Música

Brasileiras desmistificam escola militar de entretenimento coreana em livro

Divulgação/Giulia Camargo/Editora Gutenberg
Natália Pak, Érica Imenes e Babi Dewet, autoras do primeiro livro brasileiro sobre K-Pop Imagem: Divulgação/Giulia Camargo/Editora Gutenberg

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

28/07/2017 04h00

Se há cinco anos o gordinho Psy era o rosto da Coreia do Sul para o mundo, hoje quem representa a desenvolvida área de entretenimento do país asiático são os grupos K-Pop, muitos deles admirados e praticamente sustentados pelo amor de fãs distantes cerca de 30 horas de avião de seus ídolos: os brasileiros. Partindo desse movimento e da falta de informações confiáveis em português sobre a nova onda coreana (a "hallyu'), nasce o primeiro livro sobre o gênero no Brasil: "K-Pop: Manual de Sobrevivência".

Com lançamento previsto para a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que acontece entre os dias 30 de agosto e 10 de setembro, o projeto da editora Gutenberg é encabeçado por três jovens que vivem diariamente a cultura sul-coreana: Babi Dewet, Érica Imenes e Natália Pak. A primeira é autora veterana e queridinha do público jovem, com 7 livros já lançados, enquanto Érica e Natalia fazem sua estreia no mundo literário. "Eu estava no universo delas [do k-pop] há muito tempo, faltava trazê-las para o meu", conta Babi.

A ideia é desmistificar e explicar como funciona a fábrica de ídolos que --apesar de ter mudado bastante desde seu início nos anos 90-- segue alguns padrões estranhos aos ocidentais. Afinal, o processo de formação dos jovens multi-talentosos inclui anos de treinamento em dança, canto, atuação e idiomas.

Fábrica de talentos

"A gente não entende esse processo de uma escola militar de entretenimento", explica Érica Imenes, responsável ao lado de amigos jornalistas por destrinchar e traduzir parte da bibliografia institucional fornecida pelo governo sul-coreano em um projeto de TCC que virou uma das bases do livro.

"O K-Pop começou como algo fabricado nos anos 90. Hoje em dia eles não podem ser mais completamente comerciais. Se não forem orgânicos, se não trasmitirem alguma coisa, as pessoas não compram mais. Os grupos que estão fazendo mais sucesso fora da Coreia do Sul são os que têm total participação em todo o processo de produção", explica a jornalista sobre a recente mudança no processo de formação dos ídolos.

Ainda assim, há grupos que seguem com a tradição da perfeição independente da personalidade de cada integrante. Diferente de um artista solo como Psy, há uma aura de santidade em volta de um ídolo.

Chung Sung-Jun/Getty Images
Fora dos padrões, Psy é considerado artista Imagem: Chung Sung-Jun/Getty Images

Gabo Morales/UOL
Grupo BLANC7, exemplo de ídolos K-Pop Imagem: Gabo Morales/UOL

"Na cultura coreana uma vez que você sai na televisão e vira exemplo para os jovens, você tem que ser simplesmente perfeito. Não pode fumar ou beber. É preciso conquistar um status para poder sair em fotos fumando ou bebendo. Por exemplo, um ídolo que começou com uma imagem inocente acaba com sua carreira se for pego fumando. Mas se já tiver começado com uma imagem mais bad boy, tipo um rapper, aí é menos problemático", explica Natália Pak, brasileira filha de imigrantes coreanos e reconhecida pelo governo do país asiático como uma jovem líder por seu trabalho cultural.

"Muita gente acha estranho quando descobre como é o mercado de lá, a indústria de ídolos. Que eles passam por audições, são escolhidos e passam anos treinando para aí sim entrar em algum grupo. Mas a cultura coreana não é só isso, é muito abrangente. A gente não poderia falar dela partindo de uma cabeça só. Rola uma troca de informações. Por isso que nesse caso é importante ter mais de um autor", conta Babi sobre a experiência de produzir o "Manual de Sobrevivência" com outras duas autoras. 

Discussão aberta

Divulgação
Capa do livro que chega em agosto Imagem: Divulgação

Pensando em atender tantos os curiosos em aprender mais sobre a indústria do entretenimento sul-coreana como as pessoas que já se consideram fãs do movimento K-Pop, as três autoras investiram em um panorama histórico pesando a mão em gírias e recursos para deixar a leitura um pouco mais descontraída. Há também um cuidado com as imagens, ilustrações e a parte gráfica para agradar a todos. 

"Nossa ideia com o livro não é mostrar o que é certo e errado, e sim abrir uma discussão. As coisas mudaram, mas ainda temos muito a discutir, principalmente na questão de como vamos fazer para difundir a cultura coreana no Brasil. O livro é um ponto de partida para esse tipo de discussão", esclarece Natália.

"Se a gente tiver a oportunidade de colocar o K-Pop e a hallyu em todos os meios de divulgação possíveis, por que não colocar? Vemos tantos artistas americanos bombando aqui no Brasil, os coreanos também podem", completa Érica.

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