Música

Jean-Michel Jarre fará show para alertar sobre desaparecimento do mar Morto

Getty Images
O compositor francês Jean-Michel Jarre Imagem: Getty Images

De Masada (Israel)

03/04/2017 18h57

Jean-Michel Jarre escolheu a monumental fortaleza de Massada, em Israel, como cenário de um show organizado para alertar sobre o risco de desaparecimento do mar Morto e a necessidade de "resistir" às políticas de Donald Trump em termos de meio ambiente.

A estrela da música eletrônica tentará chamar a atenção para a "urgência de salvar o mar Morto" no show que realizará na noite de quinta-feira, segundo declarou em uma entrevista à agência France Press.

O nível das águas do lago salgado baixa mais de um metro a cada ano e, se continuar neste ritmo, esta maravilha da natureza, situada entre Israel, Jordânia e os territórios palestinos, pode desaparecer antes de 2050, alertam os especialistas.

O fenômeno começou nos anos 1960, quando os países vizinhos começaram a explorar as águas do rio Jordão, principal fonte de abastecimento do mar Morto.

Jean-Michel Jarre, embaixador da boa vontade da Unesco, quer que "o mundo se conscientize" do perigo. O músico francês, de 68 anos, escolheu para seu show um dos lugares mais emblemáticos da região, ao pé da fortaleza de Massada, situada em um planalto rochoso com vista para o Mar Morto e o deserto que o rodeia.

Segundo o historiador Flavio Josefo, no ano 73 d.C., 960 zelotes judeus, sitiados na fortaleza por legiões romanas, preferiram se suicidar coletivamente do que se render.

Massada é patrimônio mundial da Unesco desde 2002.

"Quero que o Mar Morto, como Massada, faça parte do patrimônio mundial da Unesco", disse Jean-Michel Jarre.

"Esta região pertence à humanidade. Esse é um assunto que interessa a todos no plano humano, por isso temos que fazer todo o possível para preservar este lugar", acrescentou o artista.

Até o amanhecer

Jean-Michel Jarre, um artista prolífico que lançou três álbuns em um ano e meio, está acostumado com superproduções musicais, nas quais mistura música eletrônica, jogos de luz laser e pirotecnia.

Em 1990, conseguiu reunir 2,5 milhões de pessoas em um concerto em Paris, e sete anos depois, cerca de 3,5 milhões de espectadores compareceram a um de seus espetáculos em Moscou.

Esta vez, decidiu apostar em um show "íntimo", justamente para proteger o meio ambiente. Há apenas 10.000 lugares disponíveis, que serão vendidos no mundo todo.

"Para mim, o objetivo deste projeto é fazer com que o maior número possível de pessoas tome consciência da urgência de cuidar da Terra como um todo", declarou.

"Espero que este show contribua para organizar a resistência contra todos os Trump do mundo", declarou.

Jarre se preocupa com a falta de interesse do presidente americano pelo meio ambiente, como ele demonstrou ao autorizar a construção do oleoduto Keystone XL, que seu predecessor, Barack Obama, havia cancelado.

No grande evento, o músico alternará sua presença no palco com apresentações de DJs e músicos franceses e israelenses, que tocarão até o amanhecer de sexta-feira.

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