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De turnê no exterior a brigas na Justiça, música sertaneja passou 2012 entre tapas e beijos

Arte UOL
Michel Teló, Gusttavo Lima, Paula Fernandes e Leonardo: crises e sucessos em 2012 Imagem: Arte UOL

André Piunti

Do UOL, em São Paulo

11/12/2012 16h16

O ano de 2012 se encerra para a música sertaneja como um período de consolidação. Sertanejos dominaram os programas de televisão, reforçaram o poder nas rádios e houve ainda quem reafirmasse destaque no exterior, a exemplo de Michel Teló e Gusttavo Lima. O "Camaro Amarelo", o "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha" e o "Lê Lê Lê" viraram hits nacionais, cantores investiram em casas noturnas dedicadas ao tema e o estilo musical atingiu uma hegemonia até então inédita.

Por outro lado, contrastando com as marcas positivas, o clima de "paz e amor" tão zelado pelos artistas saiu de cena em alguns momentos por conta de depoimentos polêmicos, desabafos e brigas judiciais que ganharam destaque na mídia. E, assim, mostraram que nem tudo são flores dentro da nova música sertaneja. Relembre os altos e baixos que aconteceram para o gênero em 2012. 

Hits-chicletes dominaram as paradas sertanejas em 2012

“Ai Se Eu Te Pego” - Michel Teló
“Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha” - João Lucas e Marcelo
"Bara Berê" - Cristiano Araújo
"Le Le Lê" - João Neto e Frederico
"Balada Boa" - Gusttavo Lima
"Gatinha Assanhada" - Gusttavo Lima
"Camaro Amarelo" - Munhoz e Mariano

Sucesso sertanejo no exterior 
A primeira turnê europeia de Michel Teló deu o pontapé inicial para o sucesso da música sertaneja no exterior. No final de fevereiro, o cantor saiu do Brasil com dez shows marcados em sete países. A repercussão de "Ai Se Eu Te Pego" lá fora surpreendeu Teló, e as reações do público estrangeiro foram registradas em um documentário sobre ele, exibido no canal Multishow. No final do segundo semestre, Teló passou por outras duas experiências inéditas: se apresentou no Grammy Latino, ao lado do Blue Man Group, e fez um show na Rússia.

E quem apostava que "Ai Se Eu Te Pego" seria um sucesso isolado dos sertanejos com o público estrangeiro, enganou-se. No segundo semestre, o nome de Gusttavo Lima apareceu no topo da parada da Billboard latina com "Balada Boa", como a música mais tocada nas rádios latinas dos Estados Unidos. Ao longo do ano, Gusttavo também se apresentou fora do país, em turnê que passou pelos Estados Unidos, Europa e México.

A ala feminina foi representada por Paula Fernandes que, após encerrar 2011 com o CD/DVD mais vendido do país, foi testar sua popularidade em Portugal. E, lá, figurou entre os três artistas mais vendidos do país. "Eu nunca imaginei que pudesse ser desse jeito. Sabia das vendas, que o disco era sucesso, mas cheguei lá e as pessoas me reconheciam. Entrei pra fazer o show e não aguentei, chorei vendo a casa lotada de portugueses cantando o meu repertório inteiro", disse ela ao UOL.

A tacada mais ousada, no entanto, foi de Jorge e Mateus que, em setembro, gravaram um DVD no Royal Albert Hall, tradicional casa de espetáculos em Londres. A dupla fez um registro dos seus maiores sucessos na breve carreira de sete anos, apenas dois meses após ter gravado um outro DVD de inéditas em Jurerê Internacional (SC). À época, Mateus negou que tivesse intenção de concorrer a projeção no exterior com outros sertanejos. "O projeto é para celebrar nossa carreira e dar um presente para nós mesmos e para os nossos fãs. Não estamos pensando em concorrer com ninguém, estamos só pensando na nossa carreira".

O mapa dos sertanejos pelo mundo

Da música aos negócios
Os cantores também deram seus pulos na seara dos negócios. Depois de Sorocaba e Jorge e Mateus consolidarem suas casas noturnas em São Paulo, destinadas à elite paulistana, Luan Santana decidiu ser sócio da Outlaws, ao lado do empresário Marcus Buaiz.

A dupla Marcos e Belutti abriu a Brooks, também em São Paulo. Michel Teló, por sua vez, não ficou pra trás: entrou como sócio em uma filial da Wood's em Campo Grande, cidade na qual se criou.

