Música

A doçura de Chester Bennington escondida por trás de gritos e letras fortes

Getty Images
Chester Bennington durante show do Linkin Park no Rock in Rio Las Vegas Imagem: Getty Images

Michele Miranda

Colaboração para o UOL

21/07/2017 04h00

Lembro da primeira vez em que vi o clipe de "Crawling" na MTV e a sensação que aquele som tão impactante para a música, naquele momento, provocou em mim. Logo depois veio "In The End" e tive a certeza de que havia algo grande ali. Em 2004, quatro anos depois do lançamento do álbum "Hybrid Theory" (2000), o Linkin Park veio ao Brasil para um megashow no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Era uma época em que bandas no ápice de suas carreiras não costumavam vir ao país. Mas eles vieram e 80 mil fãs estavam lá para ouvir a gritaria de Chester Bennington e companhia. Eu estava lá também.

Fiquei impressionada com a potência ao vivo da voz daquele moço de sorriso raro no palco. E segui acompanhando a carreira do grupo que alavancou o new metal no mundo todo e ganhou uma legião de fãs fiéis no Brasil, alguns deles que conheci através de uma internet galopante, que me ajudava a conhecer novas bandas em fóruns.

Naquela época, eu era estudante de jornalismo e nem sonhava que anos depois, em 2012, receberia uma ligação e do outro lado ouviria a voz dele: "Hi, Michele? Aqui é o Chester".

No papo, que durou cerca de 30 minutos, o que mais me impressionou foi a voz doce (bem diferente da gritaria dos hits e dos shows) e a paciência para responder cada pergunta, algumas delas com cunho bem delicado, como a tentativa de reconquistar fãs que debandaram por conta da mudança de sonoridade da banda ao longo dos anos.

Mas Chester desabafou que vivia um dilema: "Se você segue a linha do que já fez sucesso, as pessoas dizem que é mais do mesmo e bombardeiam. Se você tenta inovar, é criticado porque mudou o estilo".

Há poucos meses, a banda lançou um novo álbum, "One More Lights". Com ele, novas críticas e um Chester mais afiado nas redes sociais, endereçando respostas sem filtro a quem estava avesso ao trabalho. "Me perguntaram por que não canto mais sobre angústia adolescente. Respondi: 'Porque tenho 41 anos'", escreveu ele no Twitter, em março deste ano.

Se existem artistas que, antes de uma entrevista, pedem ao assessores para proibir jornalistas de fazerem perguntas pessoais, Chester era bem diferente. Ele ia mais longe do que a gente perguntava. Assumiu que fez "todos os clichês estúpidos de um rockstar, como se acabar de beber, usar drogas e sair com várias mulheres". Chegou a declarar que foi vítima de abuso sexual quando tinha sete anos e que considerou o suicídio algumas vezes.

Arquivo pessoal/Michele Miranda
Chester Benningnton nos bastidores do show em Las Vegas Imagem: Arquivo pessoal/Michele Miranda

Anos depois, em 2015, encontrei Chester, dessa vez pessoalmente, nos bastidores do Rock in Rio USA, que aconteceu em Las Vegas. Passei alguns minutos com ele, no caminho do camarim ao palco, presenciei o encontro dele com os outros integrantes da banda. Chester estava grudado aos filhos, mostrando tudo a eles, apresentando as crianças aos produtores e roadies, um orgulho danado, um sorriso constante no rosto, um prazer de estar ali. Vi de perto toda aquela doçura que ficava escondida por trás dos gritos de letras fortes como a de "Numb".

Em um dia como hoje, quando somos impactados pela notícia da morte de Chester Bennington, só consigo me lembrar do que ele me falou ao encerrar aquela nossa conversa: "Meu jeito agressivo de cantar faz com que algumas pessoas achem que eu sou assim fora do palco também. Temos muitos fãs crianças e adolescentes. O exemplo que queremos passar é o melhor possível. Nós somos bons garotos".

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