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Documentário "Reincarnated" tira risadas da plateia ao mostrar momentos de Snoop Dogg

Jason Merritt/Getty Images
14.abr.2013 - O rapper Snoop Lion chega ao MTV Movie Awards 2013 Imagem: Jason Merritt/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

05/05/2013 16h06

Snoop Dogg já foi preso por tráfico de drogas e porte de armas, se envolveu com gangues perigosas, arriscou a carreira de cafetão – o que lhe rendeu boas confusões com a mulher—e fez parcerias com rappers como TuPac, Wiz Khalifa e 50Cent. Mas em 2012, ele decidiu deixar toda a vida bandida para trás. Trocou o codinome para Lion após um batismo rastafari e fez uma peregrinação pela Jamaica para gravar “Reincarnated”, seu 12o álbum de estúdio.

O nome do álbum produzido pela dupla Major Lazer, que reúne 12 músicas criadas no espírito de “paz e amor” e com raízes no reggae, também é o nome do documentário que é exibido neste domingo (5), na galeria Olido, em São Paulo, e que faz menção ao fato de Lion achar que é uma reencarnação de Bob Marley. O filme chega ao país após ser exibido no Festival de Toronto e no SXSW, como parte do festival de cinema de música In-Edit.

Editor da revista “Vice” inglesa e diretor do longa, Andy Capper foca em mostrar Lion, que já confirmou consumir cerca de 30 cigarros de maconha por dia, em momentos filosóficos, andando pelas ruas de Kingston com moradores de comunidades, conhecendo crianças carentes que tocam reggae e fumando com os maiores traficantes da Jamaica.

Em cenas que o músico aparece totalmente chapado, e que arranca boas risadas da plateia, ele conta como foram os bastidores das gravações do disco com “aquele cara do Police”, como ele mesmo descreve o baterista Stewart Copeland, além de Miley Cyrus, Akon, Drake e o integrante do The Wailers, Bunny. Último parceiro vivo da banda de Marley, Bunny diz só ter entrado em “Reincarnated” após questionar Lion se isso não era uma jogada de marketing ou uma fase de um álbum só.

Enquanto conta como escolheu “músicas para pais, mães e crianças ouvirem”, Lion relembra o passado em cenas que aparece coberto de joias, cabelo alisado, longos casacos de pele, rodeado de mulheres e pede desculpas à família por tudo que já aprontou. As confissões podem ser ouvidas em músicas como “No Guns Allowed”, cantada em parceria com a filha e a mulher. A faixa, uma das únicas que pode ser levada mais a sério, foi criada após a família de Snoop ter sido ameaçada por policiais que queriam confiscar as armas que o cantor tinha em casa.

O filme também relata como o músico recebeu a notícia da morte de Nate Dogg, um de seus primeiros parceiros na música no trio 213 e que rendeu a faixa “Ashtrays and Heartbreaks”, onde ele e Cyrus cantam sobre despedidas. “Cinzeiros e corações partidos / Eu perdi um irmão, vamos fumar um”, diz o refrão.

Como parte de uma grande jornada em busca da espiritualidade, Snoop faz sua última parada como “Dogg” em um antigo templo rastafari onde representantes de religião dizem que “o filho pródigo retornou”. A partir desse momento, anunciam que ele não seria mais um cachorro, o que o motivou a trocar o animal pelo símbolo da religião, um leão.

“Reincarnated” ainda pincela cenas sérias tendo a situação social da Jamaica como pano de fundo e transcende o tabu sobre drogas com as histórias e dicas de uso do rapper contadas com naturalidade. Mas em sua maior parte, são cenas como Dogg sentado em um “trono” de palha, sendo levado durante um passeio no lago por um empregado, com a cabeça rodeada de fumaça e falando sobre seu suco de frutas favorito ao som de “Here Comes The King” são as que ficam na memória.

Se a peregrinação de Lion o aproxima de Bob Marley? A afirmação deve ser levada tão a sério quanto um filme sobre o assunto.