Declarações polêmicas
O clima de paz e amor na música sertaneja foi abalado quando, em julho, o cantor Jorge, da dupla com Mateus, deu sua opinião sobre o ambiente de trabalho. Sempre avesso a polêmicas e na posição de primeira voz de uma das duplas mais consagradas, o cantor declarou que "o mercado sertanejo é podre", chegou a dizer que tem "nojo" e que se incomoda bastante com a política do "tapinha nas costas". Sem citar qualquer nome, a declaração caiu como uma bomba no meio. Ele foi apoiado de forma calorosa por fãs e por boa parte dos artistas, mas houve quem não gostasse nada das declarações.

Na edição de aniversário da "Revista Sexy", em novembro, Zezé Di Camargo rebateu o assunto. "O Jorge não pode falar isso porque sabe o que acontece dentro do escritório dele", disse ele, dando a entender que a empresa  do cantor também seria responsável por atitudes criticadas em meio às declarações. "Não foi uma questão pessoal. Respondi uma pergunta sobre algo que eu não concordo. Acho que ele não podia falar certas coisas sendo que ele faz parte de um escritório conhecido no meio", continuou Zezé.

As críticas à música sertaneja não ficaram ilesas. Também em julho, durante uma série de entrevistas para promover o novo DVD, o cantor Victor, da dupla Victor e Leo, não aliviou. "A realidade é que, no momento, o sertanejo vai muito mal, completamente em baixa. O momento  é caótico. O termo sertanejo está lá em cima, mas a música está lá no chão". Cinco meses depois, foi a vez do irmão se manifestar, e Leo afirmou que "o mercado do show business no Brasil é uma prostituição absoluta".

Em outro momento de desabafo, Gusttavo Lima criticou, pelo Twitter, os "puxa sacos" do meio sertanejo. Sem também citar nomes, o cantor publicou cinco mensagens atacando os "bajuladores". Mesmo com a repercussão, ele evitou comentar para quem direcionou o recado. "Chega uma hora que você percebe que tem muita gente que só chega em você para conseguir alguma coisa. Não te vê como uma pessoa, vê o artista Gusttavo Lima e acha que ali tem uma oportunidade de tirar alguma vantagem. E para isso ficam puxando o saco, bajulando, e chega uma hora que isso começa a incomodar", disse ele.

Michel Teló também foi alvo do descontentamento dos sertanejos. Ele criticou o Ministério da Cultura por não aprovar seu pedido de incentivo via Lei Rouanet para ajudar nos custos do documentário "Michel Teló no Mundo". Após a repercussão, Teló disse que estava apenas defendendo um direito que é de todo artista.

Em novembro, mais uma polêmica: Munhoz e Mariano deixaram o recinto de um rodeio em Americana (SP), no qual se apresentariam, alegando que o horário combinado estava atrasado em mais de duas horas. A organização do evento tratou o caso como "estrelismo"; a dupla, como "falta de respeito".

Enquanto isso, na sala de Justiça...
A disputa judicial envolvendo Paula Fernandes e a Talismã, empresa da qual o cantor Leonardo é um dos donos, ganhou notoriedade pública. Paula decidiu encerrar sua parceria com a produtora, alegando que seu contrato acabaria em dezembro deste ano. A Talismã, na Justiça, ainda defende que o fim do acordo é apenas em 2014.

Os dois artistas tentaram colocar panos quentes no assunto, mas a situação vinha à tona em toda aparição pública deles. "A gente nunca tem controle sobre essas notícias, então precisamos tentar levar da melhor forma. Eu sempre tento explicar que tudo o que aconteceu é uma relação entre um artista e uma empresa. Já disse e repito que sigo admirando o Leonardo, e que toda essa situação é uma questão de negócios", defendeu Paula.

Michel Teló também se viu entre em polêmicas. Em vários momentos durante o ano, o cantor teve seu nome envolvido na briga judicial pelos direitos de "Ai Se Eu Te Pego". Em todas as vezes que foi citado, a assessoria do cantor informou que Michel é apenas intérprete, e não teria relação com os direitos autorais da música. No segundo semestre, outro caso: o cantor Leo Rodriguez acusou Teló de gravar sua canção "Bará Berê" sem autorização. A Som Livre, gravadora de Michel, respondeu confirmando que o cantor tem a autorização, e que Leo Rodriguez não é o verdadeiro compositor da canção.

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