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Prestes a lançar "The Terror", Flaming Lips volta ao país no Lollapalooza; saiba o que esperar

O vocalista do Flaming Lips Wayne Coyne se apresenta no festival Primavera Sound - Jose Coelho/EFE
O vocalista do Flaming Lips Wayne Coyne se apresenta no festival Primavera Sound Imagem: Jose Coelho/EFE

Fabiana de Paula

Do UOL, em São Paulo

28/03/2013 05h00

Há sete anos, o grupo norte-americano Flaming Lips se apresentava pela primeira vez no Brasil como parte das atrações do festival Claro que é Rock. Na época, a banda era pouco conhecida no país, mas já chamava a atenção pelo espetáculo de cores e psicodelia que promove durante suas apresentações ao vivo. Seu desempenho no palco levou o grupo a entrar para a lista da revista "Q" como “uma das 50 bandas que você deve assistir antes de morrer", em 2002. Nas vésperas do lançamento de “The Terror”, seu 13º álbum de estúdio, eles voltam a São Paulo na próxima sexta (29), desta vez como parte da programação do Lollapalooza, no Jockey Club.

Nessa apresentação, os fãs devem esperar um setlist completo, mas sem a participação da famosa bola espacial. Durante passagem recente pelo South by Southwest, no Texas, a banda tocou seu novo álbum na íntegra, deixando músicas como “Do you Realize?”, “Yoshimi Battles the Pink Robots” e “Fight Test” para o bis, quando Wayne Coyne surgiu em um traje prateado embalando um bebê de brinquedo ligado a fios iluminados que simulam um cordão umbilical.

Mas em entrevista à "Rolling Stone" norte-americana, Coyne afirmou que levará um tempo até os fãs voltarem a ver a bolha espacial novamente. “Eu não sei se estamos a aposentando, talvez não a usaremos por um tempo, ou não repetiremos tanto ou daremos tanta atenção a isso... Sinto que se continuarmos a fazê-lo, isso nos impedirá de fazer outras coisas”. Os globos espelhados continuam a fazer parte do cenário, assim como projeções futuristas em um telão gigantesco.

Fã conta como foi participar do primeiro show da banda no Brasil

  • Fãs encontram Wayne Coyne na porta do camarim nos bastidores do festival

No Claro que é Rock, em meio a headliners do porte de Iggy Pop & The Stooges, Nine Inch Nails e Sonic Youth, o Flaming Lips poderia ser considerado por muitos que foram até a Chácara do Jockey, em São Paulo, como meros figurantes. Mas para o editor de vídeos André Pagnossim, de 33 anos, e seus amigos, a apresentação era a mais aguardada da noite.

Ao saber que 10 pessoas seriam sorteadas por uma rádio local para serem os bichinhos de pelúcia, espécie de animadores de palco que fazem parte das apresentações da banda de Oklahoma há mais de 10 anos, André se inscreveu e ganhou. “Escrevi correndo, e até mandei uma mensagem adicional dizendo que eles tinham que me escolher. Acabei ganhando. No dia do show, fiquei surpreso ao saber que eu era o único ali a reclamar o prêmio, o resto não estava nem aí. Vai saber, talvez só eu tenha participado e a rádio inventou os outros nomes”, relembra.

Sem encontrar todos os ganhadores, os responsáveis pela promoção convidaram os amigos do produtor para se juntarem ao grupo. Enquanto esperavam nos bastidores para se vestir, Coyne abriu a porta de um camarim improvisado onde estava e ficou observando os jovens empolgados com a chance de dividir o palco com a banda diante de um público estimado em 25 mil pessoas. André foi o único que reconheceu o músico e recebeu um abraço como recompensa.

“Na verdade, a produção precisou ‘pescar’ umas pessoas do público aleatoriamente, para completar todas as fantasias. Lembro de umas pessoas que nem sabiam que som fazia a banda, só queriam estar lá em cima. E quem assiste aos vídeos do show, vê que o grupo de bichos da direita do palco  (onde estavam André e seus amigos) está muito mais animado que o da esquerda”.

  • Fãs do Flamming Lips fantasiados como bichos

O público presente naquela noite viu Wayne Coyne caminhar sobre suas cabeças dentro de uma bolha acrílica gigante, presenciou toda a parafernália usada pelo grupo em cena e cantou em coro “Bohemian Rhapsody”, do Queen, em uma espécie de karaokê coletivo.

Para os bichinhos, que estavam ali tão próximos dos músicos, a sensação foi diferente. No caso de André, que lamenta o fato do setlist ter sido em sua maior parte baseado nas músicas de “Yoshimi Battles the Pink Robots”, de 2002, ver o multi-instrumentista Steven Drozd em ação já valeu toda a experiência.

“Gostaria de ter ouvido mais coisas do “Soft Bulletin” e do “Clouds Taste Metallic”. Mas é um prazer enorme ver o Steven Drozd tocando, principalmente por ter ficado ali do lado dele. O cara matou uma garrafa de uísque e não errou uma parte. É realmente um dos poucos músicos contemporâneos que dá pra chamar de gênio”, ressaltou.

Mas se a expectativa de André era grande para ver a banda no palco em 2005, o mesmo não se repete este ano. Os preços inflacionados dos ingressos para o festival foi outro fator decisivo na escolha. Em 2005, os ingressos para o Claro que é Rock foram vendidos a R$ 120 no primeiro lote em São Paulo. Já para ver a banda na primeira noite do Lollapalooza, quem não tem direito a meia-entrada terá que desembolsar R$ 350.

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