Música

Estudante britânica escolhe Beyoncé como tema de tese de sociologia

Molly Inglis e Getty Images
Molly Inglis analisou 10 mil palavras para escrever dissertação sobre a cantora Beyoncé Imagem: Molly Inglis e Getty Images

Meabh Ritchie

04/05/2017 17h24

O que é o "feminismo Beyoncé"? A pergunta já pautou muitas conversas em mesa de bar e "textões" nas redes sociais. Mas recentemente também foi tema do trabalho de conclusão de curso na Universidade de Warwick, no Reino Unido.

A estudante Molly Inglis, de 20 anos, analisou 10 mil palavras de letras das músicas da cantora americana para escrever as 66 páginas de sua dissertação em Sociologia.

Para a jovem, chama a atenção a forma como Beyoncé vê mulheres e o sexo. Segundo Inglis, a artista promove mensagens favoráveis à sexualidade com ênfase no sexo seguro e com consentimento. Dessa forma, passou, em especial nos últimos anos, a abraçar o feminismo de um jeito próprio.

Para escrever a dissertação, Inglis decidiu focar a análise nos dois últimos álbuns da cantora: "Beyoncé" (2013) e "Lemonade" (2016).

"(Beyoncé) encoraja as mulheres a serem sexuais, a assumirem o controle da situação num quarto e a fazerem sexo por elas mesmas, para o prazer delas", afirma a estudante.

Feminismo e outras mensagens

Fãs associam a "Queen Bey" ("Rainha Bey", apelido pelo qual a cantora é chamada por eles) com o empoderamento de mulheres e garotas há muito tempo, desde a época em que fazia parte do grupo feminino Destiny's Child.

Em 2013, por exemplo, a artista sampleou um trecho da palestra "Todas deveríamos ser feministas", da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, na música "Flawless".

Ao mesmo tempo, ela também insere outras mensagens em suas canções.

A música "Formation", do álbum "Lemonade", foi interpretada como um protesto de Beyoncé ao tratamento dado pela polícia à comunidade negra e como um ato de apoio ao movimento "Black Live Matters" ("As vidas dos negros importam", em tradução livre).

Mas, para a estudante, essa mesma nação também dialoga direto com as mulheres e traz um jogo de palavras embutido.

"Eu realmente gostei da letra. Gosto de quando ela fala: agora, senhoras, 'let's get in formation'", afirma Inglis, avaliando que há um duplo sentido na frase em inglês. Para ela, o trecho pode significar, ao mesmo tempo, vamos "nos organizar" e "vamos obter informação".

Robyn Beck/AFP
Fãs garantem que Beyoncé canta sobre feminismo desde os tempos de Destiny's Child Imagem: Robyn Beck/AFP

"[A música] Pede que as mulheres se organizem e também que obtenham informação para ter conhecimento sobre o que está acontecendo e para protestar contra", analisa a estudante britânica.

Muitos fãs acreditam ainda que a música "Hold Up", também do "Lemonade", era sobre a relação da cantora com seu marido, o rapper Jay Z.

Trata-se de um debate que ainda mobiliza quem se interessa pela vida e pela carreira da cantora, mas, de acordo com a estudante, ela pode apenas estar narrando a história de uma personagem na canção, que fala sobre um casal em crise.

Depois de analisar os dois álbuns, porém, Inglis diz que Beyoncé canta muito sobre os prós e contras do casamento.

Sociologia do dia a dia

O orientador da estudante ficou surpreso com o tema que ela escolheu para fazer a dissertação. Mas Inglis diz que isso prova como a sociologia é relevante para o nosso dia a dia.

Molly Inglis
Molly Inglis: "Se Beyoncé lesse meu trabalho, eu ganharia meu dia" Imagem: Molly Inglis

"As críticas contra ela por levantar a bandeira do feminismo existem porque ela é uma artista negra", opina ela, complementando que artistas brancas que fazem o mesmo não são criticadas da mesma forma.

Para a estudante, o fato de Beyoncé cantar o feminismo é realmente importante porque tira o debate dos textos acadêmicos e o leva para outros temas mais acessíveis.

Inglis se diz "tentada" a entrar em contato com a cantora para contar que ela foi objeto principal de sua dissertação.

"Se ela lesse o trabalho, eu ganharia meu dia."

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