Música

Até US$ 50 mi: Dupla que descobriu Eminem vende parte da música do rapper

Reprodução/Facebook
O rapper Eminem Imagem: Reprodução/Facebook

Lucas Shaw

Bloomberg

25/09/2017 15h33

Os CDs estavam substituindo os discos de vinil quando Jeff e Mark Bass apostaram em um jovem rapper branco chamado Marshall Mathers. Eminem, como ele é conhecido, se tornou um dos músicos mais populares do mundo.

Agora, os irmãos, que ainda possuem parte do catálogo de Eminem, querem vendê-lo. Eles decidiram vender até 25 por cento de sua sociedade à Royalty Flow, que comprará a participação com o dinheiro arrecadado em uma míni oferta pública inicial, disseram executivos da empresa. Eles pretendem registrar nesta segunda-feira (25) na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA a venda de ações ao público em uma oferta Regulation A+, para depois buscar vendê-las na bolsa de valores.

Fãs de música e investidores têm poucas oportunidades de investir diretamente na indústria musical, onde os maiores atores são empresas de capital fechado ou partes de grandes corporações. Graças a uma lei de 2012 dos EUA, que tornou mais fácil para as pequenas empresas captar dinheiro, os investidores que acreditam que o crescimento do streaming tornará o catálogo da Eminem mais valioso poderão comprar uma fatia. A Spotify será outra oportunidade, quando abrir seu capital.

"Se você é um fã e quer apostar nesse artista, você pode fazer um investimento pessoal", disse Joel Martin, parceiro comercial dos irmãos Bass. "Isso coloca o investidor médio em uma posição na qual eles não estariam antes."

A Royalty Flow pretende arrecadar entre US$ 11 milhões e US$ 50 milhões, disseram o fundador Matt Smith e o diretor financeiro Jeff Schneider em uma entrevista. Os irmãos Bass concordaram em vender 15 por cento de sua sociedade e aceitaram receber os primeiros US$ 9,75 milhões da venda de ações, ou US$ 18,8 milhões caso se comprometam a vender 25 por cento. Qualquer capital adicional irá para a empresa com sede em Denver, para comprar mais direitos de música e, por fim, pagar dividendos.

Leilão de música

Smith chegou ao acordo através da Royalty Exchange, que ele comprou em 2015 e que já realizou cerca de 180 leilões de direitos musicais. Smith viu a oportunidade de vender música para uma ampla gama de investidores depois que o presidente Barack Obama assinou uma lei de impulso às startups comerciais em 2012 para ajudar as pequenas empresas a captar recursos. Foi quando ele criou a Royalty Flow.

Uma oferta Tier 2 Regulation A+, como a da Royalty Flow, é uma espécie de financiamento coletivo, porque permite que investidores não credenciados comprem uma participação em uma empresa com certas limitações. É uma possível porta de acesso ao IPO tradicional, mas os acionistas não têm garantia de que haverá um mercado para negociar a ação. A empresa deve apresentar os documentos de oferta e declarações financeiras auditadas à Comissão de Valores Mobiliários.

Uma música pode ter diversos proprietários -- de compositores e artistas a discográficas e gravadoras --, e cada um tem direito à receita que ela produz. Smith apresenta a Royalty Flow como uma forma de que os investidores médios participem da corrida do ouro do streaming.

Para os irmãos, o acordo permite abandonar parcialmente um investimento que não parecia tão bom há 25 anos, quando eles começaram a trabalhar com Eminem. O único rapper branco bem-sucedido era Vanilla Ice. Mas eles assinaram um contrato entre Mathers e a FBT Productions e lançaram seu disco de estreia "Infinite".

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