UOL Música

Publicidade
Especial Bossa Nova
30/04/2008 - 10h42

Conheça dez discos fundamentais da bossa nova

RONALDO EVANGELISTA
Colaboração para o UOL

Veja abaixo uma lista com dez discos fundamentais para entender a bossa nova.

João Gilberto - "Chega de saudade" (1959)

João Gilberto é uma personalidade tão cercada de mitos que às vezes é fácil esquecer sua importância musical. Mas é aqui, nesse disco, que se tem certeza de todas as revoluções que o cantor baiano pôs em movimento exatos 50 anos atrás. Pedra-de-toque de todo o movimento que é a bossa nova, o disco "Chega de Saudade" trazia a expansão da sonoridade revolucionária que havia sido apresentada ao mundo um ano antes, com o compacto que trazia a canção "Chega de Saudade" de um lado e "Bim Bom" do outro. Tom Jobim, autor do texto da contracapa do disco, já anunciava: "João Gilberto em pouquíssimo tempo influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores". E ele não estava exagerando. Lá se iam os vozeirões, os arranjos grandiosos e o clima dramático que eram tão tradicionais na música brasileira. De repente, aquele violão cheio de balanço, aquela voz pequenina e aquelas músicas delicadas se tornavam norma vigente e nascia a música brasileira moderna, como a conhecemos hoje.

Tamba Trio - "Tamba Trio" (1962)

Formado por Luiz Eça (piano), Bebeto Castilho (baixo, flauta, sax) e Hélcio Milito (bateria), o Tamba Trio foi o mais importante conjunto instrumental entre os vários que surgiram através das portas abertas pela bossa nova. Ótimos instrumentistas, ocasionais cantores, tocando juntos e acompanhando vários músicos, os três então jovens membros do Tamba surgiram acrescentando elementos à formula da bossa. Com ênfase na parte instrumental, arranjos modernistas, harmonias jazzísticas e muito espaço para improvisação, neste primeiro disco o trio aparece tocando músicas do próprio Luiz Eça e de compositores como Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Durval Ferreira.

Antonio Carlos Jobim - "The composer of 'Desafinado' plays" (1963)

Em 1963, já reconhecido no Brasil e no resto do mundo como o grande compositor desse novo estilo musical chamado bossa nova, Tom Jobim foi convidado pela respeitada gravadora americana de jazz Verve a fazer seu próprio álbum. Tom ainda não se arriscava ao microfone, mas suas canções e seu piano diziam mais do que mil palavras. Tanto que logo que o disco foi lançado a respeitada revista de jazz “Downbeat” publicou uma crítica lhe dando nota máxima. Não era pra menos: recheado de composições como "Garota de Ipanema", "Desafinado", "Chega de Saudade" e "insensatez", entre outros clássicos, todas em versões instrumentais, Tom executava solos intimistas sobre arranjos plácidos e mostrava ao mundo a eloqüência da delicadeza.

Sylvia Telles - "Bossa, Balanço, Balada" (1963)

Sylvinha Telles já era uma cantora profissional respeitada, com alguns anos de carreira, quando a bossa nova surgiu. Em 1959, ligada no que de mais legal acontecia na música, ela já havia tido a idéia de lançar um cultuado álbum totalmente dedicado às canções de Tom Jobim. Mas foi nesse "Bossa, Balanço, Balada", lançado pela essencial gravadora Elenco, que ela provou que tinha tudo pra ser a mais importante cantora da bossa nova. Tragicamente, apenas três anos depois ela morreria em um acidente de carro e sua crescente carreira seria bruscamente interrompida.

Carlos Lyra - "Depois do Carnaval" (1963)

Um dos primeiros e mais importantes compositores da primeira fase da bossa nova - quando ela já crescia para além dos seus criadores João e Tom -, Carlos Lyra nunca foi tão moderno quanto seus contemporâneos, mas escreveu várias das canções mais emblemáticas dessa época do movimento. Este seu terceiro disco, por exemplo, trazia composições como "Marcha da quarta-feira de cinzas", "Canção que morre no ar" e "Se é tarde me perdoa", além da divertida (e favorita entre músicos até hoje) "Influência do jazz". O álbum tem ainda a curiosidade histórica de trazer uma participação de Nara Leão antes mesmo dela gravar seu primeiro disco.

