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Scorpions foge da aposentadoria com condicionamento físico em show cheio de hits

Klaus Meine e Matthias Jabs do Scorpion se apresentam em São Paulo (20/9/12) - Manuela Scarpa/Foto Rio News
Klaus Meine e Matthias Jabs do Scorpion se apresentam em São Paulo (20/9/12) Imagem: Manuela Scarpa/Foto Rio News

José Norberto Flesch

Do UOL, em São Paulo

21/09/2012 02h32

Aposentar-se ou não era a questão que tomava a cabeça dos integrantes do Scorpions em 2010, quando saiu o CD “Sting in the Tail”. Uma turnê de despedida foi armada e passou pelo Brasil. No ano seguinte, a banda lançou o CD “Comeblack” e continou o que seria seu último giro mundial. Seria, porque, em 2012, o grupo de hard rock voltou atrás e abandonou a ideia de parar. Nesta quinta-feira (20), em São Paulo, no Credicard Hall, deu para entender a decisão de continuar. Ainda que tenha anunciado que não irá mais gravar discos, só tocar ao vivo, é no palco mesmo que o público do Scorpions parece querer ver a trupe alemã. Ficou claro desde o início da apresentação, quando a música “Sting in the Tail” abriu a noite. Quase toda a mise-en-scène que tornou a banda conhecida continua sendo vista, ainda que os músicos oriundos da formação clássica, com idades girando em torno dos 60 anos, tenham eliminado boa parte das “acrobacias” que faziam nos anos 1970 e 1980.

O guitarrista e líder Rudolf Schenker, 64, ainda corre pelo palco, e vez ou outra dá saltos. O outro guitarrista, Matthias Jabs, 55, que nunca foi de ficar parado, também mantém o condicionamento em dia. Um pouco triste, no entanto, é o visível desgaste visual e físico de Klaus Meine, o vocalista, hoje com 64 anos. Mas, ainda que não se movimente mais como os colegas, continua com voz boa e forte o suficiente para segurar as quase duas horas de show.

É Meine quem conduz o público no acompanhamento vocal das baladas, e isso ele ainda faz bem. Ontem, pediu à plateia que cantasse e batesse palmas durante “Holiday” e foi prontamente atendido pelo lotado Credicard Hall inteiro. Antes, já havia improvisado um “ê-a-ê-ô” ao final de “The Best is Yet Come”. O “frontman” do Scorpions conquistou a simpatia com frases como “o Brasil é muito especial para nós há muitos anos”, com certeza referindo-se a todas as vindas ao país desde o sucesso da participação no primeiro Rock in Rio, em 1985.

Ter saúde e disposição para continuar no palco durante quase duas horas ganha o reforço de um repertório cheio de hits e clássicos, que a banda repassa sem quase nunca mudar. O set list é pouco diferente do que o Scorpions tocou em 2010. Estão lá, nos mesmos momentos em que foram apresentadas há dois anos, “Still Loving You”, “Big City Nights” e “Rock You Like a Hurricane”, por exemplo. A única ousadia foi substituir a boa “No One Like You”, apresentada nos primeiros shows desta nova turnê na América do Sul, pela fraca “The Rhythm of Love”. A decisão de continuar na ativa funciona como um combustível para manter estas músicas na memória das pessoas.

O Scorpions se apresenta novamente hoje, às 22h, no Credicard Hall (av. Nações Unidas, 17.981, tel. 4003-5588). Os ingressos custam de R$ 120 a R$ 600.