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7 discos (e meio) para entender o reinado de Roberto Carlos

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Roberto Carlos estrela o filme ''Roberto Carlos em Ritmo de Aventura'' (1968), de Roberto Farias. Imagem: Divulgação

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

2016-04-19T12:49:53

19/04/2016 12h49

Nunca houve um cantor no Brasil com tanto apelo e poder de fogo como Roberto Carlos. É como se os Beatles fossem condensados na figura de um franzino e sedutor artista, que, em plenos 75 anos, completados nesta terça-feira, ainda encanta uma legião de fãs.

Musicalmente, entretanto, Roberto foi perdendo a relevância com o passar do tempo. As apresentações repetidas e o repertório engessado o afastaram de um público mais jovem, que o via como um artista quase 'brega'. Mas nem sempre foi assim. 

Para fazer jus ao título de Rei, recordamos a fase em que a coroa de Roberto mais brilhou – do momento em que ele despontou como príncipe da Jovem Guarda, em 1966, até o flerte com a música romântica em 1972.

São sete joias, lançadas na sequência, e mais um bônus vindo dos anos 1980, para entender o reinado de Roberto Carlos.

Para ouvir o disco, clique na capa de cada álbum: 

 

A fase áurea do Rei (1966-1972)

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    Roberto Carlos (1966)

    Roberto tinha acabado de estourar nacionalmente com o disco anterior "Jovem Guarda", mas é neste trabalho que seu reinado definitivamente começa. Toscamente gravado, o álbum traz aquela inocência dos anos 1950 em "Namoradinha de um Amigo Meu" (escrita por Roberto para Os Beatniks) e "Esqueça", mas dá um passo além. É um álbum de rock, criativo e enérgico, seja no riff que abre "Eu Te Darei o Céu" ou na bateria tribal em "Querem Acabar Comigo" -- uma das melhores composições da carreira, reflexo de todas as críticas que o atingiam na época. Em 1966, o cantor não tinha dimensão de seu próprio sucesso e passava os dias achando que seu momento iria passar. Destaque para o solo de sax em "O Gênio", para Renato e seus Blue Caps como banda de base e para o órgão de Lafayette que dá o tom de todo o disco. Leia mais

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    Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1967)

    Prestes a gravar seu primeiro filme (que dá nome ao álbum), Roberto ampliou sua cozinha musical. Escolheu um trio de metais e formou o RC-7. O que viria a ser a trilha sonora do longa, dirigido por Roberto Faria, o álbum só ganhou com a aquisição -- e também com a participação de dois maestros arranjadores contratados da CBS: José Pacheco Lins, o Pachequinho, e o maestro Alexandre Gnattali. "Eu Sou Terrível" e "Quando" são, até hoje, clássicos absolutos. A evolução segue com o baixo nervoso de Paulo César Barros em "Você Não Serve Pra Mim". A batida funky de "Quando" já indicava um novo caminho para Roberto: a jovem guarda era muito pouco para o artista. Leia mais

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    "O Inimitável" (1968)

    Primeiro disco do Roberto a ter uma produção realmente boa. Havia um investimento da gravadora, assim como nas letras, que deram um salto de qualidade. Saíram as bobinhas, como "O Feio", "O Gênio" e "O Sósia", e entraram temas mais românticos, como "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo", marcando o início da grande obra de Roberto. O marco inaugural foi com "Se Você Pensa". Pedrada funkeada e barulhenta, a canção se tornou uma das favoritas de Caetano Veloso na época e fez a cabeça justamente dos artistas ditos "mais cabeça", sendo regravada por Elis e Gal Costa. Erasmo Carlos dizia na época: "Olha, nós somos legais mesmo!" Roberto também se destaca como intérprete em "O Tempo Vai Apagar" (Getúlio Cortes) e "E Não Vou Deixar Você Tão Só" (Antonio Marcos). Leia mais

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    "Roberto Carlos" (1969)

    Com o cabelo longo e pinta de artista hippie, com colares e pulseiras, Roberto queria se desvincular totalmente da Jovem Guarda e dar passos maiores. Sabia que podia contar com Tim Maia, seu amigo de infância, quando o mesmo lhe procurou para oferecer uma canção. Pediu o que queria: Black music. O velho Tião compôs na hora "Não Vou Ficar". O disco é dominado por canções de amor lancinantes, embebidas nessa referência, como "As Curvas da Estrada de Santos", "Sua Estupidez" e "Nada Vai Me Convencer". "O Diamante Cor de Rosa", que viria a ser tema de seu segundo filme, é a única instrumental na discografia de Roberto, com o cantor tocando gaita na faixa. A turnê do disco, dirigido por Ronaldo Bôscoli, foi o primeiro a ter a orquestra no palco, o que faria a fama do Rei nos anos vindouros. Leia mais

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    "Roberto Carlos" (1970)

    Roberto abre a década de 1970 no ápice da influência da Black music. Da balada "Ana" a funkeada "Se Eu Pudesse Voltar no Tempo", é um disco pulsante, com menos baladas. Até "Jesus Critso", sua primeira incursão em terreno espiritual, é um petardo no estilo. Influenciada pelo gospel americano e por musicais da época, como "Hair" e "Jesus Cristo Superstar", a canção causou polêmica justamente pelo seu gingado, o que incomodou os mais conservadores. "O Astronauta", diferente de tudo que viria a gravar, tem até vocalise ao fundo. A capa do disco mostra o cantor no palco do Canecão, em pose que se tornaria marca registrada: segurando o microfone com as mãos e erguendo o corpo pra trás Leia mais

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    "Roberto Carlos" (1971)

    Único disco sem a imagem de Roberto na capa. A ilustração, com os cabelos do artista ao vento, se tornou icônica em sua discografia. A produção é do tamanho de um artista internacional . A partir dali, gravaria sempre nos melhores estúdios do mundo. É o disco que marca sua transição para um repertório mais romântico, sem cair no brega. Pelo contrário. A atmosfera é bluseira, soando como o country rock feito na época por Bob Dylan e Harry Nilsson. Prova disso é "Como 2 e 2" (de Caetano Veloso), "Você Não Sabe o Que Vai Perder" e "Debaixo dos Caracóis". "Detalhes", um dos maiores clássicos da música brasileira, é citada até hoje pelo cantor como a sua canção preferida e teve introdução criada pelo maestro norte-americano Jimmy Wisner. Ao mesmo tempo, o disco encerrou a fase rock-soul com as faixas "Todos Estão Surdos" e "Eu só Tenho Caminho". Leia mais

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    "Roberto Carlos" (1972)

    Em um dos álbuns mais soturnos da carreira, Roberto reflete sobre o tempo. O tema está na regravação de "Acalanto", de Dorival Caymmi, em que revive a infância, e na confessional "O Divã", em que encara reminiscências, algo que já havia experimentado em "Traumas", do disco anterior. É a primeira vez em que ele fala sobre o acidente que o fez perder a perna ainda criança: "Relembro bem a festa, o apito/ e na multidão um grito/ o sangue no linho branco". Até este momento, Roberto se via como um hippie, e ele próprio observa seu próprio amadurecimento em "À Janela", sobre um jovem que está prestes a deixar a sair da casa dos pais. É o fim da fase mais juvenil de Roberto e o começo em que os especiais de fim de ano da Globo o moldariam criativamente. Leia mais