Stan Getz & João Gilberto - "Getz/Gilberto" (1964)

Se o disco "Chega de Saudade" já tinha sido uma revolução na música brasileira, "Getz/Gilberto" foi uma revolução na música mundial. Era uma idéia simples da gravadora Verve: juntar o saxofonista americano de cool jazz Stan Getz com as duas figuras mais importantes da bossa, João Gilberto e Tom Jobim, e mais a participação da então mulher de João, Astrud, nos vocais. Ninguém poderia imaginar que o disco seria um sucesso sem precedentes e transformaria todos os personagens envolvidos em superstars - inclusive a música brasileira, ela mesma. "Garota de Ipanema", com vocal de Astrud Gilberto, viria a se tornar a segunda música mais tocada no mundo em todo o século 20, atrás apenas de "Yesterday", dos Beatles.

Nara Leão - "Nara" (1964)

Nara já era íntima da bossa nova quando resolveu gravar seu primeiro disco. Tão íntima, na verdade, que ao mesmo tempo em que estreava no movimento o negava por completo. Em seu disco, apareciam canções de Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Baden Powell. Mas apareciam também autores "do morro", como Cartola, Zé Kéti e Nelson Cavaquinho - tornando Nara precursora no movimento de revalorização do samba que surgiria anos depois na MPB. Com sua concepção ousada, sua capa em alto-contraste e seus arranjos modernistas, o disco oferecia novas possibilidades para a já quase desgastada bossa nova.

Wanda Sá - "Vagamente" (1964)

Disco-símbolo da segunda fase da bossa nova, "Vagamente" é a estréia da jovem Wanda Sá, então com 20 anos, sob a produção de Roberto Menescal. O álbum juntou jovens compositores (Marcos Valle, Francis Hime, Nelson Motta), jovens músicos (Eumir Deodato, Tenório Jr, Menescal) e a jovem intérprete em clima de jazz moderno, com a voz rouca e sussurada de Wanda, e ainda funcionou como apresentação para todos os envolvidos. A capa, notavelmente descontraída e poética, com Wanda caminhando descalça pela praia com seu violão, ajuda a criar o clima.

Roberto Menescal - "A nova bossa nova de Roberto Menescal & Seu Conjunto" (1964)

Professor de violão de jovens garotas de classe média, compositor de hits como "O Barquinho" e "Você", acompanhante de nove entre dez cantores jovens - no começo dos anos 60, Roberto Menescal era onipresente na bossa nova. Para gravar seus próprios discos (tocando suas próprias composições e hits da época), e para facilitar o serviço de músico de apoio, nasceu esse conjunto, que contava com instrumentos como piano, órgão, flauta e vibrafone, todos tocados por garotos que mal passavam dos 20 anos. Entre eles, o jovem pianista e organista Eumir Deodato - que menos de dez anos depois estaria morando nos EUA e fazendo sucesso mundial com sua versão pop de "2001", de Strauss.

Marcos Valle - "O compositor e o Cantor" (1965)

Pouco tempo depois ele estaria dinamitando todas as barreiras entre estilos e fazendo discos inclassificáveis, mas em 1965 Marcos Valle estava mergulhado de cabeça na bossa nova. Carioca, loiro, rico, surfista e fã de jazz, ele era a personificação de todos as principais características do movimento - inclusive no quesito talento. Pianista, violonista, compositor e cantor, neste seu segundo álbum ele gravava o que parecia ser uma coletânea de grandes sucessos: "Samba de verão", "Preciso aprender a ser só", "Seu encanto", "A resposta", "Gente" - todas canções hoje consideradas clássicos da bossa nova.

Shopping UOL

Caixa de Sompara MP3/iPod. Compare e
ache os menores preços.
MP4As melhores marcas a
partir de apenas R$ 69.
Gravador de DVDEncontre aqui a partir de
apenas R$ 79. Aproveite!