Música

Jon Anderson sobre o Yes no Hall da Fama: "Música não deve ser mercadoria"

Divulgação
A formação do Yes de 1969 a 1971: Peter Banks, Tony Kaye, Chris Squire, Bill Bruford e Jon Anderson Imagem: Divulgação

Nova York (EUA)

04/04/2017 12h15

 Com passagens instrumentais melodiosas, compassos que desconcertavam os DJs e letras inspiradas em textos hindus, o Yes desafiou o rock, mesmo nos momentos de sucesso.

A banda que definiu o gênero do rock progressivo entrará para o Hall da Fama do Rock and Roll em 7 de abril e seu cofundador, Jon Anderson, diz que o Yes tem o mérito de ter permanecido fiel a seus princípios.

"A música não deve ser apenas uma mercadoria. É sobre evoluir como um músico e como um grupo de músicos", disse Anderson à AFP por telefone.

"E foi isso que o Yes fez. Permaneceu leal a seus ideais", disse. "É genial quando uma banda se apega a um ideal", completou.

Liderado pela voz marcante de Anderson, o Yes se inspirou mais na estrutura das sinfonias clássicas do que na do R&B, ao contrário de boa parte do rock.

O grupo, que venceu mais de 50 milhões de álbuns, chegou apenas uma vez ao "número um" da parada de sucessos nos Estados Unidos, em 1983, com "Owner of a Lonely Heart", talvez a canção do Yes que mais se aproxime do pop tradicional.

A banda inglesa celebrará em 2018 o aniversário de 50 anos de carreira, após uma série de mudanças em sua formação, que deixaram o Yes irreconhecível em relação a sua formação original.

O baixista Chris Squire, que fundou o Yes com Anderson, faleceu em 2015, depois de ter sido diagnosticado com uma forma rara de leucemia.

Rick Wakeman, que foi tecladista do grupo durante muitos anos, não escondeu a irritação com o fato do Yes ter sido indicado ao Hall da Fama do Rock and Roll apenas após a morte de Squire. Mas ele aceitou comparecer à cerimônia em Nova York depois de chegar a um acordo para prestar uma homenagem à viúva do baixista.

"Acredito que Chris estará lá em espírito", disse Anderson, 72 anos, que está em turnê com Wakeman e o ex-guitarrista do Yes, Trevor Rabin, em um grupo que batizaram de ARW.

"Todos somos espirituais"

Anderson incorporou a meditação em sua vida cotidiana e frequentemente fala sobre a natureza e a proteção ao meio ambiente em suas letras, como na canção "Don't Kill the Whale" de 1978.

Consultado sobre seus rituais, o cantor disse que a meditação não é uma atividade fixa.

"Depende de como você enxerga a meditação. Caminhando pelo jardim ou caminhando pela cidade você pode meditar ao ser parte da energia que te cerca".

Anderson revela que pensa muitas vezes por que ele e não outros tiveram sucesso. Ele acredita que é por sua visão da "energia divina que nos cerca o tempo todo".

"Desde as primeiras canções que escrevi no primeiro álbum até agora eu continuo cantando sobre as mesmas coisas", disse.

"As pessoas falam: 'Você é muito espiritual'. E eu digo: 'Não, não, todos somos espirituais, eu apenas gosto de cantar sobre isso", comenta, com um sorriso.

A ambição do Yes ficou evidente em 1973 com o álbum "Tales From Topographic Oceans", que tem quatro canções com quase 20 minutos cada.

Anderson estabeleceu o conceito inspirado por quatro shastras hindus que leu no livro clássico de Paramahansa Yogananda, "Autobiografia de um Iogue".

Emocionado com o futuro

Além do Yes, Anderson participou em vários projetos que incluem música ambiente para meditação, uma pesquisa sobre a música da África Ocidental e um álbum sobre uma lenda nativa americana.

Ao mesmo tempo, Anderson confessa que é fã de "La La Land", que assistiu depois de uma recomendação de sua filha.

Seus próximos projetos incluem um musical sobre Rumi, o célebre poeta persa do século 21.

Também pretende continuar explorando o impacto das novas tecnologias na música, da realidade virtual até o "sound surround".

"Estou trabalhando em tantas coisas que você ficaria maluco para entender", afirmou, sem conter a risada.

"Estou na casa dos 70 e ainda adoro o que eu faço", conclui.

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