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Pitty mostra casa na Serra da Cantareira onde se isolou para gravar disco

Otavio Sousa/Divulgação
A dupla Agridoce, formada por Pitty e o guitarrista Martin Imagem: Otavio Sousa/Divulgação

MARIANA TRAMONTINA

Editora-assistente de Entretenimento

2011-08-24T12:00:00

24/08/2011 12h00

No alto da Serra da Cantareira, próximo a Mairiporã, região metropolitana de São Paulo, Pitty e o guitarrista de sua banda, Martin Mendonça, já começam a fazer as malas e a desmontar as estruturas que levaram para trabalhar em novas composições. É o fim de um confinamento de 22 dias na Agridocelândia, apelido que deram a uma enorme casa de dois andares alugada para a construção do primeiro disco do projeto Agridoce, que os dois músicos mantêm desde o ano passado em paralelo às atividades da banda.

Pitty e Martin mostram casa de confinamento "Agridocelândia"

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A desconexão da vida prática da cidade foi levada ao total isolamento em uma casa de campo, com uma grande área de lazer com piscina, vista para a serra, lareira e uma sala com piso de madeira e móveis rústicos. Ali, embaixo de um pomposo lustre antigo, está o piano preto meia cauda, uma quantidade de guitarras e violões descansando no sofá, microfones pendurados no teto para captar a ambientação e diversos vinis espalhados. Foi neste lugar que Pitty, Martin, o produtor Rafael Ramos, o engenheiro de som Jorge Guerreiro e o fotógrafo e cinegrafista Otávio Sousa passaram as últimas três semanas fugindo da formalidade de um estúdio convencional. 

Pitty resume a temporada --inspirada no documentário "Funky Monks", do Red Hot Chili Peppers-- como um universo paralelo. "Essa coisa de 'o tempo é relativo' nunca foi tão verdade. A gente se perdeu no tempo/espaço. Existem algumas coisas que pontuam o seu dia, do tipo você saber que essa é a hora do almoço porque está passando o jornal do meio-dia. E a gente não tinha essa noção, perdemos até o último capítulo da novela ['Insensato Coração', da Globo]", brinca Pitty, lembrando que o lugar é intencionalmente desprovido de TV, internet ou telefone.

A ideia de sair do corre-corre da cidade grande era descobrir qual inspiração e interferência estão no meio do mato e distante de tudo. "A gente foi encontrando a dinâmica e o fuso horário daqui para se encaixar. Resolvemos deixar o tempo se fazer, porque é tudo muito orgânico. Então se a gente não estava inspirado num momento, não tínhamos a pressão que temos em um estúdio com tempo cronometrado", compara Martin.

Nem visitas de amigos ou família passaram pelo portão da casa, que está localizada após as curvas sinuosas da serra. "Só vieram um rapaz para afinar o piano e outro para limpar a piscina. Eles foram ótimos, eficientes e silenciosos, mas ainda assim você sentia uma quebra [no ambiente] muito suave. Então naturalmente a gente foi se fechando para o mundo", conta o guitarrista.

Experimentações sonoras

O primeiro disco do Agridoce ainda não tem nome, mas está previsto para sair no final do ano pelo selo Vigilantes. "Temos muita música inédita e algumas que já divulgamos no nosso site, mas ainda não sabemos quais delas vão entrar no disco porque acabamos com mais material do que pensamos que teríamos. Temos 21 músicas prontas", comemora Pitty. 

Com enfoque às composições acústicas, baseadas em grande parte por voz, piano e violão, as canções do Agridoce também serão adornadas por detalhes em bandolim, ukulele, glockenspell, escaletas e outros elementos. A brincadeira na Agridocelândia foi descobrir novos sons e barulhos diferentes. "Temos muitos tipos de chocalho, pés, palmas, porta, corrente, gaveta de cabeça para baixo", enumera a cantora.

A experimentação em sons já conhecidos também foi liberada. "Tem duas músicas que a gente usou a técnica de piano preparado do John Cage [compositor e teórico musical norte-americano], que você interfere o som colocando coisas nas cordas. Numa delas a gente colocou guizo, na outra colocamos garfo", adianta Pitty. "Acabou saindo muita coisa que, na cabeça da gente, poderia ter feito de outro jeito. Pensávamos em colocar cordas, mas descobrimos que um dobro com um ebow e slide [aparelhos para guitarra], dobrado três vezes, causava essa imprensão", conta Martin.

Com o fim das gravações na serra, a dupla agora vai levar o material para estúdio, finalizar pequenos detalhes, e mixar. Ainda não há planos para levar o novo trabalho aos palcos, mas Pitty e Martin já sentem saudades da temporada de confinamento. "Foi uma experiência. O Agridoce é um parque de diversões pra gente", diz ela, amparada pelo guitarrista: "É surpreendente que essas músicas tenham tocado outras pessoas, porque para nós era uma coisa muito despretensiosa".

Ouça no player abaixo as canções já divulgadas pelo Agridoce, antes do confinamento na Serra da Cantareira: