foi ícone dos direitos civis e pacificador




Por Dean Goodman

LOS ANGELES (Reuters) - Martin Luther King, Rosa Parks, James Brown. "padrinho do Soul", que morreu em Atlanta, nesta segunda-feira, aos 73 anos de idade, foi um dos mais importantes líderes dos movimento de defesa dos direitos civis norte-americano durante a segunda metade do século 20.

Ele tratou com presidentes e líderes eleitos de todas as correntes políticas, gravou hinos negros de sucesso e pode ter salvo Boston de ter sido incendiada por manifestantes revoltados com o assassinato de Martin Luther King.

Ele foi criticado por ambos os lados. O establishment branco ficou apavorado com a possibilidade de um egresso da sétima série de uma escola da Carolina do Sul fomentar uma revolução. Radicais negros ficaram horrizados quando ele cantou uma música como "America is My Home" em um jantar na Casa Branca e por usar brancos em sua banda.

Seu hino de 1968 "Say it Loud -- I'm Black and I'm Proud" ("Diga Bem Alto -- Sou Negro e Tenho Orgulho") ensinou a gerações de trabalhadores negros que já era hora de terem "sua fatia".

Ele cantava "We'd rather die on our feet than be livin' on our knees" ("Preferimos morrer a viver de joelhos").

"Até aquela época, os negros eram chamados de pretos, mas James disse que você pode falar a todos que ser negro é uma grande coisa, em vez de ser algo que você deveria se desculpar", afirmou o rapper Chuck D., do Public Enemy, em 2003.

Brown gravou a música ao vivo durante uma sessão em um estúdio de Hollywood. Ele pediu ajuda de crianças que respondiam "I'm black and I'm proud" toda a vez que ele cantava "Say it Loud". Brown disse depois que a maior parte das crianças durante a gravação eram brancas ou asiáticas.

Ele demonstrava sentimentos distintos sobre a música, chamando-a de "obsoleta" e afirmando que ele não deveria ensinar às pessoas que elas deveriam ter orgulho. Muitos brancos pararam de ir a seus shows.

Poucos meses antes disso, King foi assassinado e cidades dos Estados Unidos foram engolidas por revoltas. Brown pode ter sido o responsável por salvar Boston de ser incendiada. Um dia depois do assassinato de 4 de abril, ele deveria se apresentar na cidade. Mas os pais nervosos da cidade pediram o cancelamento do show temendo que o público incitasse violência.

Entretanto, Brown conseguiu com uma emissora de televisão local a exibição ao vivo do show e foi ao rádio para pedir às pessoas para ficarem em casa para assistirem ao show pela TV de graça. Os bairros negros da cidade acabaram ficando misteriosamente quietos quando Brown, com lágrimas nos olhos, subiu no palco do Boston Garden e cantou seus sucessos em homenagem a King, entremeados de pedidos por calma.

No dia seguinte ao show, Brown viajou para Washington, que tinha sido duramente atingida por revoltas. Uma vez mais, ele foi ao rádio pedir calma e declarar que educação é um caminho melhor de se buscar justiça.

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